Augusto Saldanha

Longboard underground

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Augusto Saldanha de pranchão em Galápagos. Foto: Arquivo pessoal.

 

Consideremos que o surfe  é um esporte que tem menos visibilidade e reconhecimento financeiro do que os esportes de massa, como o futebol e outros mais elitizados, como o tênis. E o longboard? O longboard é uma categoria do surf, praticada por um grupo pequeno de adeptos. Sua representatividade na mídia é mínima, ocupando alguns poucos espaços. Dito isso, considero o longboard uma categoria undergorund.

Tanto é que, ainda temos que explicar que o Medina não foi o primeiro brasileiro campeão mundial de surf. Muitos se comoveram nas redes sociais e saíram em defesa do Phil Rajzman, para dizer que ele foi o primeiro.

Do final dos anos 80 até o início dos anos 2000, vimos uma ascensão da categoria  – ocupando mais espaços. Nesse momento, as pranchas, em sua maioria 9 pés, eram produzidas para atender uma demanda de surf 50% clássico e 50% moderno (mix performance). Chegaram a um refinamento, em que ondas de menos de meio metro até ondas de mais de 10 pés poderiam ser surfadas bem, com alguns ajustes nas quilhas e peso da prancha. Nas competições, existia uma diversidade de estilos bem interessante. De um lado, como exemplo mais clássico, Joel Tudor e de outro, surfistas como Bonga Perkins e Picuruta Salazar competindo em diversos mares com diferentes estilos.

Teve um ano, que eu competi em 38 campeonatos de longboard. Não dá para comparar com o cenário atual.

Assista abaixo algumas ondas minhas – na época.

Assisti as etapas do WSL de Bells Beach e Margareth River, ambas na Austrália, e notei que o surf power de borda estava sendo bem valorizado, principalmente pelo tipo de onda exigir esse tipo de abordagem. E que surfistas como Mick Fanning e Medina coexistiam e disputavam usando essas armas.

Não seria a mesma coisa com o longboard? A condição do mar, não seria uma variante para que um estilo mais clássico ou uma abordagem mais performance fosse aplicada? Porque forçar essa padronização de monoquilhas clássicas? Será que isso vai trazer mais adeptos à categoria? Todo o avanço nos shapes de longboard mix performance serão esquecidos pela ditadura logger?

Hoje, vemos o ressurgimento do longboard clássico, com o movimento dos loggers, liderado inicialmente por Joel Tudor, que na minha época de competidor já reclamava dos longboarders de mix performance. Mas, por outro um lado no evento mundial da WSL, ainda vemos o longboard de mix performance ser dominante.

Está lançada a questão. Qual estilo seguir? Independente dessa questão, na minha opinião, o longboard deve ser levado de uma maneira leve e divertida. Uma atitude saudável é não exigir muito da categoria. Buscar o reencontro dos amigos nas competições e aproveitar a festa, afinal o longboard é underground!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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