Foto: Rafael Sobral.

Herbert Passos Neto, santista de 26 anos, é um longboarder de alma, apesar de ter iniciado tarde no surf, aos 19 anos, e tornou-se um surfista fissurado. Encontrou no longboard o equipamento ideal e daí nasceu um amor pela modalidade.

 

Formado em comunicação, busca o que a maioria dos surfista deseja: uma vida ligada ao surfe. Herbert colabora com o site desde o início sendo que as primeiras fotos publicadas no Hanging Together foram feitas por ele, durante o Rio Red Bull Longboard Internacional, realizado na Barra da Tijuca em 1999.

 

Agora Herbert tem seu espaço no site, Prancha Grande, onde ele irá desenvolver idéias relacionadas à modalidade. Saiba mais sobre

Foto: Rafael Sobral.

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Inspirado pelo texto de Neco Carbone, que fala da “orfandade” da modalidade e das incertezas para 2003, resolvi escrever sobre o que penso ser essencial para que sermos “adotados”, senão para sempre, pelo menos por um bom tempo: a renovação de alguns conceitos.

Mais do que competições, é necessário termos eventos, com atividades de interesse do grande público. Uma boa solução para aumentar o interesse da mídia pelo “produto” é investir nos aspectos social e cultural, pois a parte desportiva limita o público a competidores e simpatizantes. Apenas juizes e fanáticos conseguem acompanhar bateria a bateria, o dia todo!

Foto: Arquivo Pessoal.

Todos os esportes que movimentam mais dinheiro são os mais vistos pela grande massa, pois o retorno esperado pelo patrocinador vem da publicidade positiva gerada pela associação da sua imagem ao esporte.

 

Então, se o longboard quer ficar “rico”, tem que atingir um público maior, tem que ser popular, pop. Isso mesmo, pop! E não significa um projeto de transformar os astros e ganharem milhões, apesar de não ser má idéia…!

O II Petrobras Longboard Classic, realizado em Santos, foi um belo exemplo de como isso pode ser feito. Acompanhei passo a passo toda a articulação do evento e acredito que o campeonato foi um marco desta mudança.

Graças ao empenho dos organizadores tivemos mobilização social em torno do evento jamais vista em eventos de surf. Tantos setores colaboraram que nem lembro de todos.

Beto Mansur, prefeito de Santos, colocou todas as secretarias à disposição; a Unimonte, através da Unipran, ofereceu aulas e clínicas gratuitas de surf e skate, tendo inclusive um dia exclusivo para portadores de cuidados especiais; a Rádio Surf fazia entrevistas e disseminava a cultura do surfe; a prefeitura de Guarujá estava de prontidão para sediar a competição no caso de a ondulação estar de leste; polícias militar e civil, corpo de bombeiros, Terracom, Museu do Surf, Grupo A Tribuna, Quebra-Mar Surf Club, instituições de caridade…

Mais que um campeonato, foi um evento social, cultural e desportivo. Resultado: a mídia compareceu em peso, os patrocinadores e apoiadores ficaram satisfeitos e todos demonstraram interesse em fechar contratos para 2003.

Outro conceito importante é o da participação, da organização dos longboarders enquanto categoria. Mas, num país com monarquias e ditaduras na História, que não traz o hábito de participar da vida pública em sua cultura, é de se esperar que essa parte continue deficiente, ainda que algumas boas almas se esforcem.

Felizmente, nesse aspecto a galera de Santa Catarina deu show com a criação da ACL (Associação Catarinense de Surf). Exemplo a ser seguido por todos os Estados.

Para 2003, a Petrobras pretende manter o programa de apoio a esportes náuticos. E pelo sucesso do circuito 2002, a ACL deve rolar mais outro. Com isso já temos meio caminho andado para um circuito nacional inda melhor. Precisamos apenas de mais organização, participação, o que atualmente pode ser facilitado pela internet, o meio mais democrático de todos. Ficam abertas as sugestões…

Foto: Rafael Sobral.

De resto, futebol, fórmula 1, tênis já são pop, já chegaram ao topo da divulgação, não têm muito mais o que crescer. Essa é a década dos esportes com prancha, podem acreditar! Se Deus quiser, agora é “nóis”.

 

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