Depois de ralar no início da temporada havaiana, fotógrafo carioca radicado nas ilhas Bruno Lemos está no Brasil para matar saudades da família, rever amigos e curtir um pouco da terra natal.
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Durante passagem por Saquarema, litoral Norte do Rio de Janeiro, um surfista local chamou a atenção de Lemos.
A bordo de seu longboard, Matheus Santos Cunha, 29 anos, mostra estilo e habilidade, além de conhecer as ondas de Itaúna muito bem.
Nascido e criado no pico, Cunha é uma figura querida e respeitada em Saquá por suas atuações nas famosas e pesadas esquerdas.
Depois de despontar no circuito brasileiro profissional de longboard em 2006, Matheus quer tentar realizar o sonho de brigar pelo título brasileiro nesta temporada.
Saiba mais sobre a vida deste surfista e pescador na entrevista concedida por ele a Bruno Lemos.
Fale um pouco de você e como é o seu dia-a-dia.
Saquarema é o lugar onde aprendi a surfar e pescar. No momento moro em Itaúna e minha prioridade na vida é a pescaria em alto-mar, em que tiro sustento para pagar minhas contas, afinal moro sozinho e tenho que ralar. Uma parte da grana eu tiro para investir no equipamento de surf e nas vagens. Quando não tem pescaria tento surfar muito. Gosto muito de me alimentar de frutos do mar, pois sou um homem do mar. posso dizer que tenho uma vida bastante intensa no oceano. Dependo das condições do mar estou trabalhando, surfando ou treinando.
Como foi seu início no surf e no longboard?
O surf já veio no meu sangue praticamente desde que nasci. Meu pai já surfava naquela época e me introduziu no esporte. Com cinco anos já pegava minha primeiras ondas. Meu envolvimento com o longbord se iniciou também desde pequeno, minha primeira prancha foi uma monoquilha 7,7 do Carlos Mudinho, que era meu vizinho na época e junto com Bocão, Betão, irmãos Pacheco e outro que vinham para Itaúna me influenciaram a surfar tanto de pranchinha como de long. Foi naquela época que me apaixonei pelo esporte.
Você ainda surfa de pranchinha?
Procuro sempre surfar de pranchinha e fazer um surf mais radical e renovador, isso me ajuda muito para evoluir no longbord. Claro, sem perder o estilo e o clássico a alma do longbord.
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Qual sua atitude dentro da água?
Procuro me posicionar no pico quando está cheio de gente, sempre escolhendo as melhores ondas, mas sempre dividindo e respeitando todos dentro d?água para manter o astral.
Como você compara Saquarema com outros picos do Brasil?
Saquarema é um dos melhores lugares do Brasil para quem quer ser um surfista de ponta. Temos ondas fortes de alta qualidade. No entanto, se comparado com os outros lugares nosso surf parou no tempo. Não temos incentivos e hoje em dia não existe praticamente nenhum investimento no surf
local da nova geração. Já temos exemplos de surfistas que moram em Saquarema e conquistaram seu espaço no cenário nacional e internacional, como Raoni Monteiro, Léo Neves, Pedro Henrique, Yan Guimarães, Tais de Almeida. Acredito que poderíamos ter muitos outros nomes despontando por aí se tivesse alguém investindo no surf aqui.
Você participa de campeonatos?
Gosto muito da emoção da adrenalina antes de cada bateria, sinto que a disputa do longbord é uma disputa saudável, uma confraternização de amigos. Meu desempenho em 2006 não poderia ter sido melhor. Em meu primeiro ano de circuito brasileiro profissional consegui ficar entre os oito primeiros do ranking, consegui dois terceiros lugares fazendo semifinais com Picuruta e outra com Amaro Matos. Foram experiências que ajudarão muito minha carreira.
Quais surfistas você mais admira?
O Raoni Monteiro, que é amigo de infância. Sempre que ele está em casa trocamos idéias, ele me passa experiências e me motiva muito com seu surf. Tem outros caras que admiro muito, como Kelly Slater e Tom Curren, que são exemplos de surf e de vida.
E os planos para 2007, quais são?
Gostaria muito de ganhar o título brasileiro profissional de longboard, espero chegar no
final do circuito com condições de brigar pelo título. Também quero tentar ir ao mundial na Costa Rica e estou muito motivado a obter um bom resultado por lá. Para isso estou treinando forte e focado em meus objetivos. Espero obter reconhecimento e quem sabe até conseguir apoio e patrocínio, pois até o momento estou arcando com todas as despesas. Mas graças a Deus e aos frutos da minha pescaria tenho suprido as necessidades.
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Procure sempre fazer novas amizades e manter os velhos amigos, pois é a única coisa que guardamos desta vida, os sentimentos bons das pessoas e de cada amizade que fazemos. Gostaria de agradecer a oportunidade de expor meus pensamentos e um pouco da minha vida. Obrigado e boas ondas a todos.


