O Rio de Janeiro pelo ângulo das águas que banham a cidade. Foi com essa ideia na cabeça e algumas câmeras nas mãos que o francês Benoït Fournier fez as belas e surpreendentes fotografias do livro “Memórias da água” lançado pela Andrea Jakobsson Estúdio Editorial no ano em que o Rio de Janeiro comemora seu 450º aniversário. Morador do Rio desde 2006, Benoït afirma que sua relação com o mar só se intensificou com a chegada à cidade. Porém, há fotografias feitas também de rios, cachoeiras e de locações inéditas, como reservatórios protegidos, represas, estações de tratamento de água e nascentes de uso exclusivo da Cedae, patrocinadora do projeto.
“Cheguei ao Rio de Janeiro em 2006, e me apaixonei pelo mar, comecei a surfar com amigos, e a tirar fotos de fora da água dos surfistas, vendendo de vez em quando minhas fotos para revistas e marcas de surf. Em 2009, comprei equipamento para fotografar dentro da água, foi aí que deixei de fotografar surfista para focar na água em si e na relação das pessoas com o elemento. Fotografei com muita frequência no mar do Rio e resolvi me dedicar ao tema”, relata Benoït.
O fotógrafo destaca neste trabalho a visão que oferece a perspectiva a partir da água, tanto a submersa como a da superfície: “É esteticamente incrível como tantas formas nascem e surgem da água. É a câmera inserida em uma caixa estanque que permite a entrada no elemento líquido, potencializando a construção dessa nova perspectiva”, afirma Benoït, que fez as fotos com “umas reflex inseridas em uma caixa estanque e também câmeras compactas em caixa estanque ou à prova d’água. Tudo digital”.
Ele acrescenta que o trabalho levou dois anos para ficar pronto, mas que há fotos no livro de 2010, quando ele começou a entrar na água com caixa estanque. “Outras de 2011, 2012, 2013 e acho que mais ou menos 30 a 40 por cento foi feito em um mês nas locações da Cedae. O efeito borrado, desfocado, se faz na captação de imagem. São fotografias construídas em contato direto com o elemento líquido, de forma intuitiva. O resultado traz sempre muita surpresa, o acaso tem um papel importante no meu trabalho. A água em si produz experiências sensoriais, sinto isso no ato de mergulhar. Minha proposta artística vem se desenvolvendo a partir desta sensação, com o propósito de criar para o observador um universo imaginário, no qual pode se abandonar ao próprio devaneio”, diz.
Benoït Fournier nasceu em Carprentras, mas nunca chegou a morar nesta cidade da França, onde viveu em vários locais da região dos Alpes. Ele veio para o Brasil com 24 anos para fazer um intercâmbio, dentro do mestrado em administração internacional especializado em América Latina. Primeiramente foi estudar quatro meses na PUC de Curitiba e depois veio para o Rio de Janeiro para um estágio de seis meses. Desde então reside na cidade.
Benoït é autodidata, mas ressalta que seu pai, amante da fotografia, lhe deu ótimas dicas.
FichaTécnica
Título do livro: “Memórias da água”
Textos: Diógenes Moura, Elza Kawakami e David Zee.
Fotografia: Benoît Fournier
Tradução: Chris Hieatt.
Andrea Jakobsson Estúdio (Rio de Janeiro – 2014) – 140 páginas, R$ 150,00, ilustrado com fotografias, formato: 23x30cm.
ISBN: 978-85-88742-66-6
Texto em português com tradução paralela em inglês