Destino Canela

Licença para ancorar

Partimos da cidade de Darwin, Austrália, no final do mês de julho para a tão esperada viagem a Indonésia. Chegamos lá e fizemos a entrada no país pela cidade de Kupang, Timor Oeste. Dois dias depois tocamos rumo ao primeiro pico de surf da trip, a ilha de Rote.

 

Quando chegamos rolava um swell gigantesco, porém com o vento forte as condições ficaram bem complicadas. Mas o swell se manteve a semana toda e o vento ajudava bastante, principalmente na parte da manhã, em que rolaram boas esquerdas.

 

O pico já tem uma estrutura para receber turistas. O vilarejo é bem grande e as ondas já estão com crowd. Sabíamos que iria entrar mais um swell nos próximos dias, e vimos que ele seria mais de Oeste. Também soubemos que havia uma onda na ilha de Savu que só funcionava com esse swell.

 

Demos adeus a Rote, seguimos viagem rumo a Savu. Lá encontramos uma ancoragem perfeita. Sem balanço algum, e ainda com popa do barco ficando sempre de frente para onda. Estávamos muito próximos das ondas, o que nos permitia ir remando até o pico. Dividimos o outside com dois tiozinhos americanos de um outro barco e um australiano que estava na ilha.

 

Direitas perfeitas quebraram por quatro dias seguidos, e a galera realmente fez a cabeça. Na ilha, grande parte dos vilarejos não tem acesso à energia elétrica, apenas a parte principal da cidade. Não havia estrutura para receber turistas, acho que devido a onda não ser tão constante, fez com que poucas pessoas a procurassem.

 

Mas nós demos a sorte grande e pegamos altas! Com o fim do swell, fomos para ilha de Raijua, onde tivemos uma péssima noite ancorados. O fundo era de pedra, e a âncora se soltou por algum tempo durante a madrugada, deixando a galera em alerta.

 

Na ilha há apenas uma pequena comunidade que fala sua própria língua, porém a gente nem desceu em terra. O surf estava mau e havia dois gripados a bordo com suspeita de dengue, então decidimos tocar para ilha de Sumba, onde havia mais estrutura.

 

As gripes se foram e nessa ilha ancoramos em Tarinbang, atrás da onda de Millers Right. A onda precisa de um swell com mais de 1 metro para começar a quebrar e só funciona bem na maré seca, pois na cheia fica muito gorda. A onda é bem longa. Havia um pequen crowd, com umas oito pessoas, uns australianos e outros da Nova Zelândia, e eles conseguiram estragar a vibe de um lugar tão bonito.

 

Os caras eram chatos, se achavam os donos do pico, talvez por estarem hospedados no único resort que o pico tem. Se sentiram incomodados com nossa presença e fizeram de tudo pra gente se sentir mal. Além de o surf não estar tão bom, essa foi a única ilha que nos cobrou para ancorar, vê se pode! Bom, sem ter um tempo muito feliz, e com uma ancoragem que o vento não alinhava com a corrente, ficamos apenas uns três dias e tocamos rumo a ilha de Sumbawa.

 

Altas ondas, diversos picos e uma boa ancoragem, fizeram a gente ficar lá por duas semanas. O pico tem uma estrutura com diversos resorts e restaurantes, além de vários fotógrafos registrando as ondas de todo mundo. No final do dia, um restaurante ficava passando as imagens do dia em um telão. Uma vibe muito boa, e junto com alguns brasileiros, rolou até um peixe na bananeira na beira da praia.

 

Ouvimos falar que havia uma direita do outro lado da baia, onde teríamos que passar no nosso caminho para Bali. Levantamos âncora cedo, e tocamos para esse secret. Chegamos lá por volta das 9 horas da manhã e estava bombando.

 

Deu pra fazer um surf de umas duas horas até estourar o vento. O fundo era de pedra e as ondas estavam bem alinhadas. Essa foi uma grande dica do local de Sumbawa, Jimmy. Depois disso partimos para Bali, onde a vida noturna nos capturou por alguns dias, afinal estávamos ha mais de um mês e meio em meio a surf e barco e amigos.

 

Ficamos uma semana lá, e vimos que um swell bom estava para entrar. Resolvemos pegar ele em Desert Point, na ilha de Lombok. Pegamos boas ondas e ficamos lá  por dois dias, até acabar o swell. De Desert partimos para ilha de Gili Trawangan, onde o surf estava mal, mas o mergulho era incrível.

 

Voltamos a Bali, organizamos o barco, e tocamos para G-Land. O surf estava fraco, e resolvemos fazer uma perna grande da viagem. Tocamos até o Oeste da ilha de Java, onde estamos agora. A trip durou sete dias.

 

Agora estamos em uma marina ajeitando o barco para as ilhas das Mentawaii. Ficaremos por lá até o final de novembro, depois seguiremos rumo Norte, para Nias, Banyaks e Aceh, antes de chegar a Tailândia na metade de dezembro.

 

Muito surf, novos amigos e lugares alucinantes marcaram esses primeiros dois meses de Indonésia. Mas a expectativa de chegar em Mentawai está gigante na galera. Agora o barco conta com o fotógrafo profissional, Edson Troglio, mas conhecido como Edinho, que irá fazer o registro da passagem do Destino Canela pelas ilhas.

 

A expedição Destino Canela tem apoio da marca de pranchas Tricoast.

 

João Pedro Travi é integrante do Projeto Destino Canela. A bordo de um veleiro, eles têm o objetivo de dar a volta ao mundo parando em portos do mundo inteiro. A conclusão se dará quando os tripulantes, depois de quatro anos de viagem, tiverem chegado à cidade gaúcha de Canela.

 

Para saber mais sobre o projeto, acesse o site Destino Canela.

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