#A bodyboarder Leila Alli, 30 anos, é considerada uma das melhores bodyboarders do mundo. Atualmente, ela tem o privilégio de treinar nos reefs australianos – uma das melhores ondas do planeta para o esporte, pois vive na Austrália desde 95.
Depois de viajar o mundo, adquirir experiência e se recuperar de um ano muito difícil, ela deixa claro nesta entrevista que vai continuar impressionando muito marmanjo com suas atitudes insanas fazendo o que mais gosta: descer ondas grandes.
Como foi o início da sua carreira?
Pego onda desde o Natal de 85, há quase 16 anos. Desde quando rolou o primeiro ano do circuito Mundial, em 95, estou entre as Top 12. Minhas melhores colocações foram semi-finais no Japão, Guadalupe, Califórnia, Hawaii e também cheguei à algumas finais no Hawaii e Ilhas Reunião.
Fale um pouco sobre suas viagens. Há quanto tempo você mora na Austrália?
Já surfei no México, Hawaii, Madagascar, Sumatra, Sumbawa, Java, Bali, Espanha, França, Portugal, Califórnia, Guadalupe, Ilhas Reunião, Ilhas Maurício, Fernando de Noronha, Tahiti e Huahine. Moro na Austrália desde agosto de 95.
Qual tipo de mar você prefere?
Gosto de mar grande e tubular.
Como está o esporte na Austrália, que é um local repleto de picos ideais para a prática do bobyboard como West Austrália, North Point e The Box?
A Austrália tem altas ondas e muito picos com fundos de coral. Onde moro, o lugar é chamado de Central Coast e fica próximo de Sydney. Lá há alguns dos melhores picos de ondas na costa leste. O local possui ondas iguais a Shark Island com menos crowd. As pessoas chamam de The Zone. É casca grossa!
O oeste da Austrália também é demais. Box é uma onda muito boa e dependendo da direção do swell, o drop não é fácil, pois você tem que dropar botando para dentro. North Point é um tubo alucinante e muito longo. Não tem nada parecido com a qualidade dessas ondas no Brasil.
O que você acha do bodyboard em ondas grandes como Jaws, Maverick’s ou Teahopoo?
Bem, Jaws e Maverick’s são uma história completamente diferente de Teahupoo. São ondas que movimentam uma enorme quantidade de água, vindas de longe e que apresentam uma profundidade bem maior. Quando atingem a bancada, quebram diferente de Teahupoo. Para surfar Jaws ou Maverick’s, você precisa de equipamento específico e um preparo físico maior. Já surfei Teahupoo grande uma vez e percebi que o mar se movimenta de forma diferente. Quando o swell atinge a bancada rasa é como se ele sugasse primeiro para depois quebrar. A onda se levanta do nada e quando vem, parece que está abaixo do nível do mar. Não é fácil.
Fale um pouco sobre os momentos do bodyboard no Brasil e no Mundo, analisando o mercado, o desenvolvimento do esporte e de novos produtos.
O esporte está passando por um momento de transição. O Super Tour quer realizar etapas em ondas de risco e isso é bom. Mas, como em qualquer mudança, a situação é delicada. Digamos assim, as intenções são boas, mas falta suporte financeiro para a idéia se desenrolar. Enquanto isso, o mercado de produtos espera o resultado dessa mudança estável. Acredito que um novo “boom” do esporte precisa surgir para soltar uma nova faísca na chama meio apagada do esporte.
Como anda sua dedicação ao esporte? Você tem treinado bastante? Qual manobra você mais treina?
Este ano foi meio difícil, talvez o mais complicado da minha carreira. A minha dedicação é 100%, sempre foi, mas o meu treinamento este ano foi complicado. Sofri um machucado Hawaii e quando voltei para a Austrália tive que operar o ombro. A recuperação foi longa e fiquei metade do ano fora d’água. Quando achei que estava preparada, me machuquei de novo e estou fora d’água novamente. Como já havia comprado os tickets para correr o circuito, viajei mesmo sabendo que não estava preparada para as competições. Além disso, fiquei muito doente no Japão e estou me recuperando agora na Austrália. Tá difícil…mas vai melhorar.
Quais são seus planos para este ano?
Como expliquei antes, os planos existem, mas estão sendo boicotados. Tudo bem… O plano agora é melhorar a saúde e ficar bem para a temporada no Hawaii.
Comente sua atuação no Hawaii. É o melhor lugar para a prática do bodyboard?
Acho minha atuação boa. Pipeline é o melhor lugar para a prática do esporte, embora seja quase impossível praticar alguma coisa quando se disputa ondas com mais 80 pessoas. Tento cair em todos os mares que me inspirem melhorar. Quando surfo em Pipe, por exemplo, fico, ou tento ficar mais para dentro do pico ou um pouco mais embaixo. Acabo pegando menos ondas, mas tudo bem. O que procuro em Pipeline é pegar uma onda realmente Pipeline. Afinal de contas, você não está em Pipe para dar rollos ou 360º. Este ano cai num Waimea grande e pequei as melhores ondas da minha temporada. O crowd no Hawaii está me desestimulando bastante, além disso, tem muita onda boa pelo Mundo.
Como é feita sua preparação física?
Minha preparacao física é feita na academia quando não tem onda. Corro, pedalo e levanto pesos. Além disso, faço yoga e alongamento.
Quais as ondas que mais lhe assustam e também causam fissuram?
Gosto de ondas grandes. Essa é a minha onda pessoal. É o que gosto de fazer e o que me dá prazer, mesmo que me assuste. Rola a adrenalina e o medo, mas quando você pega a boa ou um tubo que você acha que se não sair vai morrer, quando sai é a melhor sensação do mundo. Teahupoo é a onda que mais me assusta, mas mesmo já tendo surfado algumas vezes, ainda não peguei o tubo da minha vida.
Qual foi o maior apuro ou adrenalina que você já passou?
Ja passei tantos apuros… Em Teahupoo, uma vez, achei que fosse morrer quando tomei uma série na cabeca. Em Pipe também tomei uma série bem na zona do agrião e foi fogo. Ah! Lembrei de uma boa. No ano retrasado, botei para dentro de uma onda em Pipe, e morri dentro, fui de cabeça no coral. Fiquei com medo de ter me machucado sério, mas só abriu de leve. Há uns dez anos atrás, em Waimea, tomei uma na cabeca e achei que ia apagar. Já não sabia se remava para o fundo ou para a superfície, perdi a noção de onde estava.
Mande um recado para a galera
Meu recado é para todos seguirem o caminho que te deixa feliz. Siga este caminho sem culpa, pois amanhã a gente não sabe como vai ser e talvez fique um pouco tarde. Seja justo com as pessoas, pois só Deus pode julgar. E dê ouvidos a quem quiser te falar…