Talento sem patrô

Leandro Bastos quer mais em 2008

Leandro Bastos decola nas ondas do Rio de Janeiro. Foto: Pedro Monteiro.

Depois de perder o patrocínio e ter que encarar uma cirúrgia de garganta no final deste ano, o carioca Leandro Bastos concentra-se em uma boa temporada no WQS e no circuito brasileiro. Talento não lhe falta e nesta entrevista ele comenta os planos para uma nova fase de conquistas e viagens no ano que vem.

 

Quando começou a surfar?
Em 96 na barra da Tijuca.

 

Quando decidiu levar o surf a sério e se tornar um profissional?
Em 2002, quando fui campeão pan-americano e me classifiquei para o circuito brasileiro. 

 

Você está em recuperação de uma recente operação das amígdalas. Quando volta a treinar?

 

Leandro Bastos, campeão de Expression Session durante circuito brasileiro nesta temporada. Foto: Pedro Monteiro.

Eu fiz uma cirúrgia dia 5 de dezembro e acredito que em 15 ou 20 dias eu possa comecar a surfar e a treinar devagar. Em meados de janeiro já vou estar 100% para encarar as competições.
 
Recentemente você ficou sem patrocínio. Qual a importância de um patrocínio para a vida de um
surfista profissional?

O patrocínio é tudo, sem ele eu só não passo fome por causa da minha mãe… É o que dá condições para a gente viajar, competir, treinar e evoluir no esporte. Já viajei quase o mundo todo, graças a Deus sempre tive patrocínio, mas mesmo assim é muito dificil. A gente recebe um salário e tem que se virar para viajar, é como um trabalho né, são muitas competições, viagens internacionias, precisamos de mais estrutura e de suporte dos patrocínadores aqui no Brasil como é lá fora. Brasileiro é guerreiro, imagina sem patrocinio, ninguem poderia viajar. Olha o Leo quebrando no Hawaii, acho que os patroninadores têm que investir cada vez mais! 
 
Como foi o ano de 2007?
Foi um ano complicado. Queria ter corrido todas as etapas do WQS. Comecei o ano bem com um segundo lugar em Noronha e fui para Austrália e não fiz o resultado esperado. Depois, por um erro de planejamento perdi uma etapa de Durban que me deixou chateado. Acabei arrumando um empresário para ajudar no planejamento e para correr o maximo de etapas possíveis e só fui à segunda etapa em Durban, onde fiquei doente e não tive condições de brigar por um resultado.

 

Depois, quando voltei ao Brasil, tive que fazer vários exames e fui proibido pelo médico de viajar e de competir. Por isso acabei perdendo as outras etapas, mas com esperança de ir para a “perna européia”, o que não ocorreu. Depois, só corri os campeonatos no Brasil em outubro e novembro, quando ganhei uma etapa do Carioca e a Expression Session da Nescau.

 

Parecia que tudo estava melhorando quando recebi a noticia de que meu contrato com a Rusty não seria renovado e ficaria sem patrocínio. No final de tudo, optei por não ir ao Hawaii e fazer essa cirúrgia. Acho que foi um ano dificil, mas um ano que amadureci bastante. Tenho me preparado e vi a importância de um bom planejamento. Tenho fé em Deus e acredito que o patrocínio virá na hora certa e que 2008 será um bom ano para mim.

 

Quais são seus planos para 2008?

Estar 100% fisicamente e focar muito nas competições. Quero correr o máximo de etapas no WQS para conseguir minha vaga no WCT. Quero ser campeão brasileiro também e tenho me preparado desde a cirúrgia para enfrentar as viagens e o ritmo de campeonatos. Estou trabalhando com o empresário Thiago Baldino, que está me ajudando e organizando tudo para mim. Quero ficar tranquilo para treinar, me concentrar e conseguir um bom patrocínio também, para tudo ficar bem mais facil. Já tivemos propostas e tenho fé em Deus de que tudo vai dar certo.

 

Você já possui um calendário programado nas competições que você vai participar?

Vou para os WQS do Peru, Noronha e Santinho em fevereiro. No começo de março tem a primeira etapa do circuito brasileiro e depois pretendo ir direto para Austrália correr o cinco estrelas de Margaret River. Na seqüência tem o seis estrelas em Durban, na volta para o Brasil. Depois tem muitas etapas que quero correr, não dá para lembrar todas, Maldivas, perna européia, Trestles, são muitas. Pode ter algum ajuste, vai depender também dos resultado até o meio do ano, mas pretendo seguir este cronograma. 
 
Você possui alguma tática especial nas competições?
Procuro estar concentrado. Também faço fisioterapia e corro na areia duas a três vezes por semana. Quando estou em casa procuro me alimentar bem, comendo bastante peixe e frutas

Você já possui vários títulos: tetracampeão carioca, vice-campeão brasileiro e campeão pan-americano.
Qual o título considera mais importante e por que? 
Acredito que todos foram importantes para minha carreira. Mas um que considero especial foi o WQS de Fernando de Noronha no começo deste ano. Quase venci, fiquei em segundo lugar, foi um campeonato de altíssimo nível, com ondas de qualidade. Passei baterias muito fortes e pude mostrar meu potencial. Noronha é um lugar muito especial para mim e com esse resultado consegui me manter entre os

100 no ranking do WQS.

 

Qual o título que você pretende conquistar?
Ser campeão brasileiro e conquistar minha vaga para o WCT, correr pelo mundo nas melhores ondas, com os melhores do mundo e com os melhores equipamentos. Acredito que um dia possa chegar lá. Vários amigos conseguiram e estão lá. É só acreditar e ter mais apoio, pois para nós brasileiros sempre foi mais difícil, mas brasileiro é chato e não desiste nunca… (risos). Ser campeão mundial acho que todo mundo gostaria de ser, mas quem sabe, né?

 

Quais viagens você já fez para correr os campeonatos?

África, Peru, Austrália, EUA, Hawaii, Equador, Inglaterra, França e Portugal.

 

Quais são os melhores picos para surfar?
No Brasil gosto muito de Saquarema e Fernando de Noronha. Lá fora, Hawaii, Austrália, Indonésia. E tenho muita vontade de conhecer o Tahiti.

 

Na última etapa do brasileiro, na Barra da Tijuca, você levou a bolada da Nescau Expression Session
com o melhor aéreo. Você acha que, por competir em casa, você se sentiu mais confiante?

Com certeza. Foi um ano difícil. Eu não me dei bem no brasileiro, já tinha perdido mas tava em casa com minha família, namorada, tinha ganho a etapa do carioca em Saquarema na semana anterior. Senti que era o meu dia, me inscrevi na Expression Session e ganhei.

 

Os aéreos são as sua especialidade? Quais são as manobras que você acha que se destaca?

Eu curto muito dar aéros, não sei se é minha especialidade, me dou bem em ondas boas, com tubos e ondas pesadas, você tem que ser radical!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)