Terminar o Tour da divisão de acesso no Hawaii tem um gostinho bem especial. As ondas de sonho de todo surfista definem os classificados para a elite mundial do próximo ano. Para aqueles que não conseguem uma das vagas, a viagem não é perdida. Afinal, ter o privilégio de surfar ondas poderosas e perfeitas ao lado de atletas experientes é uma oportunidade única.
Somando mais uma temporada, o carioca Leandro Bastos é um desses privilegiados. Integrante da equipe Nicoboco, ele está no arquipélago havaiano. Seu objetivo é participar das duas etapas seis estrelas do WQS. A primeira prova terminou no último sábado, dia 22 de novembro, em Haleiwa. Na bateria, a falta de uma onda o deixou fora da disputa, mas não tirou a experiência que ganhou.
“Faltou uma onda para passar, apesar do mar ter tido ótimas ondas. No entanto, foi muito bom participar pela primeira vez de uma competição no Hawaii”, analisa o estreante que já pensa no futuro. “Espero poder estar sempre aqui para esses dois eventos. O de Haleiwa e Sunset, que está em janela de espera. Para mim, são os dois campeonatos mais alucinantes de todo o ano”.
Sua desclassificação foi falta de sorte, já que a formação das ondas de Haleiwa, que atingiram 2 metros, assemelha-se com o quintal de casa do atleta. “As ondas de Haleiwa são alucinantes, muito parecidas com Grumari onde treino bastante. Foi muito triste perder de cara numa onda como essa, mas valeu e serve de experiência para os próximos anos”, lamenta o surfista local do Recreio dos Bandeirantes.
Para ele, a segunda colocação do brasileiro Jihad Khodr foi excelente. “De todos os brasileiros, o que mais se destacou foi o Jihad, merecendo a segunda colocação. Um belo resultado para o Brasil”. Já seu companheiro de equipe, Yuri Sodré, Bastos confia na experiência do veterano. “O Yuri é bastante respeitado aqui no Hawaii. E como ele já foi do WCT, tem tudo para fazer um bom resultado em Sunset. Ele é meu amigo e sempre quando posso, paro para assistir as suas baterias”.
A prova de Sunset, palco da última etapa do WQS deste ano, tem janela de espera até o dia 6 de dezembro. As expectativas para ter um fechamento digno da Meca do Surf são boas. “O Hawaii ainda não mostrou realmente um swell constante, mas a previsão para esta semana é muito boa, com ondas de até 20 pés”, avisa Leandro, de 23 anos, com passagem pelo arquipélago em 2005 e 2006.
Para esta etapa, Leandro está se preparando bem, aproveitando a energia do local. “É uma etapa que sempre sonhei em participar. Já fiquei de técnico no canal para vários atletas. Estou muito perto de Sunset, na casa de um dos maiores vencedores da história nessa praia, o Michael Ho. Espero representar bem o Brasil e os meus patrocinadores”. Seus melhores resultados no WQS são um segundo lugar em Fernando de Noronha (2007) e um quinto na Inglaterra (2006).