
Desde o início de 2003, o programa Extreme TV, da ESPN Brasil, tem como prioridade explorar lajes para a prática do tow-in fora da costa brasileira.
Sob comando do vídeomaker e produtor Luis Roberto “Formiga”, o Extreme-TV registrou uma session cabulosa na Ilha dos Lobos, localizada no litoral gaúcho.
Segundo Formiga, este projeto é sério e tem dado certo devido a união das pessoas envolvidas, que possuem know-how para explorar estes tipos de ondas.
“Antes de se aventurar, é preciso estar atento e

com equipes de apoio prontas para ajudar. Também é preciso ter respeito e não deixar o medo de lado”, ressalta ele.
Recentemente, Formiga e os big riders João Capilé, Eduardo Schultz, Fabiano Tissot, Zeca Scheffer e o local Jacaré sentiram o power da laje da Jagua, situada a 10 quilômetros da costa no litoral catarinense.
Formiga já havia estado no pico outras duas vezes. Depois de um ano de insistência, o grupo conseguiu desfrutar da laje em suas melhores condições.

“O retorno pessoal é muito grande. É gratificante a sensação de dever cumprido. É preciso valorizar o que se tem no Brasil”, afirma o produtor.
“Já tinha surfado o pico em condições mexidas. Monitoramos o swell e observamos que este dia estaria com um período legal. Mas, chegando lá, estava surpreendente. Quebrava uma direita assustadora e imprevisível. Ficamos um tempo estudando a melhor maneira de entrar na onda para obter a melhor performance”, relata.
O mar apresentou ondas acima dos cinco metros de face, entre as maiores da série. Para se ter uma idéia do power

das ondas, Tissot foi atingido pelo lip e contundiu o pé logo em seu primeiro drop, tendo que se contentar em colocar o parceiro Zeca Scheffer nas melhores bombas.
“A direita passa por uma pedra. Se a maré secar, o surfista pode bater na pedra. Para escapar, eles entravam por trás”, comenta.
Depois, foi a vez de Formiga e Capilé encararem a onda. “Tentamos entrar nela dando um ‘sling shot’, porém tínhamos que fazer uma manobra muito forte”.
Formiga acabou caindo em uma onda e ficou submerso por 40 segundos.
“Dei uma imbicada,

tomei um double up e fui parar no fundo. Quando a onda passa, ela provoca um redemoinho que te puxa para baixo. Cheguei a uns seis metros de profundidade e tive contrações abdominais”, conta.
Antes de apagar por causa do caldo, o último estágio pelo qual o corpo passa é a contração diafragmática, considerado um alto estágio de apnéia.
“Não brigava mais com o caldo, fiquei literalmente curtindo. Dois jets ficaram me procurando e não conseguiram me encontrar. Eles imaginaram que eu estivesse preso em alguma caverna”, relata ele.
A direita foi ‘classificada’ como muito forte e poderosa. “Com certeza esta é a direita mais cavernosa e potente do Brasil. Também é disparada a mais perigosa, apesar de ser altamente surfável”.
No segundo dia, o vento estava forte, porém diminuiu, gerando mais uma surpresa: uma esquerda longa e altamente manobrável. A galera fez a festa.
Zeca descolou a maior onda do dia, entrando num trilho em altíssima velocidade; João Capilé surfou durante uma hora com o mar liso. “A onda é muito veloz, funcionando como um supertreino para picos como Jaws, no Hawaii. É uma onda que realmente impõe respeito, de nível internacional”, ressalta o videomaker.
De acordo com Formiga, os joelhos funcionam como verdadeiros amortecedores. “Fiquei com dores nos dois joelhos e também nos calcanhares, por causa da vibração causada”.
“Esta onda é uma caixinha de surpresas. O tubo pode acertar sua cabeça e te desmontar”.
O Extreme TV tem seqüência procurando novas ondas. “Assim que a eficiência dos picos estiver comprovada, elas estarão na tela da ESPN e aqui no site Waves em primeira mão”, afirma Formiga.
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