Lahimar perde contato com a bóia

Nesta terça-feira a equipe do Lahimar (Laboratório de Hidráulica Marinha – Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental – UFSC) perdeu o contato via rádio e GPS (Global Position System) com a bóia de monitoramento da agitação marítima da costa catarinense.

 

O professor Eloi Melo, chefe da equipe do Laboratório, passou o dia em São Francisco do Sul, extremo norte catarinense, onde esgotou todas as possibilidades de resgate do equipamento por volta das 18 horas de hoje.

 

A bóia ou ondógrafo do Lahimar desgarrou-se de suas amarras no último sábado, dia 12, à leste da Praia da Armação, cerca de 35 km mar adentro em Florianópolis.

 

O responsável pelo incidente foi o forte swell de su-sudoeste que passou ao largo do litoral catarinense no final de semana.

 

O ápice da ondulação aconteceu no sábado, quando as ondas passavam dos 3 metros em alto-mar. Segundo Melo, a correnteza arrastou a bóia para o norte numa velocidade estimada de 1,5 m/s, que corresponde a uma corrente muito rápida.

 

Essa condição foi resultado de um ciclone que atingiu os litorais do Uruguai e do sul do Brasil. “Além do swell, o nível do mar subiu um bocado e a corrente que se desenvolveu na plataforma continental foi uma estupidez”, destacou o professor.

 

No domingo, a equipe do Lahimar esteve desde cedo em Itajaí. Alugaram  uma lancha e fizeram uma tentativa de resgate da bóia. No entanto, as condições do mar e das
correntes eram persadas, motivando o cancelamento da estratégia.

 

Naquela hora, estimaram que a bóia estivesse a  50 km da costa, sendo levada junto com o swell. O professor Melo disse que no final da tarde de domingo ainda era possível captar o sinal da bóia. O equipamento passava ao largo de Itajaí, rumo ao norte, ainda muito rápido.

 

Na segunda-feira, o navio balizador faroleiro Mário Seixas estava atracado no Porto de Itajaí e a equipe do Lahimar solicitou o auxílio da Marinha, que se prontificou a ajudar.

O navio partiu para a missão de resgate da bóia às 9 horas e passou o dia, literalmente,
correndo atrás do equipamento. 

 

Por telefone, o professor Elói Melo informou que um membro do Lahimar estava a bordo da embarcação com todo aparato tecnológico capaz de detectar os sinais do rádio ou do
GPS instalados na bóia.

 

No entanto, não se confirmaram as estimativas de que o provável ponto de interceptação seria o litoral paranaense, cerca de 60 km de distância da costa, pois nenhum sinal foi captado.

 

Nesta terça-feira, a equipe passou o dia na ilha de São Francisco do Sul. A expectativa é que, a partir de agora, com a virada do vento para o quadrante norte, a correnteza e o tamanho das ondas diminuam e que a direção inverta (águas ao sul).

 

Isso poderia fazer com que a bóia rumasse para alguma praia dos litorais norte catarinense, paranaense e, ainda, centro-sul paulista.

A bóia do Lahimar é a peça chave de um sistema de monitoração da agitação marítima semelhante ao existente no Hawaii. De hora em hora são repassadas à base informações como alturas significativa e máxima das ondas, direção predominante do swell, período do pico entre uma onda e outra, além de temperatura da água. Em
seguida, os dados são publicados no site www.lahimar.ufsc.br .

 

A bóia da UFSC, como também é conhecida em Florianópolis, é um serviço público de
monitoração de ondulações pioneiro no Brasil, que conta também com um dos mais precisos sistemas de previsão de ondas para a costa do sul e sudeste do Brasil.

 

Esta é a primeira vez que a bóia desgarra do ponto de monitoração desde o final do ano passado, quando foram trocadas pintura, baterias e amarras, numa reforma completa do equipamento.

 

A equipe do Lahimar está de plantão pelos telefones (48) 331-9992, (48) 9111-6069 e (48) 9998-0746 para receber qualquer informação envolvendo a localização do equipamento.

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