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La Torche Pro 2014 deixa um sabor agridoce

Por Redação SupClub

O último dia de disputas do La Torche Pro, última etapa do stand up world tour deixou um sabor agridoce a todos os brasileiros. Ficamos felizes pelo vice-campeonato de Leco Salazar na etapa e pelo vice-campeonato mundial de Caio Vaz, porém, a sensação de que poderíamos – e merecíamos – ter ido mais longe adicionou um gostinho amargo a essa felicidade.

Caio fez sua parte. Foi o melhor surfista do ano. Venceu a etapa mais difícil, Sunset Beach Proe liderou o ranking mundial até a penúltima etapa, disputada na Califórnia, vencida por Lenny que, beneficiado pelo curioso sistema de dois descartes em apenas cinco etapas, conseguiu ultrapassar o carioca na liderança do ranking na reta final do tour.

Mesmo assim, o irmão mais velho dos Vaz Brothers não se abalou. Caio precisaria vencer a etapa ou torcer por um tropeço de Lenny. Essa pressão, no entanto, não o abalou e o carioca fez a sua parte e surfou muito bem, passando suas baterias de forma convincente. 

Nas quartas de final, no entanto, efrentou o perigoso havaiano Zane Schweitzer que, mesmo não sendo um surfista consistente, pode tirar da cartola manobras bizarras capazes de reverter um resultado de qualquer bateria. Não foi exatamente o que a conteceu e a disputa entre os dois foi muito apertada. Zane surfou bem, é verdade, assim como Caio e, no final, os juízes deram a vitória ao havaiano por uma pequena diferença: 14.17 contra 15.67. Resultado que tirou o brasileiro da disputa pelo título de 2014.

Lenny vibrou muito com a “ajuda” de seu amigo Zane. O havaiano é idiscutivelmente um monstro dos watersports e, talvez, depois de Laird Hamilton, o maior nome do stand up paddle mundial. 2014, no entanto, foi um ano irregular para alguém com o seu talento. Lenny foi vice em Sunset, nono em Alagoas, depois, emplacou duas vitórias seguidas em Abu Dabi e outra, um pouco contestada, Huntington, para terminar na terceira colocação na etapa francesa e tetra campeão mundial.

A sua campanha ao longo do ano se refletiu durante as etapas. A marca “Lenny” parece pesar cada vez mais na hora em que uma nota é aplicada pelos juízes. Muitos que acompanharam a bateria entre ele, o taitiano Poenaki Raioha, o havaiano Mo Freitas e o australiano Beau Nixon, nas oitavas, não se convenceram do resultado que lhe alçou à primeira colocação e, mesmo que Raioha não tivesse cometido uma interferência que lhe tirou a melhor nota, quantas pessoas realmente acreditam que Mo Freitas surfou menos do que Lenny nessa bateria? 

Mas, polêmicas à parte, o fato é que Kai avançou e destruiu a bateria seguinte, contra Airton Cozzolino (ITA), mostrando ao mundo do que é capaz. Na semifinal e já com o título garantido, caiu diante de um obstinado Sean Poynter (EUA), que encontrou sua redenção em La Torche.

Indiscutivelmente um dos melhores SUP surfistas do mundo, e, para muitos, dono do estilo mais bonito do tour, o norte-americano não vencia uma etapa desde 2012, quando perdeu a corrida do título mundial para o santista Leco Salazar. Na França, Poynter foi merecidamente o campeão, surfando muito bem desde o início, colecionando algumas das melhores notas do evento. 

Na final contra Leco, consolidou sua vitória logo no início, fazendo um sete alto e, em seguinda um oito, deixando o brasileiro em uma situação delicada. Leco bem que tentou mas não conseguiu encontrar uma onda boa o suficiente que garantisse o high score que precisava. Seria o prêmio de consolação pela perda do título de Caio, no entanto, os deuses do SUP não estavam dispostos a facilitar as coisas para os brasileiros e a última etapa do tour mundial deixou um sabor agridoce para todos os brasileiros.

QUEM É REI…

Competir contra Leco Salazar é sempre um páreo duro. O título de campeão do mundo em 2012 já mostrou do que esse cara, que carrega o DNA da família Salazar no sangue, é capaz. No entanto, em 2014 ele não havia conseguido chegar a nenhuma final, até a França.

Com a eliminação do amigo e compatriota Caio Vaz, Leco deu o troco em Zane Schweitzer e manteve a torcida brasileira viva na competição, honrando as cores verde e amarela até a finalíssima, quando mesmo surfando bem, não encontrou as ondas com o potencial de pontuação de que precisava para superar Sean Poynter. 

A segunda colocação em La Torche moveu Leco para o oitavo lugar ranking e, mesmo não sendo um resultado que reflete todo o seu talento, esparamos que o resultado na França lhe sirva de motivação para apresentar na temporada de 2015 todo o extraordinário repertório de manobras de que é capaz. 

LA TORCHE PRO 2014

Masculino

1. Sean Poynter (US)
2. Leco Salazar (BRA)
3. Kai Lenny (HI)
3. Zane Kekoa Schweitzer (HI)
5. AIRton Cozzolino (IT)
5. Mo Freitas (HI)
5. Caio Vaz (BRA)
5. Kody Kerbox (HI)

Feminino

1. Izzi Gomez (US)
2. Caroline Angibaud (FR)
3. Sophia Tiare Bartlow (US)
4. Roxy Davis (RSA)
4. Tinina Etinne (GP)
4. Maili Tahar (FR)
7. Bowien van der Linden (NED)
7. Lori Park (US) 

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Fonte: Waterman League

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