Kitesurf garante diversão em Mokuleia

Muito vento e poucas ondas. Essa é a realidade do North Shore havaiano nos últimos dias. Mas, quem acha que a galera anda triste está equivocado.

 

Eu, Burle, Eraldo, João Mauricio e os filmakers Kleber Pires e Marcelo Dadá fomos ao outro extremo de Oahu, mais precisamente em Mokuleia, palco internacional do kitesurf nas ondas.

 

A modalidade vem crescendo e muito graças a nova tecnologia dos kites, que permite um ataque às ondas muito similar ao surf, com a pipa dando mais impulso nas rasgadas e aéreos.

 

O vento estava em torno de 30 nós no sábado, domingo e segunda e as ondas com cerca de um metro fizeram a festa dos big riders e dos profissionais do kite presentes em mais um final/começo de semana lindo, de muito sol e água azul turquesa.

 

Kevin “Top Hat” é um dos melhores kiteboarders do mundo e arrepiava as ondas ao lado de John Amundsem, Martim Vari, Jeff Tobias, Bertraund Fleury e Will James.

 

Os kites que cortavam o céu azul de Mokuleia tinham de seis a dez metros e as linhas usadas entre os profissionais eram de 20 metros por facilitar o movimento da pipa no waveriding.

 

A onda em Mok’s é uma direita super longa com cerca de três seções e suscetível a muitas manobras derivadas do surf tradicional. A nova tendência desenvolvida por Mauricio Abreu foi absorvida pelos melhores atletas do mundo e todos os profissionais estão com suas pranchas tradicionais de remada embaixo dos braços antes de suas sessões e também por cima dos lips.

 

Usei um North Rinho 5 e recomendo. Fiquei impressionado com o funcionamento da barra com o quinto elemento. Depois de um floater malsucedido, cai na base da onda e pensei que o kite iria se esborrachar na água.

 

Engano meu, pois a quinta linha torna o kite muito estável, suscetível a qualquer comando. Sem sua ordem ele não sai do lugar. Com os kites antigos, se ficássemos sem dar o comando por alguns segundos ele pendulava para um dos lados.

 

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Fiquei feliz em ver João Mauricio se divertindo muito na sessão, mesmo ainda se recuperando de duas cirurgias nos ombros devido a uma vaca em Jaws na temporada passada.

 

Eraldo também sofreu uma pequena contratura no abdômen, mas foi só um susto. Burle passeou com seu kite 7,5m por toda a bancada rasa do lugar e saiu amarradão.

 

Na semana passada Mokuleia cobrou todas as taxas possíveis. Em uma caída durante o final de tarde entrei e quando cheguei no outside e o vento começou a parar, tentei voltar a toda para a praia, mas acabei enganchado numa bancada rasa com alguns cortes no peito.

 

O vento virou para terral e minha barra enroscou na bancada, me forçando a retirá-la do kite e perdê-la na seqüência.

 

Uma série grande apontou no horizonte e não consegui segurar minha prancha. Já era noite e eu não consegui avistá-la, então fiquei com duas opções.

 

Uma seria (e eu já estava tentando sem exito) subir em cima do kite e usá-lo como uma bóia e remar contra o vento até a praia, que já estava a cerca de 1,5 km. A segunda seria abandonar o kite e sair nadando, que seria a melhor coisa, ou menos pior, afinal um kite é bem caro.

 

Enquanto decidia no breu e com um medo enorme de tubarão (tubarões tigre são vistos freqüentemente na região) aparece um cara com um longboard enorme em minha direção. Achei que fosse miragem, mas não era.

 

Peter mora na única casa de frente para o local e viu tudo o que rolou de sua mesa de jantar. Largou sua mulher e veio me resgatar. Anjo da guarda! Graças a Deus. Perdi uma prancha e a barra e ganhei alguns arranhões, porém a lição foi maior: “Nunca entrar no mar para velejar antes de escurecer. A modalidade é muito complexa e as coisas podem ficar literalmente pretas”.

 

Uma semana depois Jorge Pacelli também perdeu sua prancha em um final de tarde de treinos. Ela era preta e não conseguimos avistá-la novamente. Ossos do oficio.

Essa semana me parece que a modalidade será diferente. Muita remada e tow-in. A previsão mostra dois bons swells a caminho.

 

Aloha!

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