
O seis vezes campeão mundial Kelly Slater, dos Estados Unidos, retornou ao ponto alto do surfe profissional com uma emocionante vitória no Billabong Pro, encerrado na última quinta-feira em Teahupoo, Taiti, com ondas perfeitas em torno de 2,5 metros.
De quebra, Slater assumiu a liderança do ranking, empatado com o havaiano Andy Irons, atual campeão do mundo.
O potiguar Danilo Costa conseguiu o melhor resultado de sua carreira, ao terminar sua estréia em Teahupoo na terceira colocação. Também foi a primeira participação brazuca no pódio da ASP nesta temporada.
O brasileiro ainda não havia vencido desde o ingresso no WCT e ocupava a última posição no ranking. Com o resultado, ele subiu para a vigésima colocação e é o melhor brazuca no ranking, seguido de Paulo Moura (21o), Peterson Rosa (23o) e Neco Padaratz (27o) – confira o ranking no final da matéria.

Cilindros perfeitos quebraram sobre a rasa bancada durante toda a quinta-feira. O dia começou com garoa, mas enquanto os barcos com torcedores tomavam conta do canal, surgiu o sol para dar o clima adequado para o show de surfe.
Slater não vencia uma etapa do WCT havia três anos. A última vitória dele aconteceu justamente em Teahupoo, no mundial de 2000, quando estava afastado do Tour e participou como convidado.
Depois de voltar a disputa do WCT em 2002, os melhores resultados no ano passado foram três derrotas em semifinais e a consequente nona colocação no ranking.

Nesta temporada, ele conseguiu dois nonos lugares, porém, vinha impressionando muito. Mais auto-confiante, o surfista de 31 anos finalmente se encontrou durante o Billabong Pro Teahupoo e venceu seu 24o troféu no WCT.
Além de embolsar US$ 30 mil, ele pulou da 11a para primeira colocação no ranking, empatado com o atual campeão do mundo, o havaiano Andy Irons.
Slater fez uma exibição de gala na final, completando belos tubos em todas as ondas. Para ter uma idéia da impressionante atuação do norte-americano, sua pior nota na bateria contra o australiano Taj Burrow foi um 8.00.
Depois de sumir num tubo incrível e ressurgir depois de alguns segundos, Slater recebeu um 10 dos juízes e colocou o aussie em combination.

Burrow descolou uma média 8.83, mas ele seria novamente ofuscado poucos segundos depois por Slater, que tirou da cartola um 10 perfeito.
Para controlar ainda mais a vantagem em níveis altíssimos, Kelly descartou um 9.33 no final da bateria. Com 19.57 pointos a favor, não deixou dúvidas a respeito de sua superioridade.
“No momento, estou emocionado”, admitiu Slater, cercado pela mídia e pelos fãs num dos barcos da organização.
“Foram exatamente três anos sem vencer. Estou viajando. Ao longo do dia, senti que as coisas estavam se encaixando. Nos rounds anteriores, é importante passar mesmo que por margens pequenas de diferença. Você quer manter uma reserva de capacidade para os rounds decisivos, e foi o que aconteceu desta vez. Fiquei um pouco preocupado por ter conseguido médias altas na semifinal, porque é muito difícil obter dois high-scores seguidos. Mas, na final, eu tinha 9.57 e 8.67, e aí consegui um 10 justamente quando eu bloqueava o Taj”, disse o campeão.

“A vitória me deixa confiante”, ressaltou Slater, ao comentar a conquista do título e a volta ao topo do ranking. “Antes, não estava muito confiante. Depois de passar nove anos vencendo ao menos um campeonato por temporada, estava meio encanado”, conta.
“Se eu pudesse escolher um campeonato para vencer, escolheria este ou o de Pipeline, mas provavelmente eu iria preferir este, por causa das ondas”, explicou.
Burrow, que nunca havia passado da 17a posição em Teahupoo, estava empolgado com a atuação que o levou ao terceiro lugar no ranking.
“Nem sei direito o que dizer ou o que eu deveria ter feito. Peguei bons tubos, mas não fiquei tão entocado quanto eu gostaria. Kelly praticou o surfe mais insano que eu já vi. Normalmente você não quer ver alguém entubando na sua frente. Mas, os tubos dele foram tão bons que eu fiquei entusiasmado por ele”, declarou Burrow com humildade.

Danilo Costa e Beau Emerton (Aus) levaram US$ 10 mil pelo terceiro lugar. Danilo foi o melhor brazuca no evento com campanha extraordinária para um estreante no WCT, o que rendeu muitos elogios dos dirigentes do Tour, a ponto de a página oficial da ASP parabenizá-lo pelo ótimo resultado.
Depois de despachar com tranqüilidade o havaiano Kalani Robb nas quartas-de-final, Danilo travou um grande duelo contra Slater na primeira semifinal.
O norte-americano disparou na liderança da bateria com dois excelentes tubos, notas 8.50 e 9.43, e deixou o brasileiro em uma situação complicada.
Costa esboçou reação com uma nota 7.33, mas Kelly mostrou que não estava para brincadeira e completou um tubo animal para arrancar uma nota 10 dos juízes.
Na outra série veio Danilo, não menos insano, mas conseguindo apenas 9.47. O brazuca ainda partiu para o tudo ou nada, jogando-se em tubos que fecharam e não conseguiu os 9.97 pontos necessários para ir à final.

O potiguar conseguiu entrar no WCT depois de terminar o WQS na 45a posição. Em Teahupoo, ele eliminou o campeão mundial de 1999 Mark Occhilupo (Aus), passou pelo campeão da primeira etapa da temporada, Dean Morrison (Aus), não tomou conhecimento de Damien Hobgood (EUA), e despachou Kalani Robb (Haw) nas quartas.
Ele só não avançou para a final porque deu azar e pegou justamente o campeão Kelly Slater.
“Kelly é o o melhor surfista em Teahupoo”, garantiu Danilo. “Tentei pegar boas ondas e superá-lo, mas ele teve médias 10 e 9.43. Tirei um 9.47 e um 8.5, e consegui chegar perto. Estou amarradão por ter chegado às semifinais. Especialmente por ter sido no campeonato promovido pelo meu patrocinador. Treinei vários anos para um dia me sair bem aqui. Tentei entrar no WCT durante muitos anos e agora realizei meu sonho. Eu dedico o resultado ao meu falecido pai, que agora me olha lá de cima. Ele talvez tenha me dado essas ondas para eu encontrar meu caminho até as semifinais”, disse o brasileiro.

Depois de Danilo Costa, o paranaense Peterson Rosa foi o brasileiro com a melhor colocação. O “Bronco” terminou em nono lugar, depois de ser eliminado pelo aussie Kieren Perrow nas quartas de final. O brazuca não encontrou as ondas e ficou em combination.
Já Kieren Perrow pegou dois tubos e derrotou o brazuca com dois high-scores: 9.67 e 9.30. Com o bom resultado em Teahupoo, Peterson finalizou a etapa em nono lugar, conseguindo 600 pontos no ranking e US$ 5 mil de premiação.
O pernambucano Paulo Moura e o catarinense Flávio Padaratz ficaram em 17o lugar, enquanto os cariocas Victor Ribas e Guilherme Herdy, bem como o paraibano Fábio Gouveia e o baiano Armando Daltro finalizaram a etapa na 33a posição.

A etapa também foi marcada por um show de tecnologia na cobertura ao vivo em vídeo. O niteroiense Mano Ziul, responsável pelo site da ASP e pelo sistema de julgamento e divulgação de notas do Tour, armou uma produção impecável, com transmissão de audio e imagens de alta qualidade, direto da boca do tubo de Teahupoo.
Graças a uma parceria entre a Billabong e o site Waves.Terra, Ziul tornou viável o lançamento deste site em português, sem dúvida um marco na história da cobertura do mundal de surfe pela mídia brasileira.
Clique aqui e confira a galeria de fotos completa do evento.
A próxima etapa do WCT será disputada em Tavarua, nas Ilhas Fiji. O Quiksilver Pro rola entre os próximos dias 25 de maio e 6 de junho, com distribuição de US$ 250 mil em prêmios.

Resultados do Billabong Pro Teahupoo 2003
1 Kelly Slater (EUA)
2 Taj Burrow (Aus)
3 Danilo Costa (Bra)
3 Beau Emerton (Aus)
5 Kalani Robb (Haw)
5 Cory Lopez (EUA)
5 Shane Dorian (Haw)
5 Kieren Perrow (Aus)
9 CJ Hobgood (EUA)
9 Damien Hobgood (EUA)
9 Luke Egan (Aus)
9 Andy Irons (Haw)
9 Conan Hayes (Haw)
9 Nathan Hedge (Aus)
9 Michael Lowe (Aus)
9 Peterson Rosa (Bra)
17 Paulo Moura (Bra)
17 Flávio Padaratz (Bra)
33 Victor Ribas (Bra)

33 Guilherme Herdy (Bra)
33 Armando Daltro (Bra)
33 Fábio Gouveia (Bra)
Semifinais
1 Kelly Slater (EUA) 19.43 x Danilo Costa (Bra) 17.67
2 Taj Burrow (Aus) 13.23 x Beau Emerton (Aus) 11.16
Quartas-de-final
1 Danilo Costa (Bra) 16.5 x. Kalani robb (Haw) 10.6
2 Kelly Slater (EUA) 18.2 x Cory Lopez (EUA) 18.0
3 Taj Burrow (Aus) 13.83 x. Shane Dorian (Haw) 10.84
4 Beau Emerton (Aus) 19.13 x Kieren Perrow (Aus) 16.67
Ranking WCT 2003 após 3 etapas
1 Andy Irons (Haw) – 2400
1 Kelly Slater (EUA) – 2400
3 Joel Parkinson (Aus) – 2244
3 Taj Burrow (Aus) – 2244
5 Mick Fanning (Aus) – 2232
6 Dean Morrison (Aus) – 2160
7 CJ Hobgood (EUA) – 2076
8 Kieren Perrow (Aus) – 2064
9 Mark Occhilupo (Aus) – 2052
10 Kalani Robb (Haw) – 1812
11 Cory Lopez (EUA) – 1212
11 Shea Lopez (EUA) – 1212
11 Shane Dorian (Haw) – 1212
14 Luke Egan (Aus) – 1680
14 Damien Hobgood (EUA) – 1680
16 Pat O’Connell (EUA) – 1644
20 Danilo Costa (Bra) – 1452
21 Paulo Moura (Bra) – 1440
23 Peterson Rosa (Bra) – 1368
27 Neco Padaratz (Bra) – 1332
28 Guilherme Herdy (Bra) – 1308
29 Flávio Padaratz (Bra) – 1248
29 Armando Daltro (Bra) – 1248
37 Fábio Gouveia (Bra) – 1056
37 Victor Ribas (Bra) – 1056