
O Brett Young Manta Pro, prova válida como a sexta e última etapa do Circuito Mundial Feminino, foi encerrado no último sábado (24/11), na praia de Woonona, Austrália.
As ondas atingiram no máximo 0,5 metro durante os três dias de competição. Um cllima tenso de decisão pairava no ar.
O evento contou com atletas de diversos países como Japão, Austrália, Porto Rico e Brasil.
A primeira fase da competição teve como destaque a japonesa Yuka Nishimura, de apenas 14 anos, que é a nova campeã mundial Amadora de 2002.
A australiana Mandy Zierem também mandou bem, além de Kira Lewellyn, uma das concorrentes ao título, que mesmo em condições ruins conseguiu executar um limpo ARS.
As semifinais foram realizadas em baterias mulher x mulher e as quatro atletas que tinham chances de conquistar o título: Neymara Carvalho, eu, Kira Lewellyn e Sthepanie.
A primeira semifinal, entre Kira e Neymara, foi emocionante. A capixaba começou a bateria com uma onda regular, 5.0. Kira escolheu ficar no pico das esquerdas, o que foi uma tática bastante corajosa e arriscada.
A australiana pegou sua primeira onda que valeu 5.5. Logo em seguida Neymara consegui sua melhor onda da bateria, 7.0, seguida de outra onda regular – essencial para sua vantagem.
Enquanto isso, Kira esperava impaciente no pico das esquerdas por uma onda um pouco melhor. Ela tentou virar a bateria quando foi para o mesmo pico em que Neymara já estava.

Mas era tarde. Neymara tinha a prioridade da bateria, deixando as coisas ainda mais difíceis para Kira.
Eu e Stephanie esperávamos impacientes o final da bateria. Se Kira perdesse, Stephanie ficaria com o título.
A ansiedade era tremenda, Stephanie gritava para que Neymara segurasse a prioridade e não deixasse ela pegar onda.
Por sua vez, Neymara competiu como uma verdadeira campeã e mostrou porque é considerada uma das melhores atletas do mundo.
A bateria terminou, e era a minha hora de entrar na água contra Stephanie.
As duas estavam surfando para vencer, mas estávamos ansiosas pelo resultado da bateria anterior.
Pettersen surfou a melhor onda do campeonato e tirou uma nota 8,0. Eu consegui 5,0, seguido de 7,0 e aguardando a terceira onda peguei a prioridade.
Foi meio caminho para ganhar a bateria e aí anunciaram o resultado da outra semifinal: Neymara foi a campeã e o título foi merecidamente para Stephanie.
Foi uma gritaria na água que eu não consigo nem explicar. Logo em seguida, Stephanie faz uma interferência em mim e na seqüência sai da água, pois tinha 10 ondas surfadas. Parabenizamos Stephanie, que estava amarradona.
A final foi verde-amarela. Stephanie já com o título nas mãos assistiu nossa bateria com a cara de felicidade de uma verdadeira campeã. Esse título mostra que mesmo competindo pela Austrália, a hegemonia das brasileiras segue intacta.
A final foi tão disputada que ninguém sabia dizer quem havia vencido. A emoção foi guardada para a festa de encerramento.
Na festa rolou um banquete completo para os convidados, entrega de prêmios e muita confraternização entre as atletas.

A organização chamou as finalistas e anunciaram a campeã.
Sem mais suspense, eu fui a vencedora. Fiquei muito feliz com a vitória. É sempre muito bom vencer, ainda mais num evento onde o nível das adversárias e tão alto.
Stephanie recebeu o troféu de campeã Mundial 2002. Em seu discurso anunciou sua possível aposentadoria no próximo ano e falou da sua determinação para ser campeã mundial neste ano.
Ela sofre com uma séria contusão no ombro – o que dificulta cada vez mais seu surf competição. Stephanie conseguiu arrancar uma determinação fora do comum para conquistar o tão sonhado título mundial.
Quero aproveitar a oportunidade para agredecer ao Derek Hulme, que ajudou todas as meninas que compareceram na etapa; Craig Hadden, que nos ouviu quando pedimos para chamar dois juízes internacionais para o evento; e Bruno Calheiros, pois colocou dinheiro do bolso para prestigiar a competição. Sem a ajuda dessas pessoas certamente o show não seria o mesmo.
Também agradeço a todas as atletas que proporcionaram o circuito mais disputado dos últimos tempos.
Confira abaixo o ranking final.
1 Stephanie Pettersen (Austrália) 3590 ptos
2 Karla Costa-Taylor (Brasil) 3580 ptos
2 Kira Llewellyn (Austrália) 3460 ptos
4 Neymara Carvalho (Brasil) 3450 ptos
5 Heloise Bourroux (Guad) 2740 ptos
6 Aoi Koike (Japão) 2390 ptos
7 Chigusa Nishiyama (Japão) 2130 ptos
8 Miku Nakamura (Japão) 2115 ptos
9 Mito Okawara (Japão) 2010 ptos
10 Natasha Sagardia (Porto Rico) 1960 ptos
11 Leila Alli (Brasil) 1955 ptos
12 Mikuni Kondo (Japão) 1940 ptos
13 Ayako Ide (Japão) 1810 ptos
14 Momoko Hasegawa (Japão) 1750 ptos
15 Yoko Nakano (Japão) 1710 ptos
25 Claudia Ferrari (Brasil) 1445 ptos
34 Lissandra Tutty (Brasil) 900 ptos
38 Lucia Araujo (Brasil) 850 ptos
59 Claudia Castello (Brasil) 555 ptos
60 Claudia Santos (Brasil) 500 ptos
79 Mayla Venturin (Brasil) 360 ptos
101 Sandra McCormick (Brasil) 280 ptos
Para obter mais informações, acesse o site www.karlacosta.com ou http://gobtour.com/pages/?pageID=1039&wordsID=620 .
A redação do Waves Bodyboard agradece a colaboração de Karla Costa-Taylor por ter enviado o texto com todas as informações sobre o evento.