Depois de tomar a decisão de última hora fomos para a Nicarágua e tivemos uma experiência incrível.
Fomos para o santuário do surf na Playa Santana e só chegamos ao pico depois de muito sacrifício, pois não há placa alguma na estrada sinalizando o local. Você tem que ir perguntando a cada trevo para os locais nicaragüenses e eles sempre dizem que há placas, mas não há nenhuma.
Enfim chegamos ao local e fomos muito bem recebidos pelos responsáveis pela pousada.
Na barca estavam minha esposa Adriana, meu filho de 5 anos de idade José Guilherme e eu, que sou shaper e propietário das pranchas Straight Up, de São Paulo.
Lá conhecemos um povo muito agradável, totalmente ?cool? e ondas de sonhos praticamente solitárias, com poucos surfistas (devido ao início do inverno ? com temperatura mínima anual de 28 graus).
Até então estava surfando todos os dias pela madrugada nas ondas magníficas de Popoyo, Colorado e Santana, pois costumo acordar muito cedo mesmo aqui no Brasil para surfar desde que comecei neste nosso maravilhoso esporte em 1962.
De repente, depois de seis dias o tempo fechou e começou a chover sem parar. Ventos com mais de 80 km/h deixaram a região com os rios transbordados e sem energia elétrica.
Por incrível que pareça nosso carro era 4×2 e não era ideal para o local onde as estradas são de terra batida com pedras e só circulam pick-ups 4×4. Mas como chegamos à Manágua e a locadora nos indicou este tipo de veículo, confiamos e fomos em frente, enganados.
No momento em que o país foi atingido pela tempestade Alma e interditou as estradas e inclusive derrubou um avião cheio de diplomatas em Honduras, tive que retirar minha família do Santuário por motivo de segurança, pois a coisa estava ficando feia de mais em toda Nicarágua.
Esperei os rios abaixarem por duas horas e procurei um local mais seguro em Manágua, aproximadamente duas horas de carro do local que estávamos.
Por dois dias ficamos hospedados em um hotel na capital até que a tempestade fosse embora e então fomos para San Juan Del Sur, uma cidade paradisíaca com belas praias e altas ondas.
As praias cheias de gringos e locais é bem interessante e também são difíceis de achar devido à falta de placas indicativas. Mas graças ao meu ?espanglês?, parava os locais na estrada para perguntar o caminho e acabei por conhecer pessoas muito simples e educadas.
O país é tudo que qualquer surfista quer: água quente, clima agradável, ondas incríveis e tubos secos, praticamente todos os dias.
Neste processo ficamos por 15 dias maravilhosos e cheios de ondas. Passeios, comida excelente ? gallo pinto (espécie de feijão tropeiro) e praias lindas, praticamente sem ninguém. Lugar tranqüilo, muito bom mesmo.
Agradeço a Deus por mais esta oportunidade de conhecer um lugar nota mil, que apesar da simplicidade fará com que voltaremos mais vezes.