Estudante do surf

Jordana, aluna aplicada

Jordana Martins é a atual campeã do circuito PUC Surf 2007. Foto: Felipe de Castro.

A história se repete desde os primórdios do surfe no triângulo polinésio. O olhar inquieto na areia, a vontade de deixar de lado o estereótipo de mulher frágil e, claro, muita atitude!

 

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Chamadas de wahines no Hawaii, elas enfrentam até hoje o preconceito dentro d’água, mas não se deixam intimidar. Por aqui, a trajetória das surfistas não foi diferente: de Fernanda Guerra a Silvana Lima, muita água foi jorrada pra cima e muitas barreiras foram quebradas.

 

A jovem Jordana Martins é mais uma prova de alma dessa continuidade, estampada na rotina do free surf dia-a-dia no Rio de Janeiro.

 

Jordana em ação na Barra da Tijuca (RJ). Foto: Mariana Boghossian.

Campeã do circuito PUC Surf 2007 logo em sua temporada de estréia no evento, a carioca da Barra da Tijuca não dispensa uma boa caída nas ondas que quebram no quintal de casa.

 

Acorda cedo, enche a sobrancelha de sal e só sai do mar na hora de correr para assistir às aulas de Desenho Industrial na PUC, curso que freqüenta desde o início do ano.

 

Depois, fim de tarde dentro d’água de novo! ?Comecei a surfar aos 14 anos, e não tive nenhuma influência, foi por conta própria. Desde pequena, ia à praia e sempre ficava amarradona na areia vendo a galera surfar. O problema era meu pai, que achava muito perigoso, mas eu insisti tanto que ele finalmente me liberou!?, comemora Jordana.
 
A oportunidade de testar suas habilidades nas primeiras competições surgiu pouco depois, quando a surfista tinha 15 anos e encarou eventos amadores na Barra. Mas o resultado só apareceu agora, nos campeonatos da PUC.

 

Com 20 anos, Jordana Martins levou para casa o troféu de melhor do ano em uma temporada bastante disputada entre as meninas, com nomes como Marianne Kerr e Isabela Lima dificultando a classificação nas baterias.

 

?O PUC Surf abriu suas portas para qualquer estudante de fora da universidade poder competir na categoria feminina, e a mulherada compareceu em peso ao evento. Mas a vitória da Jordana é bastante significativa, já que ela é uma das poucas que estava defendendo a bandeira da PUC?, comenta Guilherme Braga, organizador do campeonato que já se tornou tradicional entre os surfistas da Universidade Católica do Rio.

 

A grande campeã de 2007 não segurou a emoção de subir ao lugar mais alto do pódio. ?Fiquei amarradona de ganhar o título este ano, representando a galera nova, ainda mais agora que a categoria feminina chegou surpreendendo e até ultrapassou o número de inscritos do masculino na última etapa. O PUC Surf reúne toda a comunidade do surfe da faculdade, que eu estou tendo a chance de conhecer agora de uma forma bem descontraída, na praia. Isso faz com que o campeonato seja uma grande confraternização, ao mesmo tempo em que incentiva o esporte, uma idéia que deveria ser seguida por outras instituições de ensino por aí?.

 

Fã de Kelly Slater e Silvana Lima, dois exemplos quase unânimes entre a galera fissurada pelas ondas, a estudante de Desenho Industrial acredita que o primeiro título mundial do Brasil no grupo de elite será de uma mulher. ?A Silvana tem um surfe muito expressivo, tenho certeza que ela vai trazer o caneco da ASP pra cá logo!?, torce a surfista.

 

Jordana faz parte da comunidade barrense que ficou órfã das ladeiras salgadas do Píer da Barra, desmontado recentemente, acabando com as boas condições do local. ?Rolavam altas ondas por aqui, a galera ficou muito triste?. Free surfer de alma, ela investe na evolução do seu surfe caindo em qualquer condição de mar, e o sorriso no rosto não nega a paixão pelo esporte.

 

As competições não são uma prioridade na sua rotina, mas a universitária não descarta a possibilidade de vestir a lycra de um campeonato novamente: ?Tô deixando rolar?. O legado das wahines agradece a dedicação.

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