Depois de começar o ano de 2010 em solo africano, voltamos ao Brasil e à Inglaterra – nossas bases de origem – para planejar os próximos passos no socorro ao grave problema social que aflige as crianças no Sul da Nigéria, além de outros países da África Central.
Lá, uma falsificação de “cristianismo” tem asseverado que os pequeninos podem ser bruxos, feiticeiros e causadores de males às suas famílias e vilarejos.
Para isso, basta que algum clérigo mal intencionado “revele”, como se fosse um oráculo, que a criança está possuída do espírito de bruxaria e, por isso, seus pais não prosperam, seus irmãos menores têm enfermidades, entre outras coisas.
Para socorrer pais desesperados com esta trágica notícia, as “igrejas” cobram pelo exorcismo proposto: um extravagante sistema de internação de criancinhas dentro de casebres e quartos isolados.
Nós mesmos testemunhamos jovenzinhos que são amarrados à cama, sacerdotes que pingam sangue em seus ouvidos e olhos e orações feitas com elementos fetichistas adicionais com muita violência física e emocional. Mais nefasto ainda do que o exorcismo, é o destino dos pequeninos que os pais não têm dinheiro para pagar pela “libertação”!
Estas crianças são expulsas de casa e perambulam pelas ruas. São agredidas enquanto dormem, violentadas, espancadas, queimadas vivas ou mantidas amarradas a arvores até que venham a morrer. Tudo porque julgam que tais inocentes carregam uma capacidade de enfeitiçar a vida daqueles com quem com eles cruzam. De 2007 para cá, essa onda já arrastou mais de cinco mil vítimas.
Nós conhecemos estes meninos e meninas estigmatizadas. Abraçamos, beijamos, choramos, rimos e surfamos com centenas delas!
Têm cicatrizes por todo o corpo: das navalhas que lhes passaram, dos braços que lhes quebraram, dos pregos com as quais furaram seus crânios, do ácido, do óleo ou da água quente sobre eles derramados na intenção macabra de livrar-lhes das possessões que a falsa “igreja” alardeia que eles possuem, até por meio de filmes e livros vendidos até nas esquinas e nos camelôs.
Creiam: visitamos o inferno! E decidimos que só sairemos de lá quando trouxer junto os pequeninos de Deus!
Conseguimos salvar algumas crianças. Podemos salvar muito mais. Vamos continuar nosso trabalho de denúncia deste comércio de alminhas humanas; de esclarecimento de centenas de pais e mães; de prevenção ou recuperação da bruxificação infantil; e de ocupação educacional e esportiva dos pequenos afetados, que vivem feito zumbis inanimados.
O dia que vimos alguns deles de pé sobre uma prancha no mar, nós mesmos surfamos na ideia, e abraçamos o impossível; pois o simples sorriso de prazer em seus rostinhos vencedores das ondas da vida, já nos valeu o próprio existir! Pois nos demos conta que a rotina esportiva pode vitalizar a vidinha de quem vive feito múmia infantil.
O mar na Nigéria precisa ser desvirginado e essa onda de falsificação da fé também precisa ser enfrentada! Então, voltaremos à África Ocidental para realizar a segunda etapa da missão: ter uma casa de recolhimento, com uma estrutura de educação e esportes.
E é nessa intenção que convidamos todos à parceria! Não ganhamos nada com isso; mas por outro lado, nada vale tudo isso que ganhamos!
Jojó de Olivença deseja voltar para África e continuar a missão, mas precisa de ajuda para realizar este trabalho tão importante. O valor para completar a viagem é US$ 2 mil
Para obter mais informações de como ajudar, entre em contato pelos telefones (0xx13) 3017-2424 / (0xx13) 8115-7902 ou acesse o site Projeto Ondas.
Colaboraram Marcelo Quintela e Monica Rentroia
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