Jihad Khodr assina com Quiksilver International

A vitória do paranaense Jihad Khodr no Reef Classic, terceira etapa do Circuito Mundial WQS, era o resultado que faltava para concretização de um grande negócio que promete alavancar de vez a carreira do atleta.

 

Nesta semana ele assina contrato com a Quiksilver International. O contrato é marcante no surfe brasileiro, pois Jihad não faz parte da elite mundial, o WCT, uma das promessas que brigam no WQS para chegar à divisão principal.

Vários atletas brasileiros que chegaram ao WCT, como Danilo Costa, Rodrigo
Dornelles e Raoni Monteiro, automaticamente entraram para os times internacionais.

 

O caso de Jihad é diferente e promissor. O quinto lugar na final do Mundial Pro Junior já era um bom indício. Ele não chegou ao pódio por uma diferença de 0.10, mas terminou o evento como melhor colocado entre os atletas da Quiksilver pelo mundo.

 

No Brasil, a empresa passa por uma fase de reestruturação e não foi possível renovar um terceiro ano de contrato. Jihad então procurou a Quiksilver nos EUA e na Europa.

 

No primeiro dia de janeiro recebeu a excelente notícia: uma proposta de contrato de dois anos, com salário em dólar, suficiente para a disputa de todas as principais etapas do WQS e bônus por resultados ao final do ano.

“Era o que eu estava precisando para ter tranquilidade e seguir buscando meu objetivo maior, que é uma vaga no WCT”, disse ontem Jihad, após conquistar o título em Torres.

“Este ano o caléndário prevê dez etapas 6 estrelas e várias outras de 4 a 5. Será um circuito caro e longo. Vou passar mais da metade do ano fora do Brasil”, prevê.

 

Jihad teve profissionalização muito precoce. Assim como foi praticamente a sua vida no esporte. Aos 14 anos já viajava sozinho para o Hawaii, numa época em que nenhum garoto de 14 anos ia para a meca do surf.

 

“Peterson Risa é o responsável por tudo, pelos resultados que eu tenho hoje e por
ter me dado a base necessária”, explica. Aos 15 Jihad já arrebentava em campeonatos na Austrália e também no Hawaii, mas a profissionalização começou aos 17 anos.

 

“Foi o meu empresário que me obrigou”, diz, dando risada ao recordar. “Eu tinha me afundado em 2000. Foi meu pior ano como amador. Perdi a vaga para o Mundial Amador, venci uma etapa do Brasileiro Amador mas não levei o título, e, quando chegou dezembro, resolvi mudar de empresário”.

Antes, eu já tinha tido problemas com um empresário do Peterson que
acabou causando a nossa separação – hoje, tudo resolvido. Foi quando procurei o Rodrigo Tusca, que já cuidava da Bruna e do Juninho. Ele topou trabalhar comigo, mas
com a condição de eu me profissionalizar. Não botei muita fé que já dava para correr os campeonatos profissionais, mas fui embora”, comenta.

 

Títulos

 

Em 2001 Jihad terminou o Super Trials em quarto lugar e conseguiu a vaga para o Super Surf. Em 2002 venceu um dos eventos do Super Surf, disputado na Joaquina, e tornou-se o surfista mais novo a vencer uma etapa do brasileiro profissional.

 

Logo em seguida veio o título sul-americano Pro Junior. Depois, ele entrou numa fase péssima. O ano de 2003 não rendeu nenhum resultado expressivo. No Super Surf, ele caiu do grupo dos Top 16 para os Back 14.

 

No WQS terminou o ano em 69º lugar. Mas ainda conseguiu fazer o nome em algumas etapas importantes. “Vencer o Rob Machado em duas baterias, em pleno US Open, na Califórnia, onde ele é ídolo, e chegar ao evento principal no Hawaii foi o que rolou de mais legal num ano fraco”, lembra o surfista muçulmano, e que hoje colhe os frutos de outro crescimento.

Se 2003 não foi um bom ano nas competições, foi excelente pelo crescimento pessoal. “Hoje estou mais maduro, e sei onde estão os meus pontos fracos e em que preciso evoluir”, garante.

 

Com um surf moderno e com um ótimo relacionamento com a imprensa internacional, juízes do mundial e vários atletas do tour, Jihad é hoje um nome conhecido em vários continentes.

 

Ele é um dos poucos brasileiros no rip que fala inglês fluente. “Aprendi mesmo na garra. Nunca estudei, mas como viajo desde os 14 anos, fui dando um jeito de aprender”, revela Jihad, cujo nome em árabe significa “o guerreiro”.

 

2004 promete ser o ano deste surfista de nome incomum, de origem libanesa, cria do único tri-campeão brasileiro, Peterson Rosa, que desvia dos americanos para não ser mais barrado na imigração e que sonha ser o novo integrante da elite mundial.

 

“Se o ano continuar no ritmo que começou, vai ser o ano mais feliz da minha vida”, sonha o atleta. Pode sonhar!

 

 

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