No último domingo (14/10), o paranaense Jihad Khodr foi sorteado para participar do exame antidoping na quinta e última etapa da elite nacional, disputada na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ).
Porém, o bicampeão brasileiro não compareceu ao exame no palanque e pode ser punido pela Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp).
Arrependidos, Jihad e seu manager Rodrigo Tusca enviaram uma carta à entidade alegando o motivo pelo qual o paranaense evitou o antidoping na Barra da Tijuca.
O atleta sofre de transtorno bipolar, doença caracterizada pela alternância de humor; ora ocorrem episódios de euforia, ora de depressão, com períodos intercalados de normalidade.
O tratamento de Jihad é feito a base de remédios antidepressivos receitados por seu psiquiatra. Porém, ele não possui uma Isenção para Uso Terapêutico (IUT) devidamente registrada e aprovada pela Abrasp, Confederação Brasileira de Surf (CBS), International Surfing Association (ISA) ou Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
O manager Rodrigo Tusca revela que, ao saber que Jihad fora sorteado, imediatamente entrou em contato com várias pessoas experientes no assunto.
“Sabia que o medicamento do Jihad era muito forte, mas não esperávamos que ele fosse sorteado para o antidoping e nem levamos as receitas. O que me passaram foi que se ele não fizesse o exame, receberia uma punição de três meses em eventos da Abrasp e mais multa de R$ 1 mil em dinheiro”, alega Tusca.
“Jihad estava disposto a ir ao antidoping, mas infelizmente confiei nessas pessoas e optamos por tentar evitar uma suposta punição maior, o que aconteceria caso o medicamento dele fosse constatado no exame”, continua o manager.
Quando ficou sabendo que o atleta que se recusa a fazer o exame recebe punição idêntica a do competidor flagrado no antidoping, já era tarde.
Na carta enviada à Abrasp, Jihad e Tusca pedem desculpas e solicitam a realização de um novo exame o quanto antes, desta vez com toda documentação em dia.
Marcelo Andrade, diretor-executivo da Abrasp, encaminhou o pedido de Jihad Khodr ao conselho executivo da entidade, setor responsável por todas as normas e decisões da associação.
De acordo com Andrade, o conselho aprovou a realização de um novo exame. Porém, com todas as despesas bancadas pelo atleta.
O exame deve ser realizado nesta quarta-feira, em Itajaí (SC), palco do Maresia Surf International, etapa de nível 6 estrelas do WQS.
No caso de haver alguma substância proibida no laudo, exceto medicamentos divulgados pelo atleta, Jihad pode até perder o título nacional para o paulista Renato Galvão, vice-líder do ranking.
A multa é mais amena em casos de THC (maconha): R$ 5 mil e suspensão mínima de um mês em competições promovidas pela Abrasp.
Por enquanto, Jihad cumpre suspensão preventiva de um mês. O prêmio de R$ 5 mil pela terceira posição na prova foi retido pela entidade.
O livro de regras da Abrasp determina que o atleta flagrado no exame antidoping está sujeito a punições como perda de pontos, perda de premiação, suspensão pelo prazo de até dois anos, multa, desfiliação e exclusão do circuito.
O caso está sendo estudado pela entidade e todas as decisões serão tomadas pelo conselho executivo. O exame antidoping é realizado sempre na última etapa do circuito brasileiro. O sorteio ocorre ao término das quartas-de-final e aponta um semifinalista masculino e uma semifinalista na categoria feminina.
