O paranaense Jihad Khodr acaba de sagrar-se campeão brasileiro na quinta e decisiva etapa do SuperSurf 2006, que rola na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ).

 

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Jihad estreou na oitava bateria e derrotou o niteroiense Bruno Santos. Em um duelo de poucas ondas, o paranaense teve sorte ao aparecer uma boa direita no início da disputa para descolar nota 7.67.

 

Depois, em uma esquerda, descolou 8.17 para somar 15.84 pontos, contra 11.60 do adversário, e mostrou paciência e concentração para administrar o resultado.

 

Bruninho vinha de duas belas vitórias nas fases anteriores, mas não conseguiu barrar o determinado paranaense.

 

?O Bruno remou na minha primeira onda, mas não conseguiu entrar. Sobrou para mim, que estava um pouco mais embaixo. Era uma direita do jeito que eu gosto. Consegui uma nota alta e depois só administrei o resultado?, conta.

 

Ao sair da água, Jihad comemorou a boa estréia e afirmou que não torceria contra Odirlei Coutinho, três vezes vice-campeão brasileiro e único atleta com chances de estragar a festa do paranaense.

 

“Prefiro ganhar pelos meus próprios méritos, com meu surf dentro da água. Vou com tudo em busca do sonho de ser campeão brasileiro”, diz Jihad.

 

No entanto, a bateria seguinte foi decisiva com Coutinho escalado para enfrentar Edvan Silva. No entanto, tudo conspirou a favor do paranaense. O cearense Edvan Silva, que ainda não havia vencido nenhuma bateria no circuito, surpreendeu e levou a melhor nas valas, acabando com as chances de Coutinho.

 

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Enquanto a briga entre Coutinho e Silva rolava dentro da água, calmamente, Jihad permaneceu na área do evento assistindo ao confronto. Nos instantes finais, a imprensa cercou o paranaense em busca das primeiras fotos e declarações do atleta como campeão brasileiro.

 

Jihad viveu uma situação parecida com a do heptacampeão mundial Kelly Slater, que no ano passado foi cercado pelos jornalistas nos minutos finais da bateria de Andy Irons, em Imbituba (SC), pois se Irons perdesse ele conquistaria o hepta.

 

Quando a buzina tocou e o locutor anunciou a vitória de Edvan Silva, o paranaense comemorou

muito ao lado do manager Rodrigo Tusca.

 

?A ficha não caiu ainda, mas é um título que eu sempre sonhei. Este título é para o meu pai, que sempre me pediu. Este é o quarto título do Paraná e de Matinhos, que com certeza está em festa”, comemora o competidor.

 

A conquista foi um prêmio para o atleta, que no

ano passado ficou de fora do WCT por apenas uma vaga, na última bateria da temporada em Sunset Beach, Hawaii.

 

“Neste ano fui recompensado. A parte ruim do ano passado foi o fato de não entrar para o WCT. Também era um um sonho ser campeão brasileiro e consegui realizar este desejo que carrego desde criança”, comenta o atleta, que ganhou um Volkswagen Cross Fox. “Eu não tinha carro e agora vou poder dar um rolê em Matinhos”, brinca amarradão.

 

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Porém, o objetivo de chegar ao WCT permanece e ele partirá com tudo em busca de mais este sonho ainda neste ano.

 

“Se conseguir bons resultados nas últimas etapas, consigo a vaga. Estou focado. A batalha aqui já acabou, mas ainda tenho o objetivo de entrar para a elite mundial. Enquanto tiver chance, vou lutar até o fim?, afirma Jihad.

 

A regularidade foi fundamental para o paranaense garantir a liderança no ranking -chegando à três finais. Na primeira etapa, realizada na Ferrugem (SC), Khodr ficou em segundo, atrás do cearense Claudemir Lima.

 

Em Maresias, São Sebastião (SP), o paranaense derrotou o bicampeão brasileiro Léo Neves numa bateria disputadíssima. Em seguida, na praia de Itamambuca, Ubatuba (SP), o local Odirlei Coutinho levou a melhor e Khodr ficou com a segunda posição.

 

Na quarta etapa, em Itacaré (BA), Jihad poderia ter garantido o título, porém foi barrado pelo cearense André Silva nas oitavas e a decisão veio para o Rio de Janeiro.

 

Apesar de já ter conquistado a título nacional, o atleta ainda cai na água neste sábado contra o niteroiense Guilherme Herdy na quarta bateria das oitavas-de-final.

 

De origem libanesa, Jihad Sleiman Kohdr Chiah nasceu em 30 de dezembro de 1983 em Matinhos (PR), começou a surfar em 1990. No início da carreira, seu principal incentivador foi o tricampeão brasileiro Peterson Rosa, também de Matinhos.

 

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