
Eu e Danilo (Couto) conhecemos Jeff Timpone através de Alfredo Villas Boas e Yuri Soledade no inverno passado, pois não tínhamos pranchas boas para surfar Jaws e eles já surfavam bem com as pranchas dele.
Sempre tranqüilo, Timpone falava com segurança sobre a qualidade de suas pranchas. Deixamos com ele um bloco que compramos em Oahu e ficamos de arrumar a grana para o shape e laminação.
Para nossa sorte, naquela semana deu uma das maiores ventanias em Maui, derrubando várias árvores pela ilha e logo soubemos por Alfredo que tínhamos uma missão.

Uma arvore enorme caíra no quintal da casa do Timpone e ele precisava de alguém para cortar e tira-la de lá.
Fomos até a cidade, alugamos uma moto-serra para cortar a árvore em pequenos pedaços e colocá-la na picape. Foram dois dias de muito suor e cansaço, mas nos salvou a grana que iríamos pagar pela prancha.
Cheguei a usar a prancha num dia pequeno e percebi que era mágica. No dia grande, Danilo começou surfando com ela e segundo ele foi a melhor prancha que já surfou em Jaws.
Mas, infelizmente em sua última e melhor onda ele perdeu a prancha, que desapareceu nas pedras e eu não pude nem testá-la.
Jeff Timpone foi um dos pioneiros, junto com Dave Kalama e Laird Hamilton, a participar do desenvolvimento do tow-in. Criou uma nova e moderna linha de shape, especial para Jaws.
Este ano vários surfistas brasileiros estavam usando ou fizeram uma prancha com o shaper Timpone para testar. Entre eles Carlos Burle, Eraldo Gueiros, Sylvio Mancusi, Jorge Pacelli, Romeo Bruno, Pato, Yuri Soledade, Danilo Couto e eu.
Durante uma visita a seu shape-room, ele nos concedeu a seguinte entrevista.
Danilo – Como foi seu início no surf e no shape e como veio parar em Maui?
Timpone – Comecei no surf em 1963, em Huntington Beach, Califórnia, e uns dois anos depois já estava envolvido com quilhas, porque as pranchas eram muito longas e difíceis de manobrar. Em 1968 fui morar em Oahu e fazia minhas próprias pranchas, pois encomendar era muito caro. Depois comecei a trabalhar em uma indústria na Califórnia e ficava viajando muito entre lá e o Hawaii. Em 1986 eu vim para Maui, comecei a fabricar pranchas de windsurf e me toquei que poderia viver aqui.
Danilo – Quando começou a fazer pranchas de tow-in e a trabalhar com Dave Kalama?
Timpone – Acho que eu tive uma mente aberta, pois muitos surfistas queriam colocar alças na prancha e a maioria dos shapers da época não queria fazer isso. Eu encarei como um desafio, fazer algo novo. Isso foi mais ou menos em 93, na época eu estava fazendo quase todas as pranchas para os caras do tow- in. Antes de praticar o tow-in, eles surfavam com pranchas com alças na remada, depois sendo puxado por zodiacs (bote a motor) e até que evoluiu para o jet-ski em Jaws. E agora tem centenas de pessoas fazendo tow-in.
##

Danilo – A maioria das pessoas não sabe, mas você teve uma grande importância no tow-in e com suas pranchas foram surfadas as maiores ondas, os maiores tubos. Qual a evolução que você vê no futuro para o surf e para o tow-in?
Timpone – Bem, é um prazer fazer pranchas para as pessoas surfarem as maiores ondas do mundo. Eu me sinto muito seguro quanto às pranchas que faço, pois já tenho muita experiência shapeando pranchas de surf e de tow-in.
Nesta hora Dave Kalama aparece.
Timpone – É tudo culpa dele!
Dave percebe que é uma entrevista e vai saindo de mansinho, mas Timpone pergunta:

“Você já está indo?”. Ele volta meio sem jeito e Danilo já pergunta logo se pode fazer algumas perguntas pra ele também.
Danilo – O esporte está crescendo e existem muitas pessoas envolvidas, a preocupação no momento é com a segurança. O que você tem a dizer sobre isso? Muitas pessoas vão te ouvir, pois você é o cara certo para falar sobre isso e vai servir como aviso.
Kalama – Eu acho que vai começar a ser como é no surf. Alguns caras vão pegar mais ondas, mas se você quer pegar onda, não só terá que mostrar respeito como também que é capaz de surfar a onda, pois a maioria dos surfistas que eu conheço não gosta de dar uma onda boa para uma pessoa que não é capaz de surfar direito. Eu acho que as pessoas que estão começando vão pegar menos onda do que os que estão fazendo isso por mais tempo. Uma outra coisa que eu acho que vai fazer o esporte mais seguro é quando o piloto do jet não acompanhar o surfista logo atrás da onda, pois é um lugar perfeito para uma colisão. Se uma outra dupla estiver voltando para o outside, não conseguirá ver o jet-ski atrás da onda e eu já vi isso acontecer muito (no último swell, Buzzy Kerbox atropelou Kaleo Robinson). Uma outra coisa que eu queria dizer é?Isso é para o Brasil, né? Para falar a verdade quando eu comecei a ver todos esses brasileiros, pensei: Ah, não! Não como o North Shore (Oahu). Mas aqui já tem um grupo grande de brasileiros e eu estou surpreso, pois vocês são os mais legais, educados e que mais respeitam. Acho que se todo mundo agir dessa maneira o crowd fica até suportável.
Danilo – Como você se sente sendo um dos pioneiros na evolução do tow-in estudando e testando pranchas, gastando tempo e dinheiro e agora várias pessoas estão surfando com o melhor equipamento, que vocês desenvolveram?
Kalama – É um pouco frustrante ver as pessoas começarem a fazer tow-in sem saber o quanto nós gastamos de trabalho, dinheiro, tempo e muitos erros para chegarmos aonde estamos e ver muitos surfistas se beneficiando. Tivemos que criar uma prancha especialmente para Jaws, que hoje qualquer um pode encomendar, mas isso faz parte da evolução. Estamos sempre querendo melhorar as pranchas e, por isso, às vezes nós não colocamos nosso melhor shape à disposição na mesma temporada, para tentar ficar um pouco à frente dos outros.
Danilo – É um grande privilégio para nós começar a fazer tow-in depois de vocês terem desenvolvido todo essa nova linha de surf. Obrigado Timpone e a você Dave.
Para entrar em contato com Jeff Timpone envie fax para (808) 575-9683.