Hawaii no foco

Jean chega embalado

Jean da Silva chega motivado ao Hawaii. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Depois de vencer uma etapa de nível 6 estrelas em Carcavelos, Portugal, o catarinense Jean da Silva chega ao Hawaii disposto a manter o ritmo e arrebentar nas últimas provas do WQS.

 

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O catarinense está escalado na segunda fase e entra em ação na 14a bateria. Ele e o sul-africano Damien Fahrenfort aguardam dois classificados da rodada anterior.

 

Em entrevista concedida a Bruno Lemos, correspondente do Waves no Hawaii, Jean da Silva comenta a vitória em Portugal, a contusão no quadril sofrida em 2007 e os planos para o futuro.

 

Por que optou competir no 6 estrelas de Portugal em vez da etapa em Ubatuba?

Jean durante vitória em Portugal. Foto: Arquivo pessoal Jean.

Este ano procurei competir em novos eventos. Como não havia muitos campeonatos diferentes no calendário da ASP, esse era o único que eu teria a oportunidade de surfar em um novo local com uma onda diferente, então optei por não competir no Onbongo, etapa na qual já havia competido por muitos anos em minha carreira.

Como foi vencer um evento desse calibre na Europa? Você esperava por isso? 

 

Foi muito bom ter vencido um evento de 6 estrelas, melhor ainda porque muitos integrantes do World Tour estavam no mesmo evento. Na semana do campeonato eu estava muito à vontade, focado e mais do que determinado. Sabia que poderia vencer a etapa!

Durante minha estadia em Cascais, o Nathan Hedge (companheiro de Jean na Rip Curl) vinha em meu quarto para trocar umas idéias e me disse pressentia que algo de bom iria acontecer nesse evento. Infelizmente o Nathan perdeu e decidiu ir de volta a Austrália. Quando ele checou a internet e viu o resultado, me enviou um e-mail dizendo que estava certo do que estava sentindo a meu respeito e ficou super feliz por mim.

 

Qual foi a bateria mais difícil e o momento mais emocionante do campeonato?

 

A bateria mais difícil foi contra o Tiago Pires, local e maior ídolo na história do surf de Portugal. Então, era Portugal inteiro torcendo por ele, enquanto apenas o Júlio, Tinguinha Lima e Pequel estavam na torcida por mim. Praticamente o Maracanã contra os juízes, foi uma bateria boa.

Agora, o momento mais emocionante foi quando eu tentei pegar minha primeira onda na final contra o americano Gabe Kling. Remei para a onda e, no momento em que fui dropar, veio uma onda de encontro (backwash) e me jogou para o alto.

 

Quando eu tentei puxar minha prancha para perto de mim, notei que minha cordinha havia estourado! Tive que nadar até a beira da praia, pegar minha prancha, trocar a cordinha e voltar remando para o outside, onde as condições estavam difíceis, com ondas de 2 a 2,5 metros na praia do Guincho (praia de segunda opção do evento).

 

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Jean visita patrocinadores na Califórnia (EUA). Foto: Arquivo pessoal Jean.

Essa vitória é uma prova de que você está totalmente recuperado da lesão no quadril?  

Não digo que a vitória prova algo para mim. Pode provar algo para os outros que precisam ver resultados para dizer que agora estou totalmente recuperado. Vejo a vitória com outros olhos, ano passado eu quase me qualifiquei para o World Tour, mas na reta final apareceu essa lesão, impedindo que eu pudesse finalizar o ano com as competições e tentar a minha vaga na elite mundial.

Essa vitória significa algo muito mais especial, pois não foi nada fácil me recuperar dessa lesão. Na metade de setembro de 2007, consultei alguns médicos e todos me falaram que eu teria de passar por uma cirurgia e, quando eu ouvi isso, parecia que tudo tinha acabado, não tinha mais vontade de fazer nada em casa.

 

Catarinense curte surf noturno em Rocky Point. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Não conseguia sequer ir até a praia para ver meus amigos, pois não queria que me vissem naquele estado. Eu sentia tanta dor que fiquei praticamente um mês inteiro sem dormir, com insônia!

 

Chegou um momento em que a dor era tão intensa que fiquei três dias internado no Hospital Dona Helena, em Joinville, com medicamentos na veia, e mesmo assim não conseguia dormir e muito menos relaxar. Foi então que meu amigo Davi de Jesus me indicou uma equipe que trabalha com Shiatsu, Reflexologia, Acupuntura e mais algumas técnicas japonesas.

 

Quando eu chego à grande Florianópolis para visitar a MI MA, na primeira sessão saí andando normalmente, pois eu já estava mancando havia algumas semanas por causa da dor. Depois da quarta sessão, a Mikiko (fundadora da MI MA) havia me liberado para surfar com cautela e foi isso que fiz até adquirir confiança com meu corpo novamente.

 

No passar do ano, tive que me adaptar às minhas pranchas e ao rítmo das competições novamente. Fiquei surpreso por ficar em segundo lugar na primeira etapa do SuperSurf, na praia da Joaquina, em Florianópolis. Isso já tinha me mostrado algo, porém eu ainda não estava satisfeito com meus equipamentos. A adaptação foi demorada, peguei peso (massa muscular) e as pranchas automaticamente tinham que ser modificadas de acordo com minha estrutura física.

 

Foi aí que eu conheci uma pessoa muito importante nessa trajetória para a minha grande vitória em Portugal, o shaper Thiago Bastos Cunha. Passamos um bom tempo na Europa durante as etapas do WQS de Lacanau e Hossegor. Ficamos amigos e, antes de ele voltar ao Brasil, encomendei uma prancha para quando eu voltasse de viagem direto para a última etapa do SuperSurf, na Barra da Tijuca (RJ). A pranchinha ficou alucinante, muito fácil de surfar, e trouxe ela comigo para as etapas de Lanzarote (Ilhas Canárias) e Cascais, em Portugal. Competi com ela até as quartas-de-final, até mudar para uma 6’2 shapeada pelo francês Arnold, com a qual venci a etapa!

Para onde você foi depois de Portugal, antes de vir ao Hawaii? 

Fui direto para a Califórnia, na casa do Marcelo Araújo, onde passei a maior parte do tempo treinando e visitando meus patrocinadores (Rip Curl, Globe e Arnette). Foi muito bom ter ficado lá, pois logo que cheguei em Huntington Beach, conheci o Timmy Turner (lenda viva do surf) no Sugar Shack Cafe, o Xanadu (shaper brasileiro que vive muitos anos nos EUA), com o qual encomendei minhas pranchas para o Hawaii, e o Raul, da Keahana. Melhor ainda: fechei dois novos patrocínios, a Futures Fins, por intermédio do team manager Tim Miliken, e Keahana, por intermédio do proprietário Raul.

 

Qual a sua expectativa para a Triplíce Coroa no Hawaii?

As expectativas são boas. Cheguei na segunda-feira (10/11) pela manhã ao Hawaii e estou treinando forte para conseguir um bom resultado.


E os planos para o futuro? 

Continuar competindo no WQS para conseguir uma vaga no World Tour. Estou com alguns projetos, como lançar um filme, fazer matérias de surf pelo mundo e algumas surf trips para aprimorar meu surf, que sei que tenho que evoluir e muito.
 
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Agradeço o espaço cedido pelo site Waves. Muita saúde, boas ondas e desejo desde já um Feliz Natal e próspero ano novo para todos!!!!!!


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