Os surfistas locais de Maui, Hawaii, tentam se unir para criar algumas regras para a prática do tow-in em Jaws.
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O objetivo é tentar diminuir o crowd, o risco de acidentes e principalmente a invasão de surfistas sem experiência alguma no pico.
Nesta entrevista, o salva-vidas e big rider Alfredo Villas-Boas, baiano radicado há 20 anos no Hawaii, comenta o que rola no pico.
Fale um pouco sobre você. O que tem feito
nestes últimos anos no Hawaii?
Tenho 40 anos e sou soteropolitano. Aos 10 anos, meu irmão Mario me empurrou na primeira onda da minha vida.
Saí da Bahia em 1987 em busca de ondas grandes e consegui encontrá-las em Maui. Trabalho na praia de Hookipa, onde sou salva-vidas há 10 anos.
O que os locais de Maui pretendem fazer para melhorar as condições do crowd em Jaws?
O objetivo é aumentar a segurança e estabelecer a ordem dentro da água. Eles criarão regras como ordem de prioridade e bóias para determinar as áreas de embarcações para não atrapalhar os praticantes de tow-in.
Como surgiu este movimento e por que somente agora decidiram fazer alguma coisa?
Vários locais perceberam que estava ficando fora de controle e muitas vezes até perigoso devido ao crowd, que cresceu absurdamente nos últimos anos. Muitos surfistas se aventuram a surfar Jaws para conseguir fama instantânea.
As leis apóiam essa atitude dos locais ou será feito algo na marra?
Os responsáveis pelo Departament of Land and Natural Recorses (DLNR) e o Ocean Safety Officer, entidade que representa os salva-vidas de Maui, estão de acordo com o movimento. Em qualquer outro lugar do mundo, essa atitude seria chamada de localismo. Porém, a medida beneficiará não somente os locais, pois trará mais segurança aos freqüentadores desse lugar mágico.
Quem irá cuidar dessa segurança?
Principalmente os pioneiros de Jaws, o pessoal da segurança de água e a galera do Hookipa Grommets Association.
Pessoalmente, o que você acha da idéia?
Acho uma ótima idéia. Nos últimos anos o crowd desenfreado, principalmente de brasileiros, está fora do controle. Muitos atletas não mostram nenhuma etiqueta dando a volta em todos o tempo inteiro, descendo na frente de locais e criando uma situação inconveniente e de grande risco.
Como ficam os brasileiros que gostam de surfar essa onda?
Os poucos casca-grossas de verdade, que mostram educação e atitude dentro e fora d?água, continuarão a surfar. Mas, essa nova geração que vem aqui e não conhece ninguém, não tem técnica e está atrás apenas de aparecer na mídia, desrespeitando as pessoas e a energia do lugar, ficará de fora.
Nosso dever, dos brasileiros integrantes da comunidade de Maui, é evitar que esse tipo de coisa aconteça barrando o indivíduo para não queimar o filme dos brazucas que vivem por aqui.
Deixe uma mensagem para os surfistas que sonham surfar Jaws.
Treinem muito em outros lugares, pois Jaws é o ponto máximo do esporte. Só apareçam aqui quando estiverem com a técnica muito apurada e, principalmente com muita humildade e respeito com os locais e pelo lugar especial.
