O potiguar Jadson André foi motivo de muito orgulho para a torcida brasileira no Billabong World Junior Champioship, mundial para atletas de até 21 anos disputado em North Narrabeen, Austrália.
Com atuações sensacionais, Jadson chegou à decisão e perdeu o título para o havaiano Kai Barger numa bateria em que o flat tomou conta do outside nos 12 minutos finais.
Apesar da bela campanha, o potiguar lamenta a derrota e revela que seu foco estava 100% direcionado ao topo do pódio.
Em entrevista exclusiva, o autor da única nota 10 em Narrabeen fala sobre as atuações no Mundial e os planos para 2009.
Você ficou frustrado por chegar tão perto e perder justamente a última bateria?
Fiquei bastante chateado. Eu sei que o segundo lugar foi alucinante, qualquer um que perdeu queria ter ficado em segundo, como vários atletas vieram dizer “está muito bom, queria muito ter pelo menos o segundo”, mas é muito difícil chegar à final, sendo um dos melhores do evento, perder precisando de uma nota mais ou menos e ficar 12 minutos sem pegar onda tendo a prioridade. Eu queria vencer esse campeonato mais do que qualquer um, acho que eu fui um dos que mais lutou para conseguir a vaga para competir aqui, lutei muito durante todo o ano no circuito WQS. Vou tentar voltar aqui e vencer esse campeonato, e como vou querer vencer…
O que achou do título do Kai Barger? Foi uma surpresa?
Era o dia do Kai, tava tudo dando muito certo para ele, até na bateria final, que a prioridade era pra ser minha e os caras deram para ele. Ele olhou pra mim na água tipo assim “nossa que bom!”, como se estivesse agradecendo aos juízes, porque ele também sabia que era pra ser minha a prioridade, mas isso não afetou no resultado, porque quando ele pegou a onda, estava bem embaixo de mim. Eu não iria pegar a onda. Ele surfa muito, tem um surf muito forte, típico de um havaiano. Parabéns para ele!
Você era o cabeça-de-chave número 1 do campeonato, mas a imprensa internacional vinha dando mais destaque a Julian Wilson, Owen Wright e Tamaroa McComb. O que achou disso?
Ainda bem que no começo do campeonato ninguém caiu para cima de mim em relaçåo a ser cabeça-de-chave número 1 do evento. Achei isso muito bom, tipo eles colocam toda pressão no Julian Wilson, no Owen, no Dusty Payne, Stuart Kennedy, que são os queridinhos da mídia e também dos australianos, mas depois do quarto round já começaram a vir pra cima de mim. Fiquei de boa e continuei deixando a pressão em cima deles.
Você travou dois duelos acirrados contra o Granger Larsen. O que achou dessas duas baterias?
O Granger me tirou no primeiro round faltando poucos minutos. O mar quase não tinha onda, não sei como consegui achar 8 pontos naquele mar, e eu também dei um vacilo de não ter colado nele faltando tão pouco tempo. Ele pegou uma ondinha e surfou muito, tirou 8 pontos e virou em cima de mim, me jogando para a repescagem. Daí eu vi que aqui qualquer vacilo seria fatal. Depois passei pela repescagem numa bateria bastante difícil contra o taitiano (Luciani Heremoana), depois não tive muita dificuldade para ganhar do australiano (Dean Bowen) no terceiro round. Competi muito nessa bateria. No quarto round, contra o Granger, eu queria muito tirá-lo do evento. Comecei com tudo, fazendo 8.33 e 8.17 logo nos cinco primeiros minutos, e ele ainda conseguiu fazer um 8.0 e ficou precisando de 8.50, mas não conseguiu virar. Sem dúvidas foram duas baterias alucinantes, dei o troco nele na hora certa. No primeiro round ainda dá para perder porque tem repescagem, mas nas oitavas-de-final não tem como, e eu venci na hora do pega pra capar.
E a nota 10, conte como foi.
Meu 10 foi nas semifinais, contra o Tanner Gudauskas. Ele estava muito constante no campeonato, eu sabia que tinha que surfar muito para passar dele. Ele tinha acabado de virar na última onda em cima do Tamaroa, que era um dos favoritos na competiçåo. Eu tinha a prioridade quando entrou a série, ele tentou me forçar a perder a pririodade nas três primeiras ondas, e eu não fui em nenhuma. Na quarta eu vi que seria uma onda muito boa, foi uma das melhores mesmo, a onda abriu muito, foi perfeita. Comecei com uma manobra muito forte, depois mandei outra mais forte ainda para ganhar a seção, emendei com um cutback, depois mandei um floater muito longo para ganhar a seção, em seguida mandei mais três manobras muito fortes. Foi uma onda perfeita, eu sabia que ia ser 10, foi a única onda que comemorei durante todo o campeonato, e foi o 10.
Quem foi o adversário mais duro no campeonato?
Todas as baterias foram bastante difíceis, mas as duas contra o Granger e na repescagem contra o taitiano foram as mais difíceis.
Acha que cometeu algum erro na final ou o problema foi só a falta de ondas?
Não acredito que cometi nenhum erro durante a final. Em todas as baterias eu fiz a mesma tática e deu certo. Comecei a final fazendo a mesma coisa, peguei a onda do pico e fiz logo 8.17, da mesma forma que fiz em todas outras baterias. Depois o havaiano ficou com a prioridade e ainda peguei duas ondas, fazendo 5.5. Quando peguei a prioridade faltando 12 minutos, eu pensei “agora é so esperar aquela onda que estou pegando durante o campeonato e fazer os 7.0 pontos que estava precisando. Os outros competidores falaram que se eu tivesse ido para baixo talvez tivesse virado, mas só que eu não ia trocar o time que estava ganhando. Se passei todas as outras baterias fazendo as maiores notas daquela forma, eu não iria abrir mão de trocar a minha tática no meio da final, depois de ter feito igual em todas as outras baterias e ter dado 100% certo. Infelizmente foram 12 minutos de flat, imagina se eu tivesse ido para baixo e entrado a série? Isso é uma coisa muito dificil de explicar, qualquer outro atleta teria feito a mesma coisa, nenhuma bateria ficou tão flat como na minha final. Como eu já disse, era o dia do Kai.
E agora, quais os próximos planos?
Vou competir o WQS este ano, quero cada vez mais pegar experiência para quando entrar no World Tour não fazer feio. Quero fazer várias viagens para cada vez me adaptar às ondas difíceis. Já vi algumas matérias que escreveram sobre esse campeonato, dizendo que eu vou com tudo para entrar no World Tour. Sem dúvidas vou competir com toda força, mas não tenho absolutamente nenhuma pressão para entrar no Dream Tour agora.
Veja também
