A vida de um surfista profissional que está começando a carreira não é nada fácil. Desde a aquisição de um equipamento de qualidade até a simples inscrição em um campeonato, passando pelos custos de viagem, estadia e alimentação, são inúmeras as dificuldades encontradas por aqueles que um dia sonham em ganhar a vida como surfista de ofício.
Muitos deles são obrigados a aliar os treinamentos e circuitos com outras atividades paralelas, que garanta o seu sustento e até de suas famílias.
Nesta a situação que vive o torrense Iuri Silva, 20 anos, recém profissionalizado. Depois de conquistar alguns resultados expressivos nas categorias de base do Circuito Gaúcho Amador, ele decidiu que chegou a hora de apostar no futuro de sua carreira, porém ele
precisaria criar soluções para conciliar o seu sonho com alguma atividade remunerada, até para continuar em condições de correr atrás dos títulos que espera conquistar neste início de sua trajetória no surf profissão.
Usando a criatividade, Iuri conseguiu aliar as duas tarefas de forma que uma completasse a outra, além do caráter humanitário do seu trabalho paralelo.
Determinado a ser surfista e sem patrocínio no começo do ano passado, ele realizou um curso de salva-vidas e há duas temporadas trabalha na prevenção e socorro a afogamentos na localidade de Passo de Torres, a primeira praia do litoral catarinense e que faz divisa com o estado do Rio Grande do Sul.
?Por falta de patrocinadores no começo do ano passado, tive que conciliar o surf com um trabalho que me sustentasse. Foi aí que fiquei sabendo do curso de salva-vidas e achei que seria interessante, pois não me afastaria do mar e ainda agregaria muito na minha preparação física?, comenta Iuri.
Para conseguir o emprego, Iuri teve que fazer alguns testes que incluíam em sua parte prática 500 metros de natação e apnéia, o que ele confessa ter sido fácil devido a sua experiência no surf.
Junto com Iuri, mais dois salva-vidas trabalham na mesma guarita, que é a primeira do litoral de Santa Catarina no sentido sul-norte. Devido a um forte trabalho de prevenção, eles dizem que nesta temporada as ocorrências foram poucas.
?Graças a Deus e também pelo forte trabalho de conscientização que estamos realizando com os banhistas, este ano foram poucos os casos de salvamentos, mas já tive que dar auxílio a alguns surfistas inexperientes?, fala o surfista salva-vidas.
Mesmo feliz com o honroso ofício de zelar pela vida da comunidade, Iuri diz estar focado na temporada que está começando e que quer fazer de 2008 o ponto de partida para uma bela carreira no surf.
?Hoje conto com o patrocínio da Surf Beach e da Trench Town Surfboards, que me dão apoio para correr os campeonatos. Quero correr o maior número de eventos possíveis e conquistar os melhores resultados?, diz confiante.
Enquanto isso, Iuri continua em sentinela constante em sua guarita, pronto para salvar a vida de algum banhista em apuros.

