
Sol, água quente, muitos tubos, gatas por todos os lados e um astral de dar inveja a qualquer outro pico. Este foi o cenário da quarta etapa do SuperSurf 2003, realizada entre os últimos dias 10 e 14/09 na praia da Tiririca, em Itacaré (BA).
Pelo segundo ano consecutivo a paradisíaca cidade sul baiana recebeu de braços abertos a elite do surf brasileiro, com suas paisagens encantadoras e seu povo hospitaleiro dando um colorido especial ao evento.
No final da tarde, quando as baterias eram encerradas, todos ficavam na praia aguardando ansiosamente a chegada da linda lua cheia, que deu ainda mais brilho ao evento, com direito até a festa rave no morro do Resende, que fica ao lado esquerdo da Tiririca.

Dentro da água a festa foi toda dos “baixinhos”, com o cabo-friense Victor Ribas e a cearense Tita Tavares mostrando que tamanho não é documento e faturando as categorias Masculino e Feminino, respectivamente. A Saveiro Volkswagen veio de forma incontestável para “Vitinho”, que vinha embalado por um excelente terceiro lugar no WCT de Trestles, Califórnia (EUA).
A cearense também surfou muito para chegar ao topo do pódio pela segunda vez na Tiririca, virando o resultado no último minuto contra a jovem e talentosa Taís de Almeida (RJ). A vitória em Itacaré rendeu o título antecipado do SuperSurf 2003 para Tita, que merecidamente voltou para casa com uma Parati Cross-Over 0 km.

O dono da outra Parati só será conhecido na praia de Itaúna, em Saquarema (RJ), onde entre os próximos dias 22 e 26 de outubro acontece a quinta e última etapa do circuito. A liderança permanece com o paranaense Peterson Rosa, que fez uma boa estréia na Tiririca, passando pelo potiguar Danilo Costa, mas foi barrado nas oitavas-de-final pelo pernambucano Sávio Carneiro num confronto acirrado, terminando o evento na nona posição.
Baforadas – Na primeira onda do campeonato, o carioca Ronnie Martins botou pra dentro de uma bela esquerda e recebeu 9 pontos dos juízes, abrindo a etapa com chave de ouro. A partir daí, os “barrells” reinaram na praia da Tiririca, principalmente nos primeiros dias do evento. Na mesma bateria, o niteroiense Bruno Santos também se escondeu sob as cortinas

verdes da Tiririca e conseguiu uma nota 8, barrando o paulista Renan Rocha e o wildcard baiano Dennis Tihara.
Ainda no dia de abertura do evento, o cearense André Silva saiu limpo de um largo tubo para obter a maior nota do dia, 9.73 pontos. O recorde de André permaneceu por dois dias, até o paraibano Fábio Gouveia estrear na competição.
No quarto round, contra o power surfer Beto Fernandes, Fabinho proporcionou um lindo momento na praia da Tiririca. O paraibano passeou de grab rail numa esquerda tubular e saiu ileso, no último instante, levando o público ao delírio.
Três juízes deram 10, mas um outro deu 9.8 e a média de Gouveia ficou 9.93 pontos, o maior

score de todo o evento. Antes do confronto contra Beto, Fabinho já havia feito um bom tubo no duelo com o jovem e talentoso cearense Duda Carneiro, que vinha arrebentando em Itacaré com manobras bastante modernas.
Já a melhor pontuação ficou com o carioca Raoni Monteiro, que vinha embalado de uma vitória na etapa do WQS de nível 6 estrelas no Japão. Raoni quebrou tudo no segundo round em Itacaré, totalizando 17.43 pontos na bateria contra o baiano Wilson Nora (2º), o paulista Gilmar Silva e o cearense André Silva.
A Trajetória – Mas o surf agressivo de Raoni não foi muito longe. Para azar do público, que vibrou com a brilhante estréia do garoto, Monteiro bateu de frente com Victor Ribas, que estava bastante inspirado e passou por cima de todos os adversários que encarou.
Para chegar ao título, Ribas não teve vida fácil. Depois de bater Raoni, Vitinho não deu nenhuma chance para o ex-campeão do SuperSurf de Itacaré, o alagoano Tânio Barreto,

marcando 15.67 pontos, contra apenas 9.23 do adversário.
Nas oitavas-de-final, aconteceu um dos duelos mais esperados em Itacaré, entre Victor Ribas x Fábio Gouveia, dois atletas que vinham dando show na competição e encabeçavam a lista de favoritos ao título da etapa.
Ribas começou na frente, mas sem nenhuma onda expressiva. Com duas boas ondas, notas 5.60 e 5.00, Fabinho passou à liderança e estava tranqüilo na ponta, já que seu oponente ainda não havia encontrado uma onda de qualidade.
Faltando menos de três minutos para o fim, Victor esboçou uma reação com uma nota 5.90, mas foi respondido com um 5.73 de Gouveia, que ampliou a vantagem sobre o carioca. Quando restavam trinta segundos para terminar, Ribas deu duas pancadas

numa esquerda e ficou na expectativa do resultado, precisando de 5.43 para reverter a situação.
“Ali era tudo ou nada, estava esperando aquela onda e ela veio no momento certo. Dei a primeira manobra com força e fiquei na dúvida se mandava duas razoáveis ou aplicava mais uma porrada. Como os juízes estão valorizando as manobras expressivas, optei por extrapolar na junção e me dei bem, graças a Deus”, declarou Vitinho.
Nas quartas, o cabo-friense teve um duplo desafio. Seu adversário seguinte, o baiano Flávio Costa, vinha embalado na competição e está na briga pelo título do SuperSurf, com resultados importantes em Torres (5º) e em Ubatuba (2º). Além disso, “Tampa” contava com toda a torcida a seu favor.
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“A pressão foi muito grande, fiquei até um pouco nervoso e vacilei em algumas ocasiões na hora de usar a prioridade. Mas achei que o Flávio ficou mais nervoso ainda com a pressão de surfar em casa e felizmente venci mais uma bateria”, revelou o carismático carioca, que em nenhum momento foi vaiado pela torcida na disputa contra o baiano.
Ambos abusaram das manobras de backside para tentar a vitória. Vitinho saiu na frente com duas longas direitas, desferindo várias porradas para totalizar 13.57 pontos.
Orientado pelo técnico Eduardo Rezende, o “Truta”, Flávio encontrou um melhor posicionamento na bateria e achou uma esquerda da série, atacando com uma boa batida e mais uma paulada no crítico para somar uma nota acima de 6 pontos.
A torcida se empolgou a passou a incentivar ainda mais o ilheense, mas a onda que ele

precisava para virar o placar não veio e “Tampa” teve que contentar-se com um bom quinto lugar, resultado que lhe colocou na terceira posição do ranking e na briga pela Parati Cross-Over destinada ao campeão do Circuito.
“Não encontrei as melhores ondas, mas o resultado está de bom tamanho e agora é treinar forte para chegar em Saquarema afiado. O Vitinho merecia a vitória, pois além de surfar muito é uma pessoa bastante humilde e querida por todos”, disse Flávio, que para chegar até as quartas passou tranqüilamente pelo paulista Luciney Mallas no terceiro round, derrubou o experiente Pedro Muller (RJ) na fase seguinte e levou a melhor num duelo emocionante contra o conterrâneo Wilson Nora nas oitavas-de-final.
Nora foi um dos destaques na Tiririca, pico que conhece muito bem. Depois de muitos tubos, saiu das triagens para bater dois atletas que estavam entre os primeiros do ranking: o cearense Lucinho Lima, que estava em quarto, e o atual campeão nacional, o carioca Leonardo Neves, que continua na vice-liderança.

Outro que saiu das triagens e só parou nas oitavas foi o paraibano Otávio Lima. “Tavinho” teve o azar de sofrer uma forte contusão na coluna nos instantes finais da bateria contra o carioca Marcelo Trekinho, no quarto round. Como já tinha duas ondas boas e carioca não entrou em sintonia com as séries, o paraibano saiu da água vitorioso, mas com grandes chances de nem cair na água na fase seguinte.
Depois de algumas injeções, sessões de massagens e muito descanso, ele enfrentou o paulista Renato Galvão nas oitavas, ainda sentindo muitas dores. Mostrando muita raça e determinação, o paraibano vendeu caro a derrota para o jovem paulista, que venceu o confronto e foi barrado pelo conterrâneo Tadeu Pereira nas quartas-de-final.
Tadeu apresentou um surf sólido e consistente durante toda a competição, mostrando porque há tantos anos está entre os tops da elite do surf brasileiro. O atleta de Ubatuba estreou derrotando o catarinense Diego Rosa no terceiro round, contando com uma interferência do seu adversário.

Em seguida, no confronto entre os surfistas de Cristo, Pereira levou a melhor sobre o “irmão” Jojó de Olivença, barrando um dos maiores ídolos do surf baiano. Nas oitavas-de-final, Tadeu bateu com facilidade o paranaense Maicon Rosa, que tentou arriscar, mas caiu em praticamente todas as ondas que pegou.
Nas quartas, ele derrotou seu conterrâneo Renato Galvão numa bateria bastante disputada, virando o placar nos instantes finais e ficando com a última vaga na semifinal.
Goofies dominam – Os atletas goofies literalmente dominaram o pódio na categoria Masculino. Na primeira semifinal, Victor Ribas andou muito nas ondas da Tiririca para bater o também carioca Alexandre Almeida, o “Dadazinho”.
“Dadazinho” também brilhou em Itacaré. Chegou antecipadamente para adaptar-se às ondas da Tiririca e se deu bem, conseguindo um excelente terceiro lugar. Fez amizade com muita gente ganhou o carinho e respeito de todos, tornando-se uma das figuras mais badaladas na cidade.

“Este lugar é fantástico, não pode ficar de fora do circuito. Gostaria de agradecer ao povo itacareense pelo apoio, me sinto muito bem aqui”, falou Alexandre. Outro carismático carioca que arrebentou na etapa foi Anselmo Correia, que enfrentou Tadeu Pereira na segunda semi. “Cecéu” fez uma bela campanha em Itacaré, passando por Adriano de Souza (SP), Andreas Eduardo (SC), Dunga Neto (CE) e Sávio Carneiro (PE) até chegar na semifinal.
No confronto contra Tadeu, Correia não encontrou as mesmas ondas das baterias anteriores e foi dominado pelo paulista, que venceu pelo placar de 12.83 x 6.17 e carimbou o passaporte para a decisão. A bateria final foi bastante equilibrada, com Pereira saindo na frente ao marcar notas 5.67 e 4.67.
Executando belas rasgadas e atacando a junção com força, Vitinho assumiu a liderança com duas boas ondas de frontside, conseguindo notas 7.33 e 5.83. Com a vantagem, Ribas passou a administrar o resultado, trabalhando muito bem a regra da prioridade.

Tadeu ainda pegou uma boa onda no final, dando duas porradas no lip, mas os juízes deram apenas 4.83 ao paulista, que precisava de 7.49. Fim de papo, merecida vitória para Victor Ribas. Na areia, os consagrados atletas se abraçaram sob os aplausos do público e fecharam com chave de ouro a quarta do SuperSurf 2003.
Agora, o “Maracanã” do surf brasileiro aguarda as estrelas para a definição do campeão masculino de 2003. A praia de Itaúna, em Saquarema (RJ), proporcionou ondas de até 10 pés na etapa de 2002, vencida pelo paulista Costinha, de Ubatuba, com a local Taís de Almeida faturando o título entre as mulheres. A etapa está marcada para acontecer entre os dias 22 e 26 de outubro. Que vença o melhor!