Videogirl

Isabelle é a fera

Depois de desenvolver o projeto Ala Feminina, Isabelle Nara apresenta o Gaia Surf Tour Oceania. Foto: Arquivo pessoal Isabelle Nara.

Há um bom tempo ela vem produzindo imagens nos principais campeonatos de surf, tendo viajado por muitos picos na costa brasileira para fazer vídeo. Durante três anos, ela desenvolveu o seu primeiro projeto, “Ala Feminina”, o primeiro DVD de surf feminino do Brasi.

 

Elaborou também um festival de vídeos de surf, programas de tv e vídeos para web, conseguindo um rico material de surf feminino. Agora, a jornalista e produtora de vídeos Isabelle Nara apresenta seu novo projeto, “Gaia Surf Tour Oceania”, uma expedição por ilhas do continente oceânico com produção multimídia.

 

Seu objetivo é fazer vídeos de surf, documentários, escrever e tirar fotos, buscando fazer um registro para as futuras gerações. Ela começou sua nova aventura no Tahiti, durante a quarta etapa do WCT, em Teahupoo, umas das ondas mais perigosas do mundo. Confira uma entrevista sobre a vida dessa produtora.

 

Isabelle no Tahiti, onde gravou imagens da quarta etapa do WCT 2007. Foto: Arquivo pessoal Isabelle Nara.

Como você começou a fazer vídeos de surf?

Eu sempre quis ser jornalista e jamais pensei que fosse fazer vídeos de surf. Comecei editar e filmar no segundo ano da faculdade de Jornalismo, em Curitiba, num estágio que fiz. No ano seguinte, fui morar no Rio de Janeiro. Sou apaixonada pela cidade maravilhosa e lá as coisas começaram a aflorar… Sempre gostei de tirar fotos, curtir a natureza, os pássaros e as ondas. No fim de 2003, lá no Rio, o videomaker Cláudio de Saquarema me convidou para ser repórter da RedeTV na última etapa do circuito brasileiro profissional. Aí, teve um momento em que ele foi para casa, buscar não me lembro o quê, e falou para eu filmar as ondas.

 

Altas ondas nas oitavas, fiquei filmando e vi que levava um jeitinho para a coisa na hora de enquadrar e tava curtindo filmar surf… No ano seguinte, comprei a minha câmera Dvcam e pensei “o que eu vou fazer agora?”.

Fiquei sabendo que não tinha nenhum vídeo de surf feminino no Brasil, decidi fazer um e comecei a acompanhar os principais campeonatos de surf. Tudo muito na intuição, desde montar projeto até filmar, não tive ninguém para me ensinar a produzir, mas sempre observei muito o pessoal da tv e os jornalistas trabalhando, isso me ajudou muito. Em 2005, conclui o meu curso de Jornalismo, e na seqüência chegou o meu computador para finalmente começar a editar. Sonhando com as viagens internacionais…


O que marcou sua opção por uma vida de videomaker?

Eu sempre gostei de viajar e trabalhar na praia, é o máximo! Mas tem dias que não é fácil, muito sol, chuva e o dia começa bem cedo! No decorrer dos eventos fui conhecendo todo o pessoal que trabalha nos campeonatos. O projeto de surf feminino não foi fácil de encarar, fiquei meio desgastada mas logo veio algo que marcou muito a minha carreira. Foi no final do ano 2005, quando trabalhei em dois WQS e um WCT, filmando para o site da ASP. Uma cinegrafista mulher? É isso mesmo! E foi no último dia do WCT masculino que tive uma experiência marcante. Muita chuva de manhã, aí me colocaram no palanque dos atletas para
filmar.

 

Não gostei, pois a câmera ficava mexendo com o pessoal andando, atrapalhando a filmagem, mas isso foi até os atletas começarem a chegar. Aí, como qualquer mulher, comecei a gostar, né!? Na bateria do
Andy Irons, recebi a mensagem do pessoal da produção: “Foca no Kelly e não tira a câmera dele!” Ninguém tinha acesso ao palanque dos atletas, só o pessoal da ASP. Os outros jornalistas me perguntavam: “O que
você ta fazendo ai!? Se deu bem!” E comecei a pensar: “Não acredito que vai ser eu a fazer essa imagem ao vivo para o mundo inteiro!” E por coincidência do destino, fiz as imagens da emocionante conquista do sétimo título de Kelly Slater, com transmissão ao vivo pela internet, milhões de pessoas conectadas pela web. Isso é muito legal para quem trabalha com comunicação! E quando vi lágrimas no Kelly, comecei a me emocionar também… Já imaginou a cena?! Fechei o ano com chave-de-ouro e a certeza de estar no caminho certo.

 

Como foi fazer esse projeto Ala Feminina?

Elaborei um projeto, em um mês comecei a produzir e já tinha conseguido duas marcas para me apoiar nas minhas primeiras viagens para filmar surf. Acompanhei o circuito brasileiro e o Petrobras de surf feminino em todas as etapas de 2004 e 2005. Não foi nada fácil montar os vídeos, foram mais de 30 horas de material, fiquei mais uns seis meses editando até começar a realizar o festival de vídeos. Fiz uns 20 vídeos de surf
feminino nesse projeto, varias sessões de exibição e, para encerrar, fui ao mundial feminino de 2006, finalizando mais um vídeo. Foi bem legal, aprendi muito com esse projeto, quem sabe eu ainda volto com ele numa nova produção com as meninas.

 

Por onde você já andou produzindo no Brasil?

O legal de trabalhar com isso é viajar sempre para lugares maneiros… Adoro viajar, tá no sangue ser meio nômade! Comecei em Santa Catarina, com os veraneios na Guarda do Embaú, Rosa e Farol de Santa Marta, depois conheci praia Mole, Lagoa da Conceição, Barra da lagoa, Joaquina, Rio Vermelho, Moçambique, sempre produzindo. Morei quatro anos no Rio e produzi na maioria dos picos da cidade. Saquarema e Ubatuba só conheci por causa dos campeonatos, e ainda Búzios, Trindade, Guarujá, Maresias, praia do Cupe, dos Francês, Itacaré é já deu para viajar legal e produzir muito! Ganhar experiência…

 

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Octacampeão mundial Kelly Slater registrado pela câmera da paranaense. Foto: Arquivo pessoal Isabelle Nara.

Como surgiu a idéia de fazer essa produção no exterior?

Eu já tinha feito a minha parte no projeto do surf feminino, colhido uns frutos, finalizado. Sempre quis ver de perto a onda de Teahupoo por seu magnetismo e este ano não teve o feminino, então tive de mudar o foco. Já a Austrália é um sonho antigo. Então, montei um projeto e um roteiro para dar um giro na Oceania e em dois meses consegui uns apoios financeiros. Agora estou aqui com minha câmera e meu computador produzindo esse material. A idéia é ficar durante um ano captando informação, imagens e emoção para levar ao grande publico.

 

E por que esse nome Gaia Surf Tour?

Porque o que eu to pretendendo fazer é um verdadeiro tour com um trabalho de registro dos lugares para as próximas gerações, mostrando a costa, mesclando com surf, cultura e entrevistas.

 

Isabelle e amigos durante mais um dia de trabalho em Teahupoo, Tahiti. Foto: Arquivo pessoal Isabelle Nara.

Eu amo o planeta Terra e gosto de chamá-la de Mãe-Gaia. Venho estudando muito sobre as costas litorâneas, nossos antepassados, e  já passamos por diversas transformações. Existem artigos que falam de novas transformações com a mudança do eixo de Terra e o aquecimento global, com estudos científicos. Quero fazer a minha parte de poder conscientizar e gravar momentos, as belezas do planeta.

 

O que você pretende fazer com esse material que está captando?

Divulgar para o público. Objetivo é fazer um DVD, um especial para TV, vídeos na web, escrever para revistas e publicar matérias. Quem sabe daqui uns anos até sai um livro… Sempre quis fazer um projeto a nível mais mundial e poder passar informações, que é a missão de uma jornalista.


Como foi a sua produção no Tahiti?

Emocionante, com toda certeza. Conheci muita gente diferente e interessante, aprendi muito! Nunca andei tanto de barco na minha vida como no Tahiti. Fiquei muitas horas filmando em barcos, aconteceram uns incidentes que foram superados e fiz altas entrevistas nos dias em que o mar estava pequeno, rezando para o mar subir e conseguir boas imagens dos meus entrevistados e dei sorte! Entrou um swell de 12 pés, um dia de sonho… Ondas perfeitas, sol, muito trabalho e tiveram mais uns dias bons de ondas. A natureza do lugar é fantástica, as montanhas, a onda que parece mágica e o pôr-do-sol perfeito de Teahupoo. Acredito que consegui captar a essência e fazer o que Deus me pediu para fazer! Vou  montar um vídeo de uns 30 ou 40 minutos  sobre o Tahiti.

Como é entrevistar os melhores surfistas do mundo?

Olha, eu já freqüentei algumas coletiva de imprensa, como na conquista do título do Andy e do Slater, tipo treinamento, fazendo perguntas e enquadrando para ficar bem segura no dia em que fosse para valer. Ter ido ao WCT feminino de 2006 também me deu muita experiência. No Tahiti foi pra valer mesmo e acredito que me saí muito bem… Fiz umas entrevistas interessantes com Cory Lopes, Occy, Pancho Sulivan, Victor
Ribas, Taylor Knox, Bruno Santos, Bernado Pigmeu e ainda gravei com Mick Fanning, Damien Hobgood, Rodrigo Dornelles, Kai Otton, Luke Stedman, Joel Parkinson e Kelly Slater, para mais uma vez fechar com
chave-de-ouro. Não é fácil conseguir essas entrevistas!! Alguns fogem de jornalistas ou são difícil de achar no momento adequado, tem que estar sintonizada, ficar em cima e estar preparada na hora H.

E você abandonou o seu projeto Ala Feminina?

Dei um tempo… Vou para a etapa do WCT feminino, Havaianas Beachley, em Sidney. Lá eu penso em fazer alguma coisa relacionado ao feminino.

Você pega onda?

Eu amo surfar, é algo que purifica a alma, mas acho que as ondas me pegam mais do que eu pego elas (risos)… Não levo muito jeito! E tenho como meta, assim que achar o meu lugarzinho doce, incorporar no meu cotidiano, pois viajar cheia de equipamentos é um perrengue só. Pelo menos eu fiquei de pé na minha primeira onda e sempre consigo me equilibrar…

Depois do Tahiti, para onde você vai?

Daqui vou a Cook Island dar um giro rápido, e depois seguir para Austrália e Nova Zelândia para produzir mais vídeos.

E seu contato para se associar ao projeto?

É só entrar em contato com boas intenções e somar, mandar uns atletas para fazer filmagem, abrir um espaço para publicação ou, numa dessa, ajudar na construção de um site. Para patrocinar a produção desta
expedição, escreva para [email protected] ou [email protected]. Material, contatos e atitude para produzir não vão faltar nesta produção.

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