Irons marca território

Andy Irons esbanja garra e talento para tirar de Kelly Slater o título do Rip Curl Pro Pipeline Masters 2006. Foto: ASP / Covered Images.

Um dos mais aguardados duelos entre dois dos maiores surfistas da história do esporte, na principal arena do surf mundial, encerrou o Rip Curl Pipeline Masters 2006.

 

Clique aqui para ver o vídeo

 

Em outras palavras, um confronto particular entre Kelly Slater e Andy Irons nos tubos de Pipeline / Backdoor marcou a final mais espetacular dos 36 anos do Pipeline Masters.

 

Apesar de serem excelentes surfistas e terem pegado ótimos tubos, os outros dois integrantes da final, Rob Machado (campeão

do evento em 2000) e Cory Lopez, foram meros coadjuvantes na disputa.

 

Andy Irons, Rip Curl Pro Pipeline Masters 2006, North Shore, Oahu, Hawaii. Foto: ASP / Covered Images.

Em Pipeline, Slater teve a chance de encerrar o ano da mesma maneira que começou, ou seja, com vitória.

 

Além disso, teria conquistado o sexto título da prova e quebrado o recorde de vitórias em etapas do WCT ? que permanece empatado em 33 com Tom Curren.

 

No entanto, esse não era o plano de Andy Irons. Depois que Slater garantiu o título do WCT com duas etapas de antecedência, o havaiano avisou que iria para o Hawaii determinado a conquistar o título em Pipe e na Tríplice Coroa. Dito e feito.

 

Depois de avançarem em chaves opostas até a decisão, os dois finalmente se encontraram para o tira teima. Slater começou ditando o ritmo com notas sólidas logo no começo da bateria, em tubos para Pipe e Backdoor.

 

A liderança isolada do octacampeão mundial durou até os últimos oito minutos da final, quando ele computava notas 9 e 7.40. Então ele dropou para Backdoor e completou mais um tubo incrível, que valeu 8.53 pontos e praticamente definiu a bateria.

 

Enquanto o público na praia já assimilava o fato que Slater dominara a disputa deixando os adversários em combinação, dentro da água uma seqüência de acontecimentos iria mudar completamente essa realidade.

 

Tudo graças à determinação de Irons em buscar a vitória a qualquer custo. Depois de conseguir um 8.43 e voltar para a briga, o havaiano despencou de backside, andou fundo no tubo e mandou um floater insano para tirar um 9.87 e surpreendentemente assumir a liderança da bateria.

 

Slater então se viu numa situação impensável: de líder absoluto, passou a precisar de 9.31 pontos para erguer o troféu. Em um belo tubo pro Backdoor ele chegou perto, mas os juizes deram apenas 8.73. Tão perto e tão longe ao mesmo tempo.

 

A poucos minutos do fim, os dois disputaram ombro a ombro por uma rainha no Backdoor que certamente definiria o campeão. Posicionado mais ao inside, Irons levou vantagem e novamente despencou do lip em direção ao salão líquido que armava muitos metros à frente dele.

 

##

Kelly Slater dá mais um show no ano em que foi coroado com o oitavo título mundial. Foto: ASP / Covered Images.

Enquanto a grande maioria dos mortais teria sido engolida com fúria pelo oceano, Irons passeou por dentro do tubo como se estivesse no quintal de casa – e realmente estava.

 

Clique aqui para ver o vídeo

 

Quando ele surgiu em alta velocidade, empurrado pelo spray da onda, todos sabiam que 10 era pouco. Ciente que o show havia enfim acabado, Irons levantou os braços e foi ovacionado pela torcida.

 

Já na areia, saiu mais uma vez carregado pelos amigos e deixou claro que, embora Slater ainda seja o mestre, ele é o próximo da lista.

 

Andy Irons, Cory Lopez, Kelly Slater e Rob Machado dividem o pódio em Pipeline. Foto: ASP / Covered Images.

“Em nenhum momento eu me considerei fora da briga. Sei que Slater é um surfista incrível, mas estávamos jogando nas mesmas condições. É difícil traduzir o que eu sinto em palavras. Foi tudo perfeito”, diz Irons.

 

“Eu lutei até o fim e Kelly quase pegou aquela onda em que tirei o 10. Se ele tivesse ido, teria ganhado. Estou feliz por não ter abaixado a cabeça”.

 

Para ele foi um desfecho incrível para um ano em que, tirando o domínio de Slater, os melhores do mundo tiveram dificuldade em manter os resultados. E depois de vencer em Pipe, Irons deixou claro que irá em busca do quarto título mundial.

 

?Ele (Slater) sabe que não vou embora calmamente e que estou mais vivo do que nunca?, afirma o havaiano. ?Ainda estou aqui e quero lutar pelo título. Espero que no ano que vem as coisas aconteçam a meu favor, e não contra como foi este ano?.

 

Além do título do Pipe Masters, Andy Irons, 28, celebrou a conquista da Tríplice Coroa Havaiana, a quarta da carreira deste explosivo competidor em cinco anos. Sua impressionante trajetória inclui a vitória em Haleiwa e o terceiro lugar em Sunset.

 

?Uau! Eu simplesmente amo vencer!?, enfatiza. ?Adoro vir para o North Shore e fazer um bom trabalho na Tríplice Coroa, é uma honra imensa?.

 

Slater certamente teria adorado encerrar o ano com uma vitória em Pipeline, mas foi obrigado a reconhecer a garra de Andy Irons. Apesar de liderar a maior parte da bateria, ele admitiu que em nenhum momento ficou confortável com a situação.

 

?Tenho que dar isso a ele. Andy foi magnífico naquela direita, não poderia ter finalizado a competição de uma maneira melhor. É preciso saber que com 18 pontos somados, qualquer um pode tirar duas notas 9 facilmente em Backdoor. Honestamente nunca fiquei relaxado com a liderança conhecendo o potencial daquela bancada?, conclui o norte-americano.

 

Saiba mais

 

Andy consagrado em Pipe

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)