Enquanto todos estão ligados nas últimas morras surfadas na temporada e apontam os principais candidatos ao título do novo Prêmio Greenish, o carioca Leandro Tostes surge com uma informação polêmica sobre a vitória do big rider Evaristo “Kiko” Ferreira no prêmio oferecido ao surfista que dropou a maior onda brasileira na temporada 2005/06.
Formado em Computação Gráfica e Mídia Digital pelo Instituto de Artes de Ft. Lauderdale, nos Estados Unidos, Tostes resolveu analisar as ondas dos cariocas Stephan Figueiredo e Evaristo Ferreira, que chegaram entre os finalistas do prêmio definido em fevereiro deste ano.
Para Tostes, que utilizou toda a sua experiência para comparar as morras, a onda surfada por Stephan foi 0,42 metro maior do que a de Evaristo.
“Tendo em vista que as duas fotografias são em ângulos e distâncias diferentes, fiz a medição comparando o surfista e a onda”, revela o carioca Leandro Tostes, 29 anos e surfista há 15.
Tostes começou traçando três linhas amarelas. Uma dos pés ao joelho, outra do joelho à bacia e uma última da bacia à cabeça. Em seguida, o carioca juntou as linhas na posição vertical. Para evitar distorções, a altura de cada surfista foi definida como 1,70 metros.
Os cálculos de Leandro Tostes definiram que a onda de Stephan tem 9,77 metros, enquanto a de Evaristo possui 9,35. “Tenho total conhecimento de que essa não é uma medida exata, podendo ter uma variação de alguns centímetros, a depender da posição da cabeça e de outras partes. Eu disse alguns, não centenas de centímetros. Então, gostaria muito de entender como eles fizeram esse cálculo”, comenta Tostes.
Depois de receber a mensagem de Leandro Tostes, a redação do Waves.Terra entrou em contato com a Greenish para obter um esclarecimento por parte da empresa.
“Podemos concluir que as medições que ele fez estão corretas. Com base apenas no material fotográfico, teríamos tirado a mesma conclusão que o Leandro. Mas estamos falando de um julgamento onde outros aspectos de grande relevância têm que ser levados em consideração”, alega Luiz Carlos Crisóstomo, diretor de marketing da empresa.
Ele ainda diz que “a foto do Stephan Figueiredo, feita por Fábio Minduin, claramente foi captada de um ângulo superior, o que favorece o tamanho da onda”.
Ainda segundo o diretor da Greenish, “a onda do Stephan tem muito spray em seu lip devido ao forte terral, o que indefine a posição exata do lip da onda”.
“A onda do Evaristo foi surfada em um pico de maior dificuldade. É uma onda que quebra sobre uma menor profundidade de água”, justifica Crisóstomo.
“Baseado nestes três fatores, chegamos a conclusão de que o prêmio seria justo, tendo como campeão o Evaristo Ferreira e o Iuri Carvalho. Vale ressaltar que não houve nenhuma contestação vinda dos finalistas e na ocasião da premiação também não houve nenhuma contestação. Na ocasião, estavam presentes grandes nomes do surf brasileiro (em razão do WQS de Noronha) e todos chegaram a nós para parabenizar a justiça que se fez na premiação”, explica.
“Com esse prêmio, buscamos premiar de forma democrática o big rider brasileiro. Independente de que fosse um profissional, um amador, um free surfer, um carioca, pernambucano, cearense ou amazonense, buscamos ser justos e imparciais”, analisa Crisóstomo.
“Não será a primeira, nem a última vez que um prêmio de ondas grandes terá seu resultado contestado. O importante, em nosso caso, é que temos consciência do conhecimento de causa e de nossa idoneidade. Em 2007, o prêmio aumentou para R$ 25 mil, com um bônus de R$ 5 mil ao fotógrafo ou videomaker e R$ 5 mil ao shaper do big rider campeão. Esperamos ter muito trabalho no julgamento da maior onda para receber cada vez mais críticas e elogios acerca desta ação, que nada mais é do que uma homenagem a atitude do surfista brasileiro. É isto, galera, remem e dropem, o prêmio pode ser seu!”, encerra Crisóstomo.
