
Depois de sessões de surf em ondas de mais de 10 minutos, foi encerrado o I Encontro Internacional de Bore Riders (surfistas de maré), realizado entre os últimos dias 8 e 13 de março na Pororoca do rio Mearim, em Arari, Maranhão.
Surfistas de rio da França, Inglaterra e Brasil se reuniram no mais famoso fenômeno fluvial do mundo, para discutir sobre as “pororocas” do planeta, equipamentos adequados para a prática da modalidade, bem como os impactos ambientais decorrentes do fenômeno.
Durante cinco dias na floresta foi possível observar como as bancadas do rio Mearim mudaram radicalmente de lugar em apenas um ano. Bancos de lama com dezenas de

metros surgiram e meio do leito do rio, e também afastaram algumas margens em mais de 400 metros de distância.
Com variação de seis metros entre a maré baixa e alta, a Pororoca surgiu nos pontos mais perigosos com dois metros e meio de altura, porém foi em bancadas mais seguras que os surfistas de marés puderam desfrutar de vagas com até um metro e vento terral.
Para o francês Bruno Boue, estar na Pororoca surfando em plena floresta amazônica foi um sonho. Não só ele, mas os irmãos Fabrice e Antonie Colas também puderam sentir as pernas tremer após dúzias de cutbacks.

Já os ingleses Tom Wright, Steve King e Stuart Ballard, além de surfar ondas realmente longas e com pressão, fizeram filmagens para a rede de televisão britânica BBC.
Os brasileiros, mais acostumados com o fenômeno, aproveitaram para manter contato com o grupo de estrangeiros, programar novos intercâmbios e até mesmo o lançamento de um festival internacional de Bore Riders.
“É uma satisfação enorme poder reunir estes surfistas, que já têm 25 anos somente de surf em ondas de rio”, diz Sergio Laus, organizador do encontro. “Trocamos muitas informações e acredito que poderemos desbravar muitos rios pelo mundo”, conclui.
Considerado um dos maiores especialistas da Pororoca brasileira, Noélio Sobrinho, presidente da Abraspo (Associação Brasileira de Surf na Pororoca), ficou contente em receber os europeus na selva brasileira e já pensa em organizar o I Festival Internacional de Bore Riders.
Outro representante do Brasil foi Jerônimo Junior, presidente da ASPM (Associação de Surf da Pororoca do Maranhão), presente em todas as etapas do evento.
Após longos anos de trabalho na Pororoca, os pilotos tiveram total controle das mais difíceis situações encontradas no rio, além de terem passado um sufoco logo no primeiro dia de mapeamento nas bancadas do Mearim.
Era final de tarde e Laus levava para a beira do rio um sled, equipamento pouco usado na Pororoca. Quando faziam testes, Antonie Colas saiu remando no rio e rapidamente foi levado pela correnteza para longe do Curral da Igreja, ponto de partida para o surf na Pororoca. O piloto Glauco Vaz e Pereira já estavam navegando quando o piloto do jet-ski Theodoro, junto com Noélio Sobrinho, atolou num banco de lama.
Devido à colisão, o jet parou de funcionar no crepúsculo da selva, momentos antes da onda aparecer arrasando tudo que estivesse na sua frente. Enfim, todos no momento crítico! Enquanto isso, o resto da equipe esperava agoniado o surgimento da Pororoca sem saber o paradeiro de seus amigos, que teriam que enfrentar a força d’água durante a noite, sem lanterna e qualquer meio de comunicação.
Mas, 40 minutos após a Pororoca passar com um barulho muito intenso, surge a lancha rebocando o jet e com toda equipe, que pôde sentir a pressão da maré logo no primeiro contato com um dos fenômenos fluviais mais temidos da Amazônia.
Desespero de um lado e alegria de outro! Durante o último dia do encontro, todas as nações presentes deslizaram juntas, numa bela onda com duração de 12 minutos. Nessa hora, Laus abandonou sua prancha e subiu na prancha 10’6 de Steve. A dupla surfou junta por mais de dois minutos, realizando pela primeira vez o Tanden na Pororoca.
Com todos satisfeitos, foi hora de embalar as pranchas e partir para casa, mas com os pensamentos na lua cheia de março, quando acontece mais uma Pororoca. Entre os dias 24 a 28 de março será realizada a primeira etapa do III Circuito Brasileiro de Surf na Pororoca, no rio Mearim.
Confira galeria de fotos do I Encontro Internacional de Bore Riders.
Auera Auara!