Depois de meses de filmagens, edição e produção, o filme independente Intentio, do diretor catarinense Loïc Wirth, está disponível para pré-venda em DVD.
O mundo dos filmes de surf é difícil. Para uma produção ganhar vida, é preciso muita força de vontade. Esse foi o caso do Intentio, premiado em diversos festivais de filmes internacionais, onde a maioria dos surfistas ajudaram Loïc a viajar para que ele pudesse filmar.
Intentio não é um filme de surf comum, é uma experiência audiovisual única e forte, uma fonte de inspiração para questionarmos o mundo em que vivemos e nos lembrarmos que o mais importante é simplesmente sorrir.
Confira abaixo a entrevista com Loïc Wirth, que fala sobre o filme Intentio e a sua repercussão mundo afora.
Você imaginava que Intentio teria essa forma enquanto o filmava?
Sinceramente não.Cada trip que eu ia filmar, eu me dedicava e focava naquele momento apenas. Não pensava em como editaria nem nada. Uma vez terminadas as filmagens, aí sim pude sentar e ver exatamente o que eu usaria. Como escrevi algumas ideias no papel tudo fluiu naturalmente. Fico muito feliz com o resultado, fiz esse filme com bastante sinceridade, e espero que isso transpareça.
O que te fez decidir manter o filme como uma produção independente?
O filme surgiu de uma ideia independente. As primeiras filmagens e trips foram feitas de forma independente, apenas com a ajuda dos surfistas, sem eles eu não teria como investir nas viagens.
O filme foi ganhando vida baseado apenas na cumplicidade entre diversas pessoas acreditando numa ideia em comum, um filme, acreditando um no talento e vontade do outro. Sem logomarcas, sem marketing, com o único objetivo de passar uma mensagem positiva em relação ao mundo em que vivemos. Por isso decidi mante-lo limpo e independente, pra mostrar que com amor podemos criar muitas coisas, quando acreditamos, muito pode acontecer.
E quanto a distribuição?
Como escrevi, filmes de surf independentes dependem da cumplicidade entre pessoas que acreditam em algo. E isso conta também na parte de distribuição. Hoje em dia a única forma que filmes independentes podem continuar a existir, é pelo meio da venda de DVD’s, por isso decidi faze-lo, pois foi o meio mais legal que eu encontrei para criar essa ponte onde as pessoas que se identificam com o projeto, podem estar fazendo parte do mesmo ao comprar o DVD, pois vai estar dando valor a um projeto feito com tanto carinho e boas intenções.
Alguma parte preferida do filme?
Difícil dizer, muito difícil mesmo! Acho que ver o Jean da Silva e o Craig Anderson tirando tubos tão fundos e longos num dos melhores mares que já vi na vida foi inesquecível.
Ver os irmãos Cristian e Gabriel Muller evoluindo e puxando o surf para um novo nível também é muito legal. Ver o Marco Giorgi desenhar linhas na Indonésia também. Ver o Gabriel Medina e o Ian Gouveia voando tão alto também me marcou muito. Difícil escolher, tenho um carinho muito grande por cada capítulo do filme, por cada música, por cada momento.
Algo que me impressionou foram as músicas, de tanta originalidade, bom gosto e qualidade. Como foi a sensação de trabalhar com essas obras?
Legal você mencionar isso. Uma das partes mais importantes de um filme é a trilha sonora, e até hoje não acredito que tive a chance de trabalhar com bandas que admiro tanto. Foi um prazer enorme editar tantas imagens que fiz com tanto carinho, com músicas que me inspiraram durante todo o período de filmagens.
O que você tem em mente para o futuro?
Continuar fazendo o que me faz sorrir, e torcer para que isso faça outros sorrirem também. Vivemos num mundo lindo e acredito que o surf é uma plataforma incrível pra traduzir um pouco disso, e espero poder dar vida aos muitos projetos que tenho em mente para um futuro próximo.
Aos 22 anos, como foi a sensação de ser um dos raros diretores brasileiros a ser premiado em festivais internacionais como o de San Sebastian (melhor performance) e de Anglet (melhor filme pelo voto do público), especialmente ao lado de diretores como Jack McCoy, Taylor Steele, Kai Neville, Emmet Malloy e outros?
Surreal. Já havia ido a esses festivais como espectador quando estava começando a filmar, e já estava tão feliz de ter sido selecionado, que mal pude acreditar quando falaram Intentio no microfone e me chamaram para o palco ao lado de diretores que tanto me inspiram. Foram momentos mágicos que vou guardar pra sempre comigo com muito carinho.
Uma frase final?
Queria agradecer de todo coração a todos que sempre acreditaram nesse projeto, e não digo isso apenas a minha família e amigos, mas também as pessoas que não tive a chance de conhecer ainda, mas que mesmo assim sempre torceram pelo filme, obrigado de verdade. Espero que tenha valido a pena a espera e que gostem do resultado final.
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