Indonésia continua bombando

O fotógrafo argentino Sebastian Imizcoz está desde abril na Indonésia e conta os detalhes de sua barca por ondas remotas de Nusa Lembongan, Lombok e Sumbawa.

 

Abril tinha chegado e eu só pensava na Indonésia começando a bombar. Mas no mundo havia vários problemas ameaçando pessoas que gostam de viajar: guerra no Iraque, SARS e o atentado em Bali no ano passado.

 

Tudo indicava que muitas pessoas ficariam vendo o mundo rolar pela janela, num belo sofá na segurança de casa. Por sorte, esse não foi o meu caso. Então, decidi aproveitar todas as coisas boas que esta temporada me daria, pois em toda coisa ruim sempre tem uma coisa boa!

 

Assim que cheguei a Bali na metade de abril, logo percebi o desespero dos locais, pois não havia turistas, todos os preços tinham abaixado com relação ao ano passado e o lugar já não era o mesmo.

 

Dava realmente muita tristeza ver aquela pobre gente sem culpa alguma e que, por culpa de algum louco terrorista, perdeu tudo, família, trabalho, lojas sem nem saber direito o porquê. Não podia deixar de passar pelo lugar do atentado e meus olhos não acreditaram ao ver aquele grande espaço que ficou vazio no meio da Rua Legian, onde agora só tem oferendas e pessoas rezaando pelos desaparecidos.
 

Ao chegar no hotel normalmente lotado, fiquei surpreso ao ver só quatro quartos ocupados entre os 50. Bali realmente estava diferente, tentando se recompor. Nas lojas, podiam ser vistas as novas camisetas com inscrições tipo “Fuck Terrorist”, “Osama don’t Surf” ou “No terrorist can’t stop me”.

 

A ilha já não era a mesma coisa, mas as ondas com certeza não tinham mudado.

Em poucos dias já tinha me organizado para ir ao meu primeiro boat trip da temporada, lá estavam me esperando Nusa Lembongan, Lombok e Sumbawa…

 

Passar uma semana num boat trip é algo que recomendo a todo mundo. Você pode ir a picos clássicos e surfar quase sem crowd. Foi assim que chegamos a Desert Point e surfamos sem ninguém, só com as pessoas de nosso barco, sem mais ninguém na água.

 

Também não tinha barcos fazendo a mesma rota naquela semana. Em todos meus anos na Indonésia nunca tinha vindo para Desert. No dia que cheguei e peguei a minha primeira onda fiquei contente com ela, mas triste por não ter ido antes.

 

Só que agora tenho um novo motivo para voltar no ano que vem. Com certeza deve ser uma das melhores ondas do mundo. Logo depois fomos para Sumbawa, surfar Scar Reef, Super Sucks e Yoyo’s. Tirando Yoyo’s, que é uma direita, Scar e Super Sucks são duas esquerdas clássicas da Indonésia, supertubulares, rolando em bancadas rasas de coral, e tudo rodeado por paisagens alucinantes.

 

Passei meu aniversário naquele barco e a minha alegria não podia ser maior, altas ondas por todos lados. Tomamos umas cervejas com a galera no barco e assim passei mais um aniversario na Indo.

 

Na volta, nosso barco parou mais uma vez em Desert para a gente sentir o gostinho dessa onda de novo, e lá estava ela esperando por nós. Ao voltar da boat trip, percebi que os preços para ir pra G-Land também tinham abaixado.

 

No ano passado custava uns U$ 350; agora custa U$ 200. Não duvidei e fiquei checando em Kuta os swells. E quando chegou a hora certa, me mandei para G-Land por sete dias, que no final acabaram sendo 10. O lugar é realmente impressionante, selva mesmo.

 

Eu já tinha estado em vários lugares isolados na Sumatra e em Java, mas nunca em um lugar com tanta vida selvagem, Enquanto anda pelas trilhas, a toda hora tem que olhar para os lados, porque você escuta barulhos que podem ser de lagarto, cobra, esquilo, macaco ou até mesmo um tigre.

 

Este era mais um lugar ao qual eu não tinha tido acesso por causa do alto preço, só que agora agora nesta temporada tudo era mais fácil e acessível. No camping, pouca gente, cerca de 20 pessoas, que não é nada para aquela onda. O atendimento ali é demais, assim com o lugar e a onda.

 

Uma noite, depois de um dia de 6 a 8 pés, lá pelas 21:30 horas, eu tava checando minhas fotos no meu computador no bar do camp, quando ouvi barulhos no mato. Olhei para o lado e fiquei paralisado ao ver um tigre correr trás da presa no meio do mato.

 

Os indonesianos começaram a gritar: “tiger, tiger”, e eu ali, no meio de um bar todo aberto. O tigre passou uma vez e voltou na seqüência. Depois, sumiu no meio do mato…

 

Eu ainda tinha que passar perto daquele lugar para puder chegar ao meu bangalô, com apenas uma lanterninha e mais nada. Você realmente se sente na selva e é isso que a gente gosta.

 

Depois destes dez dias em G-Land, eu já tinha agilizado mais uma boat trip, pois mais um swell estaria entrando na Indo e não tinha como não aproveitar. Foi assim que embarquei mais uma vez para Lombok e Sumbawa.

 

E daquela vez tivemos a sorte de surfar lugares que não tínhamos pego na primeria boat trip, como Lacerations, em Nusa Lembongan, e Gili Air, uma direita difícil de rolar, mas muito boa e que quebra numa bancada muito rasa.

 

Lacerations também é uma onda muito boa e a gente pegou só com uns 4 pés, mas deu para ver que deve ser uma onda a ser respeitada quando com 6 a 8 pés. Assim que cheguei a Bali, fiquei sabendo que entraria outro swell, o maior da temporada ate então. E isso significava que rolaria uma das melhores ondas da Indonésia, Padang-Padang.

 

Por isso, liguei para o Mario, um brasileiro que mora em Bali há muitos anos e que possui um zodiac. Então, fizemos uma parceria para agilizar umas fotinhos nas melhores ondas de Bali naquele swell. E foi assim que trabalhamos uns três dias para fotografar Padang, Bingin, Kuta Reef…

 

Em Padang, o destaque foi para os brasileiros Danilo Grillo, Bernardo Pigmeu e Marcelo Trekinho. Eles simplesmente arregaçaram por lá, pegando tubo atrás tubo, numa festa brasileira. Depois deste swell, estava perto de estourar meu primeiro visto e eu deveria sair do país para conseguir mais um visto de mais 60 dias no paraíso.

 

Agora, vou me mandar para Sumatra e Nias também me espera. Não vejo a  hora de pisar lá e ver todos meus velhos amigos. Mas vou demorar uma semana para chegar lá, passando por Medan, indo para Penang, na Malásia, trocar o visto e chegar em Nias uma semana depois…

 

Bom gente, vou me despedindo, pois lá não terei comunicação por uns dois meses… Tomara que o mundo melhore para quando eu voltar. Enquanto isso, fico por aqui. Mando mais novidades em breve!! Aloha.

 

Clique aqui e veja a galeria de fotos da barca.
 

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