
A princípio, queria escrever somente sobre o campeonato. Só que é impossível tocar neste assunto sem comentar que o Hawaii é realmente um sonho. E é justamente por isso que este campeonato é tão importante para qualquer atleta.
Para os mais novos no circuito, o ideal é pegar muita onda, adquirir experiência e sair dos tubos.
É inacreditável pegar onda no pico só você e mais três pessoas – num mar em que normalmente é impossível pegar onda.
Para os mais velhos, creio que a meta é vencer em Pipeline. Acho que esse é o ideal de todas. Quem nunca sonhou com isso?
Quando começamos a pegar onda, estamos sempre superando nossos limites. Começamos em ondas mais fáceis, como iniciante, depois amador e finalmente como profissional.

Quando enfim se chega à categoria Profissional, dá uma falsa impressão de que chegamos no último estágio. Pura ilusão. Quando se vira profissional, aí sim chega o momento de aprender muito, chega a hora de pegar onda de verdade. Pipeline, Backdoor, fundo de pedra e por aí vai.
A imagem que temos da areia é maravilhosa. A do canal então nem se fala. Agora, a imagem que se tem estando na onda. Ah!! Isso faz valer a pena cada centavo de real que juntamos para estar aqui.
O campeonato com certeza será um show a parte. Não se vê nenhuma outra garota na água sem ser as bodyboarders. As brasileiras quembram há mais de uma década. As japonesas kamicazes estão se jogando e levando as melhores vacas da temporada. É japonesa voando pra todos os lados e o mais engraçado é que parecem sempre as mesmas (brincadeirinha).
Magia acho que é a palavra que melhor define o Hawaii, é tudo muito lindo e até os turistas mais leigos, sentam na areia para admirar as ondas e conseqüentemente os ?malucos? que estão nelas.
O time brasileiro está forte e muito bem representado. Destaque para o retorno das bicampeãs mundiais Soraia Rocha e Daniela Freitas – após terem sido mamães. A dupla dinâmica Karla Costa e Neymara Carvalho, como sempre firmes e fortes, vão dar muito trabalho para as mais velha e para as atletas da nova geração.
Na estréia vem eu e a carioca Clara Feldman. Este evento com certeza é o mais importante do circuito. Pipe é uma onda muito difícil, principalmente, para quem está acostumada com fundo de areia.
Mas como já disse: Ser profissional é aprender a pegar onda de verdade. Amanhã começa a competição, estamos todas ansiosas.
Um recadinho pra quem está aí no Brasil, em especial para as meninas: Batalhem, tenham garra e venham, porque aqui é muito bom.