“Eu encontrei as ilhas dos meus sonhos”, disse meu amigo ao voltar de uma trip de 20 dias por Ilhas Maldivas.
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O cara estava tão empolgado, contando tantas historias e mostrando fotos, que era até frustrante ficar ao lado dele pensando em como seria se eu estivesse naquela ilha mágica da qual falava com tanto carinho.
Aquelas histórias e contos da ilha ficaram na minha cabeça por mais de um mês, e cada dia que passava eu sentia mais vontade de conhecer o arquipélago.
Resolvi então colocar o plano na ativa e fazer a barca para Mal. Entrei em contato com
um brother dono de uma agência de viagem e ele arrumou tudo.
O único problema era esperar dois meses para chegada de abril, quando rolam os melhores swells.
Fiquei dois meses pilhado, esperando, planejando ansioso para conhecer os Atóis mágicos das ilhas Maldivas.
O Arquipélago das Maldivas é localizado ao Sul do Continente Asiático, no oceano Índico. São mais de 1000 ilhas com muita beleza e um visual exuberante.
As ilhas formam 26 atóis. A maioria das ilhas é inabitada, desertas. São habitadas pouco mais de 160 ilhas em todo arquipélago.
A língua oficial é o Dhivehi em toda ilha, aliás, bem difícil de entender. Mas a população já difundiu o inglês como uma segunda língua devido ao grande turismo pelo arquipélago.
Depois de dois meses de espera, finalmente embarquei no dia 10 de abril. Fiz uma rota bem cansativa, Floripa – RJ – Paris – Qatar – Mal.
Chegando ao aeroporto, encontrei alguns problemas para entrar por causa do visto e das pranchas, apesar de que estava tudo em ordem.
Depois de quatro horas de diálogo e muita insistência, me deixaram entrar… ufaaa!! Peguei um táxi e fui para o Resort onde ficaria instalado nos três dias seguintes.
O resto da trip eu seria feita de veleiro, já que queria conhecer todos os secrets spots da ilha. Se você tiver condições financeiras é altamente recomendável alugar um barco para poder aproveitar todo potencial de ondas da ilha.
Lohifushi era o resort escolhido para hospedar, pois na frente desse hotel rolam altas ondas e só quem fica no Resort pode surfar.
Logo no primeiro dia, no final da tarde, fui pegar onda em Lohi’s, uma esquerda muito gostosa de surfar e que quebra em um fundo de coral.
Fiquei impressionado com aquele visual, aquela cor da água cristalina, a luz no lip, aquelas ondas perfeitas quebrando à minha frente.
Na primeira onda remei sozinho, peguei um longo tubo, seguido de duas rasgadas e fechando com um aéreo.
Diverti-me muito em Lohi’s, para mim sem dúvida um dos melhores picos de Mal.
No dia seguinte, acordei bem cedinho e fui pegar onda em Ninjas, uma direita boa para mandar várias manobras, mas, uma onda simples sem nada de espetacular.
Nos três dias em que fiquei hospedado em Lohifushi, surfei quase todos os picos do chamado Atol Malé Norte ? Cokes, Sultans, Past Point, Chickens.
Mas, com certeza o melhor pico foi Lohi’s, onde surfei todos os dias e fiz sessions animais!
Agora era hora de começar a melhor parte da trip: a viagem de veleiro. Na embarcação, eu e mais quatros surfistas ? três italianos e um espanhol.
Fiz amizade com os italianos bem rápido. Conversamos bastantes e demos boas risadas. O veleiro era maravilhoso, com cinco quartos, dois banheiros, uma salinha animal, tinha até uma mesinha de sinuca, um sonho!
Nossa trip pelos Atóis mágicos estava apenas começando. Nosso objetivo era os Atóis de Sul!
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No primeiro dia de nossa trip de barco, resolvemos pegar algumas ondas no Atol Norte. Surfamos Jails, uma direita tubular e forte.
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O pico fica em frente a uma prisão e o acesso só pode ser feito por barco. Foi o maior dia que surfei até então, rolando 3 metrinhos com várias seções, uma seguida da outra.
No meu primeiro drop, depois de quase meia hora esperando já que o crowd no line up era massante, dropei a onda e cai de costas. Com a onda já rodando, consegui me ajeitar com um lay back e tirar um tubo de 5 segundos…
Foi show! Ficamos mais de quatro horas destruindo tudo… No mesmo dia, no final da tarde, surfamos Honky’s, a esquerdinha de Sultans. Surfamos até escurecer.
À noite, partimos em direção aos Atóis Centrais, onde chegamos depois de horas. Logo piramos com o visual e nenhum crowd.
“Não tem ninguém?, exclamou o espanhol. Bem diferente do Norte, o Atol Central não tem crowd. Só você, a onda e a natureza.
Era 5:30 da manhã e acordamos pilhados para surfar umas das ondas mais famosas, Gurus. Estava rolando 2 metros e ninguém no paraíso.
No horizonte, aquele sol maravilhoso nascendo e refletindo na água cristalina de Gurus. Havia esquerdinhas e mais esquerdinhas cavadinhas perfeitas, não podia ser melhor!
Foram cinco horas de alucinação no oceano Índico. Saímos do mar rindo à toa com a nossa session, e sedentos por um rango…
No dia seguinte foi a vez de Bowling Alley, uma esquerdinha muito forte, a propósito um dos meus picos favoritos entre vários durante a trip. Peguei longos tubos nesse spot.
Ao anoitecer, começou cair o mundo na ilha, um temporal absurdo. Ficamos realmente assustados no barco, pois o negócio ficou feio, raios, trovões e muito vento, parecia um tsunami que estava por vir.
Acordamos acabados no dia, já que foi bem difícil conseguir pregar o olho com aquele balanço do barco devido à tempestade.
Foram cinco dias seguidos de chuva e nada de onda… entediante! De dia, mergulhávamos e pescávamos quando a chuva parava. Mas, à noite, o tédio tomava conta e o jeito era jogar uma sinuca e tocar violão para distrair.
No último dia de chuva já estávamos pensando em voltar, pois não agüentávamos mais ficar presos no barco. Se chovesse por mais um dias íamos pirar na barca.
No dia seguinte, Deus nos abençoou com um tempo aberto, com muito sol, mas poucas ondas. Mesmo assim valeu. Só de sair do barco estava ótimo.
Ao total ficamos 10 dias surfando ao redor do Atol Centrais. Encaramos diversos spots virgens, com ondas perfeitas com excelente formação, com cerca de 2 metrinhos.
Os dois últimos dias foram alucinantes, pois entrou um swell não muito forte, mas que rendeu sessions inesquecíveis!
Como a que rolou em Mada’s, o dia dos aéreos, um atrás do outro, flips, grabs, varials… Além de ficarmos inventado manobras absurdas!
Conrado, o espanhol, surtou. O cara literalmente viajava nos aéreos, foram raros os que ele conseguia completar, mas valeu pelas boas gargalhadas que demos com o figura.
Cansados, afinal navegamos 18 dias seguidos, chegamos ao Atol Sul. Que traz no seu menu picos virgens e ondas power. Infelizmente, para nosso azar, não pegamos dias de ondas grandes.
Nos dias de sorte surfamos 2,5 metros. Fiquei imaginando como deve ser maravilhoso aquele pico quando entra um swell forte. Não tivemos essa sorte, mesmo assim valeu conhecer os spots de Sul da ilha.
Surfamos muito no Atol de Gaafu Dhaalu, em Five Islands, Two Ways, entre outros picos famosos e virgens.
Blue Bowls, minha favorita do Atol Sul, quebrou 2 metros em nosso melhor dia no Sul. A onda é uma direita bem comprida que vale alguns salões azuis mágicos.
Depois de muito surf, aventuras, milhas e milhas navegando, natureza, sol, risos e sinuca, voltamos ao ponto de partida.
Sem nenhum arrependimento de ter passado dias sem ondas, de ter encarado tempestades, entre outras coisas… mais sim com uma alegria e satisfação tremendas.
Só quem surfa sabe definir como é maravilhoso esse esporte, um estilo de vida que proporciona lembranças e momentos inesquecíveis.
Com certeza as Maldivas e seus Atóis mágicos vão ficar marcados em minhas lembranças de uma das melhores barcas que já fiz na minha vida.
Quando estava embarcando de volta ao Brasil, fiquei pensando numa simples frase que poderia definir as Maldivas.
E lembrei das palavras mágicas de meu brother e que me fizeram embarcar para essa trip.
“Eu encontrei as ilhas dos meus sonhos”. Hoje, posso dizer com certeza que não há palavras melhores para definir esse paraíso no meio do oceano Índico.

