Ilha dos Lobos na mira dos big riders

Uma das maiores e mais pesadas ondas do Brasil, a Ilha dos Lobos, em Torres, Rio Grande do Sul, pode voltar a ser alvo dos surfistas.

 

No último dia 4 de julho, a área, até então caracterizada como Reserva Ecológica da Ilha dos Lobos (o que impedia qualquer tipo de atividade no local), foi alterada por um decreto de lei para Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos.

 

A mudança foi o primeiro passo para, num futuro próximo, a liberação controlada da prática do surf e tow-in no local. Um dos responsáveis pela conquista é o surfista local Zeca Scheffer, que defende a abertura ordenada do pico para o surf.

 

Ele explica que depois da nova qualificação, a próxima etapa será apresentar um estudo ao IBAMA e comprovar que a prática esporádica e ordenada do surf e tow-in não irão causar danos ao ecossistema local.

 

“A oficialização da nova categoria da ilha foi  uma grande vitória para o Município e para o surf. Agora o local existe juridicamente, com seus devidos fins e leis vigentes, mas também abre a possibilidade de atividades ordenadas em sua área de entorno. Temos que comprovar que atividades ordenadas e esporádicas de surf e tow-in não são danosas ao ecossistema local. Um estudo de impacto ambiental no local já está sendo agendado pelo IBAMA local a fim de comprovar tais fatos. Enquanto isso as atividades de surf e tow-in continuam expressamente proibidas”, explica Scheffer.

 

“Estamos trabalhando para que as leis que regem a atual categoria sejam efetivadas. O surf de remada e o tow-in estão proibidos até segunda ordem e só serão permitidos se for comprovado que não causam danos ao ecossistema, após um estudo de impacto ambiental e plano de manejo estabelecido. Estamos trabalhando exaustivamente com todos os órgãos que envolvem a possibilidade desta atividade junto ao refúgio, e temos a colaboração de toda a comunidade e órgãos públicos. Além de ser a melhor e maior onda do Brasil, a liberação ordenada do surf no local permitirá que nossos atletas possam treinar em ondas bem potentes”, conclui.

 

Segundo Scheffer, que é o presidente da AGT – Associação Gaúcha de Tow in, a destruição dos recursos naturais nas quais foram baseadas as denúncias e proibições que penalizaram surfistas não condizem com a realidade. Por isso a AGT vem trabalhando junto aos órgãos competentes para esclarecer dúvidas e liberar o mais rápido possível a atividade de surf e tow-in no local.

 

Ele ressalta que no caso de alguém ser pego na área de entorno do refúgio sem as devidas autorizações, ficará sujeito às punições vigentes na categoria: em uma primeira abordagem, apreensão do material utilizado e aplicação de multa. Se for reincidente, poderá ser preso, sem direito a fiança, conforme as leis ambientais vigentes.

 

“A liberação também colocará o Brasil no mapa das grandes ondas mundiais, criando uma temporada nacional e fomentando o turismo, que para a comunidade local é de suma importância. O município vive nos dois meses de verão e sobrevive no período do inverno, então esta temporada preencheria uma lacuna importante no município. Com a exploração ordenada do refúgio poderíamos atrair interesse de empresas privadas, canalizando assim recursos para investimentos na preservação do ecossistema local, como acontece em outras unidades (Fernando de Noronha). O IBAMA local, representado pelo Sr. Nei Cantaruti, tem ajudado muito, informando e colocando-se a disposição para quem quiser saber mais informações sobre o andamento do caso”, conclui.

 

Nos dois últimos anos a onda da Ilha dos Lobos vem quebrando solitária, em respeito e reconhecimento às exigências e determinações do IBAMA, órgão encarregado da fiscalização no local.

 

Para obter mais informações entre em contato com a AGT – Associação Gaúcha de Tow-in
nos telefones (0xx51) 626-2335 e (0xx51) 9223-1301 ou envie mensagem para [email protected] .

 

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