Ikaika Kalama é a renovação no tow in

O surfista havaiano Ikaika Kalama ganhou a chance de sua vida quando o atual campeão da Tow In World Cup, Garret Macnamara o convidou para ser seu parceiro nesta temporada. Vencedor da Expression Session junto com seu companheiro, o havaiano acredita que a união é a base do sucesso da nova dupla.

 

?Garret me faz pegar pesado e nós incentivamos um ao outro. É difícil dizer como seria as coisas sem ele como parceiro. Só sei que, sem ele, eu não estaria nem na World Cup? disse Ikaika, que tem 22 anos enquanto seu parceiro tem 34.

 

Local do Hawaii e com muito respeito a sua cultura, Ikaika segue os ensinamentos do pai, que foi do Havaí ao Tahiti seguindo as estrelas, e acredita pode ser capaz de tudo o que quiser. Favoritos para esse ano,?Power?, como é  chamado, acredita que Rodrigo ?Monster? Resende, que venceu no ano passado competindo com MacNamara,  não é seu maior adversário, mas sim a natureza.
 
?Rodrigo é realmente um sujeito sensacional e desejo toda sorte à sua dupla, mas acho que nosso adversário mais duro será o mar de Jaws? disse.

 

A Tow In World Cup continua em período de espera por ondas de 50 pés e condições perfeitas de surfe. No momento, apesar de boas ondas nos picos, não há possibilidade para a realização do campeonato.  Surfistas e jet skis ainda esperam pela ?tempestade perfeita?. A janela do evento se encerra no dia 28 de fevereiro.

 

Confira a entrevista com o atleta.

 

Seu pai teve a honra de fazer parte da tripulação da primeira viagem do Hawaii ao Tahiti em canoas havaianas, em 1976. Isso teve algum impacto especial em sua vida?

Totalmente! Tenho muito respeito por toda a tripulação e pelo o que eles fizeram pela cultura havaiana. Se uma pessoa pode navegar usando apenas as estrelas, sinto que, como havaiano, posso fazer qualquer coisa em que acredite.

 

Sua árvore genealógica é como um “quem é quem” dos watermen havaianos. Além de seu pai, mais alguém o inspirou?


Buffalo Keaulana, acima de todos. Mas a lista segue em frente e vou citar apenas alguns. Caras como Duke, tio Terry Ahue, tio Mel Pu?u e tia Rell Sun foram todos importantes inspirações. Tio Brian Keaulana, para mim, não é apenas o melhor, mas o mais importante waterman que existe. Tenho observado tudo o que ele faz no oceano, mas ele também é inspirador em terra.

 

 

Neste momento, vocês estão de sobreaviso, esperando Jaws quebrar para a World Cup. Garret McNamara, seu parceiro, venceu a edição do ano passado, ao lado de Rodrigo “Monster” Resende. Agora vocês são os favoritos para vencer este ano, especialmente depois da performance na expression Session. Você sente alguma obrigação de repetir o que Garret e Monster conseguiram no ano passado?


Sim, vencer!!! (risadas…) Acho que todas as equipes possuem competidores muito fortes. Dou total crédito ao que Garret e Monster fizeram no ano passado. Rodrigo é realmente um sujeito sensacional e desejo toda sorte à sua dupla. Mas acho que nosso adversário mais duro será Pe?ahi.

 

Apesar de ter ganho a Expression Session, a vitória não veio sem dor. O que aconteceu com seu ombro durante o evento?

 

Eu tinha surfado algumas ondas boas e estava me sentindo à vontade ? este foi meu erro. Peguei uma bomba, cavei no bowl do inside e parti para passar a seção. Achei até que tinha conseguido, até que enterrei a borda e a prancha travou. Foi horrível depois disso. Voei para frente e caí em cima do ombro. Quando voltei à superfície, percebi que meu ombro tinha saído do lugar, e estava doendo como o inferno. Resumindo, tive de recolocar meu ombro no lugar ali mesmo. Garret disse para terminarmos a session, mas eu respondi que queria pegar mais uma. No fim das contas, ainda surfamos quatro ondas sólidas.

 

Seu apelido é “Power”. De onde vem?

 

Ah, eu não sei. Garret diz que é porque sou um power surfer e, por isso, ele me chama assim. Na verdade, Ikaika, em havaiano, significa força ou resistência. É tudo o que posso dizer sobre isso.

 

Como funcionam as coisas lá fora, entre séries de 40 pés? Como vocês se comunicam? Como vocês sabem a hora certa de pegar a onda?

 

É dai que vem a importância do treino. Lá fora, comunicação é tudo. Cada equipe tem seu método de comunicação. Garret e eu vamos no instinto na onda que consideramos melhor. Temos praticado tanto juntos que já sabemos o que o outro quer, não importa quem está na corda ou no jet-ski.

 

Você e Garret fizeram tow-in em Waimea em 6 de fevereiro de 2002. Até onde eu sei ninguém tinha feito isso antes…

 

Aquilo foi tão irado, bro! A novidade foi que fomos os primeiros a fazer aquilo. Não estava gigante nem nada, mas tivemos de lidar com séries de 15 a 18 pés, ondas com a face crespa e oceano confuso. Houve muitos bowls bons e algumas seções malvadas para passar. Como diz Garret, acabou sendo um treinamento divertido.

 

Você deve ir para o Tahiti com seu pai e sua filha. O que vai fazer lá?

 

Assistir ao casamento de amigos. Será muito divertido com a família e os amigos. Estarei em contato com Arsene Harehoe e Teva Noble, dois famosos tow surfers de lá. Também participarei de um campeonato em Point Venus, chamado Da Hui Annual. Deverá haver um bom swell…

 

Você é muito mais novo do que Garret, e a maioria dos tow surfers conhecidos diz que idade e experiência são fundamentais para o sucesso do atleta e da dupla. Como você acha que teria se saído na expression Session sem Garret?

 

Garret me faz pegar pesado e nós incentivamos um ao outro. É difícil dizer como seriam as coisas sem ele como parceiro. Só sei que, sem ele, eu não estaria nem na World Cup.

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