No começo do mês de março, eu e minha esposa Tatiana ficamos em São Francisco, Califórnia (EUA), cidade localizada perto de Mavericks e a três horas do Lago Tahoe.
São Francisco é muito frio. Às vezes quando acordo para ir surfar o carro está com uma camada de gelo por cima. Mas mesmo assim vou todos dias cedo. Tomo meu chimarrão e bora checar o surf.
Quando cheguei aqui, a previsão de vento não era das melhores. Achei que nem iria conseguir surfar durante a semana toda. Mas lá é assim, às vezes está um vento horrível e a qualquer hora ele pode mudar, dando condições para o surf.
O negócio é sempre ficar de olho, e foi por isso que todos os dias eu ia até Mavericks e ficava na expectativa. Quando o vento virava vestia a minha armadura de borracha e pulava na água.
Tive a grande chance de surfar um dia sozinho no pico. Estava lá olhando e vi que estava meio mexido, com séries que passavam os 5 metros. Já estava louco para entrar e sabia que uma hora iria ficar bom. Liguei para todo mundo que eu conheço, mas estavam todos no trabalho ou fazendo outras coisas e ninguém podia vir.
Tive que me agilizar, pois sabia que o vento estava diminuindo e teria pouco tempo, pois só a remada até o pico pode chegar a 40 minutos. Da praia vi que tinha onda, mas nenhuma alma viva no pico, nem olhando e nem com prancha.
Decidi remar até lá fora só pra dar uma olhada. Chegando ao pico parecia um sonho, ninguém por perto. Logo vi uma série grande e surfável. Lembrei logo das histórias do famoso Jeff Clark, pioneiro em Mavericks e que por 15 anos surfou aquela onda cabulosa e fria sozinho.
Coloquei toda a minha atenção em me alinhar direitinho no pico para não tomar a série na cabeça, e comecei a pegar onda.
Às vezes vinham focas e golfinhos que me davam uma olhada. Não havia tempo de ficar com medo dos bichos, pois tinha que prestar muito atenção no alinhamento.
No final da história peguei altas ondas, mas me cuidando muito para não cair. Quando o espumão me pegava, só tive que soltar a prancha. Em uma onda que não me pegou, mas quase arrebentou minha cordinha, por pouco não perdi a prancha. Foi uma das melhores sessões de surf que já tive, por estar sozinho naquele lugar e pela adrenalina forte.
Este foi um dia que eu nunca mais vou esquecer. Pena que a Tati não estava lá para filmar, mas por outro lado até foi bom, pois assim parecia que eu estava em um tempo mais antigo.
Outro lugar legal que eu surfei foi Fort Point, pico localizado debaixo da Golden Gate, aquela famosa ponte de São Francisco.
Esta onda é muito louca. Ela faz uma curva e vem de um canal muito fundo e cheio de correntezas. Este é um lugar que vale a pena surfar, mas tem que respeitar o crowd local, não muito amigável. Não tive problemas, pois respeitei muito a galera e peguei altas ondas em que ninguém remava.
O pior é entrar e sair do mar, tem que ser pelas pedras. O pico é muito bonito, um visual muito diferente de qualquer outro que já vi. Muito bonito mesmo.
No final da viagem fomos para o Lago Tahoe. Ver esta tal de neve que nós nunca tínhamos visto. Seguimos viagem, eu a Tati e o Vini, nosso amigo que mora lá.
O objetivo era ver neve e fazer snowboard. Já na estrada, começamos a ver um pouco de gelo nos acostamentos. Na hora deu vontade de sair logo do carro e tocá-lo. Mas seguimos até a estação de ski e lá sim nós viramos umas crianças, tocamos bastante na neve e até por grossura, colocamos um punhado na boca para ver que gosto tinha.
O ruim é que depois o queixo congela e parece que vai cair. O snowboard não é muito fácil de praticar, depois de algumas descidas na rampa de principiante, nós fomos para as lombas maiores. A descida dura uns 15 minutos, muita velocidade. É diversão pura.
Valeu galera, espero que gostem. Fiquem de olho no nosso blog que logo terá mais notícias.
Igor Lumertz conta com o apoio da Team Original Surf. Ele já voltou ao Hawaii e no meio desta semana vai novamente para a Califórnia, onde tenta pegar mais um swell.
Fonte Igor Lumertz.blogspot







