Aos 26 anos, o carioca Igor de Morais comemora a tão sonhada vaga na elite do surf brasileiro.
Dono de um surf forte, muito aguerrido, Igor tem tudo para dar muito trabalho aos tops na próxima temporada.
Atualmente sem patrocinador principal, o carioca luta para fechar um bom contrato e poder competir com tranqüilidade nos próximos circuitos.
Além de surfista profissional, Igor é formado em Fisioterapia. Nesta entrevista, o carioca comenta sua carreira e revela os planos para o ano de 2008.
Como foi seu planejamento para conseguir a vaga na elite brasileira?
Muita seriedade nos treinos e uma forte preparação física na academia Roberto Camargo. Com certeza foi o que fez a diferença pra que eu conseguisse essa vaga.
Ao contrário de outros atletas, você preferiu trilhar um caminho diferente: formou-se e depois entrou na elite do surfe brasileiro. Por quê?
Quando eu era amador, nunca tive a oportunidade de correr todas as etapas dos circuitos locais. Além de meus pais não apoiarem, sempre priorizaram os estudos.
Então, quando tinha prova não podia competir por ter de estudar no fim de semana. Como todo moleque fissurado, o surf estava acima de tudo, mas na verdade não sabia se seguir a profissão era o que eu realmente queria.
Foi quando entrei na faculdade de Fisioterapia e, no meio do curso, decidi que seria surfista profissional a qualquer custo e que, quando me formasse, cairia direto no circuito. Terminei o curso em 2003, mas só a partir de 2004 comecei a correr o circuito integralmente, me dedicando 100%. E graças a Deus, o ano de 2007 está sendo um ano iluminado: consegui minha vaga na elite brasileira pelo caminho mais difícil, que é o Brasil Tour, consegui apoio para competir nas etapas do WQS no Brasil, fui campeão do Circuito ASBT Pro/Am e estou entre os cinco primeiros no ranking carioca e ranking Sudeste. Que 2008 seja ainda melhor!
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Este ano, o Rio de Janeiro teve um circuito com muitas competições. Até que ponto isso influencia no seu desempenho, rip, etc?
Competir em casa tem um gosto especial e a motivação de ganhar é ainda maior quando se tem a torcida a seu favor. Outro fator importante é o ritmo de bateria que se adquire competindo em várias etapas consecutivas e, é claro, a importância de ter um circuito carioca que classifica um atleta para a elite brasileira.
Você investiu no circuito mesmo sem ter um patrocinador principal. Como estão as suas expectativas com relação a um patrocínio mais forte?
No Brasil, todos os atletas têm dificuldade de fechar bons patrocínios e isso já é realidade há muito tempo. Infelizmente, no início de carreira você tem que investir por conta própria mesmo, acreditar muito em você e mostrar seu potencial.
Tenho certeza de que todo grande empresário percebe quando o trabalho é feito com seriedade e profissionalismo. As coisas acontecem quando você menos espera, basta acreditar!
Ano que vem o circuito brasileiro terá o mesmo formato do WCT. O que você achou da mudança?
Achei interessante por valorizar ainda mais os atletas da elite e por ser um formato mais justo para todos os tops, pois todos entram na água na mesma fase, assim como no WCT. Mas, em contrapartida, muita gente boa vai ficar de fora e hoje o que vemos é uma segunda divisão injusta, com pouquíssimas etapas que não definem quem realmente merece subir, por não ter muitos descartes. O ideal seria duplicar o número de etapas tanto do circuito brasileiro como do Brasil Tour. Aí, sim, seria justo para todos.
Você pretende correr o WQS em 2008?
Com certeza é o que eu mais quero, mas pra isso preciso de um bom patrocínio para que eu possa chegar às etapas pensando apenas na minha performance dentro dágua, e não nas despesas no fim do mês.
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Além do surfe no dia-a-dia, você desenvolveu um trabalho com o Rick Lopes, que além de locutor é treinador. Como isso funcionou?
Eu sempre gostei muito de treinar, acordar cedo, testar as pranchas, ver as imagens, etc. E o Rick é um cara que sempre acreditou muito em mim, no meu potencial, e sempre acreditou nessa filosofia de trabalho.
Desde o início do ano de 2007 a gente vem trabalhando junto, com muita seriedade, e o nosso objetivo principal, que era a vaga no circuito brasileiro, foi alcançado. É uma parceria que, com certeza, vai render bons resultados durante um bom tempo!
Qual o ponto forte e o ponto fraco do seu surfe, e como você está aprimorando?
Adoro surfar ondas fortes e buraco, é onde eu consigo encaixar bem as manobras e me expressar melhor. Em contrapartida, tenho muita dificuldade de surfar ondas fracas e cheias, parece que mesmo eu fazendo várias manobras na onda sinto que não fiz nada, apenas alisei (risos).
Quais as suas manobras preferidas?
Apesar de não achar uma manobra, e sim um momento e um momento único, o tubo é a melhor sensação dentro do surf, com certeza. Mas adoro entrar bem na parte critica da onda com velocidade, sentir as quilhas gritando em baixo dos pés e inverter a direção da prancha apontando o bico pra espuma. Na real, acho que toda manobra, quando bem feita, é alucinante!
Em termos de resultados, quais as suas expectativas para 2008?
Quero brigar pelo titulo de campeão brasileiro e, se tiver condições de correr o circuito inteiro, conseguir uma boa posição no ranking do WQS também.
Perfil
Nome completo: Igor de Morais
Idade: 26
Tempo de surfe: 12 anos
Patrocínio: à procura
Apoio: Bintang, Domino´s Pizza
Shaper: Leo Tavares
* Cortesia Midiabacana





