Brasil Surf Pro

Ibelli barra atual campeão

Caio Ibelli supera Jean da Silva e avança às oitavas-de-final do Brasil Surf Pro. Foto: Fábio Minduim.

Alan Jones anota recordes do terceiro dia. Foto: Fábio Minduim.

Com boa estratégia e posicionamento correto, o paulista Caio Ibelli, 17, eliminou o atual campeão brasileiro Jean da Silva nesta sexta-feira na terceira fase do Brasil Surf Pro 2011.


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Em ondas de meio metro e formação regular na praia do Cupe, Ipojuca (PE), o caçula do evento e campeão brasileiro Pro Junior de 2010 levou a melhor sobre o catarinense pelo placar de 14.33 a 10.70 no oitavo duelo do dia.

 

Ibelli optou por uma estratégia diferente para vencer. O atleta do Guarujá se posicionou à esquerda do palanque, onde quebravam as melhores ondas na maré cheia do Cupe. Jean seguiu a maioria dos atletas e ficou mais à direita da área de competição.

 

“Olhei o mar antes da minha bateria e vi que estava entrando uma direita boa. Ninguém tinha surfado lá ainda, acreditei nesta onda e ela veio. Estou muito feliz por continuar no campeonato. Agora é seguir em frente”, comemora Ibelli.

 

O paulista abriu a bateria com nota 8.00 em uma bela sequência de batidas de frontside até a beira da praia. Ele ainda aumentou a diferença em uma esquerda bem trabalhada de nota 6.33. Jean ficou precisando de nota 10 para reverter o placar mas, em condições difíceis, conseguiu apenas 6.37 em uma esquerda finalizada com um aéreo.

 

Com a vaga garantida nas oitavas-de-final, Caio Ibelli terá que remarcar sua passagem para Ericeira, Portugal, onde disputa entre os dias 14 e 19 de junho a etapa Prime da divisão de acesso para o World Tour.

 

“Quero competir o Brasileiro. É muito forte e dá um preparo grande para o circuito mundial. Meu voo para Portugal está marcado para amanhã (sábado), mas tomara que eu consiga mudar a passagem. Quero ir até a final deste campeonato no Cupe”, afirma Ibelli.

 

Jean da Silva é outro que viaja de Pernambuco direto para a Europa. Ele lamentou a derrota para Caio Ibelli e o momento de maré cheia na praia do Cupe.

 

“A bateria foi difícil para mim, não peguei nenhuma boa onda. A maré encheu muito e o mar ficou ruim. O Caio conseguiu achar duas ondas, soltar as manobras e surfou bem. Espero melhorar agora em Portugal”, comenta Jean.

 

Quem também segue na briga pelo título é o potiguar Alan Jones, defensor do título da etapa de Ipojuca e atual vice-campeão do Brasil Surf Pro. O surfista anotou os recordes do dia no duelo contra o cearense Arthur Silva, válido pela nona bateria da terceira fase.

 

Jones abusou da velocidade e das manobras no crítico da onda para anotar 8.17 em uma direita de frontside e 7.67 em uma esquerda até o inside. Ele derrotou Arthur por 15.84 a 11.07 e saiu da água com a maior nota e o maior somatório do terceiro round. 

 

“Ano passado me destaquei no começo do BSP e acabei em segundo do ranking. Não tive um bom rendimento durante a temporada, viajei muito e cheguei a alguns campeonatos em cima da hora. Mas serviu de experiência. Agora acertei as pranchas e estou preparado para tentar o título”, afirma Jones, em seu segundo ano no circuito brasileiro.


Nordestinos ao ataque Em vários duelos desta sexta, os atletas da região Nordeste levaram a melhor sobre os atletas da região Sul / Sudeste na luta por uma vaga nas oitavas-de-final. Foram nove vitórias dos nordestinos contra três dos atletas do Sul do país em 12 dos 16 confrontos realizados nesta sexta-feira no litoral Sul pernambucano.

 

 Na terceira bateria, o cearense Marcio Farney levou a melhor sobre o carioca Gustavo Fernandes depois de virar o placar na última onda. Em um momento bom do mar na praia do Cupe – sem vento e com ondas lisas – Farney aplicou três batidas de backside para anotar 5.30 pontos e vencer por 11.50 a 11.37.

 

“O vento agora está fraco, mas em compensação as séries estão bem demoradas. O posicionamento é fundamental. Dei mole na prioridade e o Gustavo virou. Mas achei aquela esquerda e estou feliz da vida. Fazia tempo que não passava uma bateria importante. Serviu para aliviar a pressão”, comenta Farney.

 

Na bateria seguinte, Patrick Tamberg, atleta que defende a bandeira de Fernando de Noronha (PE), derrotou o paulista Heitor Pereira depois de surfar apenas três ondas contra dez do adversário. Em seu segundo ano no Circuito Brasileiro, Tamberg somou notas 7.00 e 6.00 com boas pauladas de backside para superar Heitor pelo placar de 13.00 a 11.17.

 

“Na minha opinião o Heitor é um dos melhores atletas do país. Representa muito ganhar dele. Usei a estratégia de escolher as melhores ondas e deu certo. Queria mandar um abraço pra minha família e pra toda a galera de Noronha”, comemora Tamberg.

 

Já o pernambucano Halley Batista continua fazendo a alegria da torcida local com grandes atuações na praia do Cupe. Desta vez a vítima foi o paulista Ricardo Ferreira, que acabou derrotado na sexta bateria do terceiro round pelo placar de 13.50 a 6.83.

 

Posicionado bem à direita do palanque, Halley soube aproveitar as ondas ao máximo e tirou 7.33 em uma direita rabiscada até o inside. O atleta da vizinha Maracaípe ainda fechou o somatório com uma rabetada de 6.17 para comemorar a vaga nas oitavas.

 

“As ondas estão boas, estou com o apoio da minha família e isso ajud muito. Vou continuar fazendo o meu trabalho. Quero muito tentar esse título brasileiro aqui perto de casa”, declara Halley.

 

Outros atletas da região Nordeste que levaram a melhor em baterias contra os surfistas do Sul / Sudeste nesta sexta-feira foram Isaías Silva (CE), Jano Belo (PB), Franklin Serpa (BA), Michel Roque (CE), Edvan Silva (CE) e John Max (RN).

 

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Tomas Hermes avança com boa atuação em Ipojuca. Foto: Fábio Minduim.

Visual paradisíaco da praia do Cupe. Foto: Fábio Minduim.

Exceções O catarinense Tomas Hermes, o capixaba Krystian Kymerson e o carioca Simão Romão conseguiram vencer seus duelos contra atletas do Nordeste nesta sexta-feira. Na quinta bateria, Tomas Hermes deu poucas chances ao cearense Felipe Martins depois de largar na frente com quatro batidas de backside de nota 7.67.

 

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Campeão da última etapa do Brasil Surf Pro de 2010 na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ), Tomas ainda aumentou a vantagem com um aéreo rodando que lhe rendeu 6.93 dos juízes. Martins buscou a reação, mas com notas 5.00 e 6.53 acabou eliminado do evento.

 

“A estreia tem sempre uma tensão maior. Pretendo ficar mais relaxado para os próximos rounds. Quero focar neste título este ano, que é muito maneiro e é importante ter um título brasileiro no currículo”, diz Tomas.

 

O capixaba Krystian Kymerson, atual campeão brasileiro Pro Junior, derrotou o baiano Rudá Carvalho com um bom repertório de manobras e conseguiu a classificação às oitavas com o placar de 12.84 a 8.80. Já Simão Romão derrotou o alagoano Tânio Barreto na última bateria do dia por 11.17 a 9.77 com boas batidas de backside.

 

Clássicos estaduais Dois duelos entre atletas do mesmo estado foram outros destaques do terceiro dia do Brasil Surf Pro no Cupe. O primeiro deles reuniu os baianos Bruno Galini e Marco Fernandez. Quem levou a melhor foi Galini, surfista de Ilhéus, que usou manobras fortes para derrotar o amigo de Arembepe por 12.67 a 9.77.

 

“Foi uma bateria difícil, o Marquinho surfa muito. Passou duas baterias muito bem nas fases anteriores e sabia que tinha que arriscar tudo para conseguir notas altas. O mar está muito difícil, mas consegui fazer duas notas seis e pouco e deu para administrar a bateria no final”, afirma Galini.

 

A outra disputa reuniu dois cearenses com experiência no circuito brasileiro. Nascidos em Fortaleza, Messias Félix e André Silva protagonizaram um duelo de alto nível nas marolas do Cupe. Melhor para Messias, campeão brasileiro de 2009 e que conseguiu bons aéreos para vencer o atleta do Titanzinho por 12.23 a 8.86.

 

“O André é um grande atleta, sabe se posicionar muito bem. Cresci vendo ele surfar, então sei o quanto tive que me esforçar para passar a bateria. O vento ajudou para dar aqueles aéreos. Aqui no Cupe me sinto mais à vontade para executar essa manobra”, vibra o surfista, local da praia do Náutico.

 

Feminino As atletas da categoria Feminino do Brasil Surf Pro não entraram na água nesta sexta-feira na praia do Cupe. As semifinais já foram decididas e a cearense Tita Tavares encara a catarinense Gabriela Leite no primeiro duelo. Na outra chave, a paulista Luana Coutinho enfrenta a paraibana Diana Cristina.

 

Uma nova chamada acontece neste sábado às 7:15 horas (horário de Brasília). Clique aqui para ver o evento ao vivo.

 

Terceira fase do Brasil Surf Pro 2011

 

1 Isaias Silva (CE) 10.34 x 8.60 Leonardo Neves (RJ)
2 Jano Belo (PB) 11.63 x 10.07 David do Carmo (SP)
3 Marcio Farney (CE) 11.50 x 11.37 Gustavo Fernandes  (RJ)
4 Patrick Tamberg (FN) 13.00 x 11.17 Heitor Pereira (SP)
5 Tomas Hermes (SC) 14.60 x 11.53 Felipe Martins (CE)
6 Halley Batista (PE) 13.50 x 6.83 Ricardo Ferreira (SP)
7 Michel Roque (CE) 13.17 x 12.43 Renato Galvão (RJ)
8 Caio Ibelli (SP) 14.33 x 10.70 Jean da Silva (SC)
9 Alan Jhones (RN) 15.84 x 11.07 Arthur Silva (CE)
10 Franklin Serpa (BA) 12.50 x 9.14 Odirlei Coutinho (SP)
11 Edvan Silva (CE) 12.53 x 10.07 Pedro Henrique (RJ)
12 Krystian Kymerson (ES) 12.84 x 8.80 Rudá Carvalho (BA)
13 Bruno Galini (BA) 12.67 x 9.77 Marco Fernandez (BA)
14 Messias Félix (CE) 12.23 x 8.86 André Silva (CE)
15 John Max (RN) 13.00 x 10.34 Hizunomê Bettero (SP)
16 Simão Romão (RJ) 11.17 x 9.77 Tânio Barreto (AL)

 

Oitavas-de-final

 

1 Isaias Silva (CE) x Jano Belo (PB)
2 Marcio Farney (CE) x Patrick Tamberg (FN)
3 Tomas Hermes (SC) x Halley Batista (PE)
4 Michel Roque (CE) x Caio Ibelli (SP)
5 Alan Jhones (RN) x Franklin Serpa  (BA)

6 Edvan Silva (CE) x Krystian Kymerson (ES)
7 Bruno Galini (BA) x Messias Félix (CE)
8 John Max (RN) x Simão Romão  (RJ)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.