Eu e meu filho Pedro Lani embarcamos em Guarulhos com destino ao Hawaii dia 16 de dezembro.
No aeroporto, naquela matada de hora na espera do embarque, fomos até a banca de revistas e é claro, nos deparamos com a última Fluir, edição 266.
Na capa, o capitão Carlos Burle. Compramos na hora, pois no Hawaii iríamos dividir a casa em frente a Sunset Beach com o capitão.
Acredito ter sido portador do primeiro exemplar desta edição que chegou ao Hawaii. Durante o almoço, arroz integral, feijão, salada e omelete de carne que o capitão havia feito no dia 17 de dezembro.
Burle e Mayra Gabeira passaram um pente fino na matéria feita por Adrian Kojin, o editor da Fluir.
Como ouvinte, é interessante ficar observando os detalhes que saem de uma conversa informal e descontraída entre amigos e cúmplices de momentos tão intensos como surfar as bombas de Teahupoo no maior swell do ano.
Primeiro, Burle comentou que começou a surfar ondas grandes para fugir do crowd, que quando o mar sobe de verdade, os fortes e valentes têm que se relacionar é com o mar, e nestas condições todos ficam de igual para igual.
Nestas horas é a habilidade, equilíbrio psicológico e auto-conhecimento que mandam. Depois, já sobre a matéria Tropa de Elite (edição 266, pagina 127), Burle demonstrou grande satisfação por ter tido Adrian in loco para fazer a matéria e observar todos os procedimentos de planejamento para aquele dia.
Laird Hamilton foi citado várias vezes como um ?monstro? de conhecimento de todos os detalhes.
O capitão mencionou que surfar estas ondas não tem nada de inconseqüência ou de irresponsabilidade, mas sim de muito treinamento, muito treinamento e auto-conhecimento.
Conhecimento do treinamento adequado, conhecimento do alimento adequado, do perfil de recuperação das contusões, pois segundo o próprio Burle, que já teve ?ene? contusões, cada um deve se auto-conhecer para produzir o melhor para si.
Não existe regra/treinamento que se aplique a qualquer surfista para que este se torne um big rider, que chegue a conquistar um espaço na Tropa de Elite, ?zero dois, pede pra sair? é moleza perto de pegar uma esquerda em Jaws e não completar.
Treinamento e ritmo, nos últimos cinco meses Carlos Burle foi três vezes ao Tahiti, uma vez ao Peru, duas vezes a Maverick`s e Ghost Trees (onde pegou a onda do ano), está na lista principal do Eddie Aikau e pronto para o próximo swell monstro em qualquer canto do planeta.