
Com o aumento da prática do tow-in nas praias de São Paulo, chegou a hora de discutir a regulamentação do esporte.
Todos concordam que os big-riders brasileiros só nos enchem de orgulho quando disputam as morras de igual para igual com os gringos – donos de condições muito melhores (de ondas e financeiras) para praticar. Isso ninguém discute.
Que os brasileiros precisam treinar, creio que isso também é ponto pacífico.
Para falar da poluição causada pelos jets, são necessários estudos para determinar as consequências. A idéia aqui não é especular a respeito disso.
Porém, não se pode dizer que o esporte é inofensivo. Além do risco envolvido para os praticantes, principalmente em função do tamanho das ondas, também há risco para quem está por perto.
Ocorre que no Brasil, e mais precisamente em Maresias, os esportistas do tow in, experimentados e aprendizes, têm treinado em ondas e em dias normais, no meio dos tradicionais surfistas de remada.
Para quem nunca esteve no mar numa situação dessas, imagine uma série de motocicletas andando a milhão pela calçada. Adicione alguns motociclistas aprendizes e você terá o quadro completo, com risco absurdo da ocorrência de acidentes.
Seria lamentável esperar acontecer algum acidente grave para começarmos a discutir a regulamentação.
Em Jaws, meca do tow-in, houve esse debate e já estão sendo aplicadas as normas de procedimento. A regra básica informa que só pode haver tow-in quando não é possível entrar na onda remando – o que faz muito sentido.
Ainda persiste a discussão em torno do impacto sobre a fauna marinha, mas o primeiro passo já foi dado. É um exemplo que serve para mostrar que através do diálogo pode-se chegar à uma solução adequada para todos.
Garanto que em Maresias é praticamente impossível curtir o surf na remada em certos dias, principalmente por causa da arrebentação.
Em dias assim, a maioria dos surfistas procura outras praias, deixando caminho aberto para os interessados em treinar o tow-in, e em condições adequadas para realmente testar os limites dos praticantes.
Entrar de jet-ski em mar gigante em Maresias é prova de coragem e um verdadeiro espetáculo para quem esta na praia.
Entrar de jet-ski num marzinho de 5 pés, fácil até para os pregos na remada, além de ser uma baita covardia, desconfio que não deve servir nem como treino.
Além disso tudo, andar de jet-ski a menos de 200 metros da praia é proibido por lei – lei criada justamente para proteger as pessoas e evitar acidentes. A lei exige também habilitação para pilotar, outra forma de proteger a sociedade).
Só isso já deveria ser motivo para os praticantes também lutarem pela regulamentação.
Além de desrespeitar a lei, certos praticantes de tow-in às vezes desrespeitam também a fiscalização.
Eu mesmo presenciei, em um dia de ondas de 1 metro, integrantes de um bote dos salva-vidas de Maresias tentarem retirar pacificamente, na base da conversa, um jet-ski da linha de arrebentação, sendo repetidamente ignorado de forma acintosa.
Naquele dia ainda havia o agravante de ondas quebrando pela praia inteira (1 metrinho, liso, terral, o mel), com apenas cinco surfistas de remada na praia inteira (quilômetros de praia livre).
E e a dupla praticava exatamente na bancada onde estávamos. Até parecia provocação.
Nos últimos dois feriados foi ainda pior. Mar de 1 metro, feriadão, e os jets no meio das pessoas e bem à frente dos salva-vidas, que nada faziam para impedir.
Será que existe condição real para fiscalizar esse tipo de atividade? Não? Entãi, este é mais um motivo para juntos elaborarmos uma regulamentação.
Quero deixar claro que apoiamos os praticantes de tow-in, um esporte novo e de grande potencial entre os brasileiros. Torcemos para que eles entendam que a regulamentação do esporte em nosso litoral só vai beneficiá-los.
Acredito que os interessados devem brigar por seus direitos, mas de forma organizada e de acordo com a lei.
Vamos todos pensar nisso, antes que seja tarde demais.
* Além de Frederico Zucon, também assinam essa reportagem os surfistas José Luiz de Paula Eduardo Filho e Luis Fernando Carvalho.
Clique aqui para ler sobre a regulamentação do tow-in nos EUA.