Chegou o momento de ver quem será o rei do surf em 2012. E para isso, nada melhor do que um evento nas ondas mais conhecidas do planeta, Pipeline. Um dos mais tradicionais campeonatos do Circuito Mundial, junto com Bells Beach, o Billabong Pipe Masters tem um formato único, em função da pressão dos locais havaianos ao participarem da jóia do Tour em seus domínios.
Mas levando-se em conta que grande parte dos Top 32 realmente não leva muito jeito para surfar Pipe ou Backdoor, vejo isso como uma forma de melhorar o nível em ondas extremamente difíceis e perigosas. Por esta razão, os 14 convidados, onze locais, um irlandês (Glenn Hall), um americano (Dane Reynolds) e um brasileiro (Ricardo dos Santos) podem e devem eliminar nomes considerados favoritos na maioria dos eventos, com exceção de Pipeline.
Estes escolhidos disputam 12 baterias contra os 10 piores ranqueados no Tour. Não há repescagem. Os vencedores vão para o Round 2 encarar os ranqueados no seed entre a 13ª e 24ª posição. Novamente quem vencer se classificará para o Round 3, onde disputarão uma vaga nas oitavas contra os 12 melhores surfistas do WCT.
Jamie O’brien e Bruce Irons são dois destes caras que devem causar estrago entre os Top 32. Porém, como sempre, tudo varia de acordo com as condições do mar. Os goofies têm uma vantagem em relação à maioria dos regulares se o swell estiver melhor para as esquerdas. E não vejo quase vantagem para eles se o Backdoor reunir as melhores ondas. Ultimamente, os regular tem dado uma verdadeira surra neste evento, muito em parte pelos longos canudos do Backdoor.
Kelly Slater e John John Florence, os melhores surfistas em Pipe junto com O’Brien, estão em chaves opostas e têm uma enorme chance de se encontrarem na final, o que daria o 12º título mundial para Slater. Parko, o líder do WCT, está na parte de cima da chave de baterias, a mesma de JJ, e tem além do jovem havaiano, a presença de Owen Wright como ótimo tube rider.
Mas como foi dito acima, os convidados serão uma enorme variável e dependendo de quem encararem no chaveamento, podem mudar qualquer previsão. Além de Jamie e Bruce, Kalani Chapman e Ricardo Santos são outras surpresas que têm de tudo para atrapalhar os planos dos surfistas da elite.
Entre os brasileiros, não vejo muita oportunidade para bons resultados. No ano passado Gabriel Medina chegou em 5º lugar mas não teve uma performance espetacular. Extremamente inteligente e competidor, surfou ondas médias e foi passando as baterias. Não vejo como o raio cair pela segunda vez no mesmo lugar. Agora se o mar estiver menor, com as esquerdinhas rolando, o céu é o limite para o menino.
Adriano de Souza, nosso Top 5, nunca se sobressaiu neste evento e parece não se sentir à vontade com toda a pressão dos havaianos, fato que acontece com a maioria dos surfistas. Raoni Monteiro já teve alguns bons momentos no Backdoor, mas ao que parece será uma bela presa para o intimidador Kalani Chapman, principalmente se Pipe estiver quebrando. Miguel Pupo, Alejo e Heitor terão as mesmas dificuldades, mas ao menos estarão numa fase adiante, o que significa que em caso de vitória já ficam em 13º lugar.
Nos dois últimos anos, Jeremy Flores e Kieren Perrow venceram surpreendendo os grande favoritos. Como a previsão indica ondas boas já no primeiro dia de espera, acredito que as zebras não terão muita vez na gloriosa Pipeline.
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Boa sorte!
Alex Guaraná é colunista da FLUIR e especialista em WCT. Aqui ele apresenta suas análises pré-campeonato, com pontos essenciais sobre cada point e os principais atletas, para você mandar bem nos palpites.