O cearense Heitor Alves conquistou resultados expressivos em 2010. Levantou o caneco de quatro etapas Prime do WQS e está de volta ao WT.
O atleta garantiu espaço entre os melhores surfistas do mundo ao conciliar, com extrema determinação e profissionalismo, dez meses de treinos intensos e competições.
Na entrevista abaixo, Heitor avalia sua performance em 2010, comenta os 60% de aproveitamento nas etapas do WQS e afirma que o novo formato do WT pode valorizar o surf e melhorar o lado financeiro dos atletas.
Você começou 2010 com uma vitória em casa, no WQS de Paracuru (CE). Comente a conquista.
Foi muito importante. Ganhar logo de cara uma etapa 6 estrelas do WQS é começar o ano com o pé direito. Minha mãe nunca tinha me visto surfar e ela esteve no campeonato. Foi a primeira vez que me viu competir e saí vitorioso.
No decorrer de 2010 seu surf evoluiu muito. Tanto que conseguiu 60% de aproveitamento nas etapas do WQS (4 vitórias). Como avalia a evolução?
Fiz algumas surf trips, coisa que nunca tinha feito no decorrer da minha carreira. Nelas, aperfeiçoei minha linha de surf e isso ajudou bastante. Comecei fazendo uma trip para a Austrália, fui para a Indonésia e para o Peru. Sempre que tenho tempo, tento manter a parte física. Trabalhei no Rio de Janeiro com o Salvador Lamas, ex-surfista profissional, que hoje é juiz e dá aulas direcionadas ao surf, com pilates. Foi um trabalho alucinante.
Fale um pouco sobre a rotina durante as etapas.
Depende muito do lugar. Se estou em casa, treino com o Salvador e alterno os dias entre surf e parte física. Um dia surfo pela manhã e treino de tarde e no outro ao contrário. Depende sempre da maré. Cuido bastante da alimentação e durante as etapas tento encaixar uma trip.
Você acha que as pranchas produzidas no Brasil têm todos os parâmetros exigidos para ondas surfadas no WQS e no WT? Ou ainda é preciso utilizar pranchas feitas fora do país?
Surfei em muitos campeonatos com pranchas brasileiras e a diferença é pequena. Utilizo pranchas do Simom. A diferença é que, às vezes, as pranchas estrangeiras vêm com um material que no Brasil ainda não chegou e a forma como a galera finaliza as pranchas é diferente daqui. Mas a diferença resume-se a isso. Tive boas pranchas nacionais que me ajudaram a ganhar campeonatos. Hoje em dia surfo com uma meio brasileira, meio estrangeira. O shaper é brasileiro, mora no Estados Unidos e utiliza os matérias de lá.
Em dez meses você conquistou quatro etapas do WQS e a vaga para o WT. Como avalia sua performance em 2010?
Foi um pouco tenso, pois tinha acabado de perder a vaga do WT em 2009. Mesmo triste, não fiquei abalado. Sabia que tinha muito para aprender. Acho que não estava preparado para aquele momento. Enfim, vencer a primeira etapa em casa me deu segurança para correr as outras. Consegui ser constante, mantive bons resultados – coisa que não vinha acontecendo – e quebrei a barreira.
Em entrevista recente, você diz estar inseguro quanto ao novo formato do WT. E agora, mudou alguma coisa?
No começo eu estava inseguro. Não entendia as novas regras e os muitos pontos em jogo podiam ser mal distribuídos. Mas agora acredito que a mudança pode valorizar o esporte e o lado financeiro dos atletas.
Você saiu das águas cearenses para a elite do surf mundial. Na nova geração local, você vê alguém com o mesmo potencial?
Sim, muitos atletas cearenses estão quebrando: Michael Rodrigues, Ramon do Titan, Patrick, entre outros. Acredito que irão surgir vários bons atletas, principalmente se existirem oportunidades. Neste contexto, o patrocínio das marcas e da prefeitura é muito importante. Fica complicado investir no surf quando não se tem nem o que comer direito. Tem que ter raça e vejo que a molecada é guerreira. Farei o que puder por eles.
Qual a perspectiva para 2011?
Será o resumo de 2010. O ano que passou foi muito bom. Espero que em 2011 dê tudo certo.
Quem é Heitor Alves?
Um cara brincalhão, que gosta de estar sempre com os amigos e de pegar ondas, em qualquer condição, onde for. Deixo de lado essa mania de localismo e tenho respeito por todos. Surf é saúde, diversão, sem briga ou violência.