Jacques Funke

Hawaii às avessas

Esta foi minha primeira temporada de surf e de fotos no Hawaii. Parti de Los Angeles (EUA) com uma única pergunta na cabeça: será que as ondas vão entrar no North Shore de Oahu?

No dia do meu embarque (10/11), os gráficos de previsão marcavam ondas de até 5 metros. Como todo marinheiro de primeira viagem, bateu aquele nervosismo, apreensão, desejo, medo e felicidade. Tudo misturado.

No meu primeiro dia resolvemos fazer o surf em Parking Lot, um pico ao lado de V-Land. As ondas quebravam com 2 metros em cima de uma bancada rasa de coral.

Parecia um sonho, altas ondas, clima quente e úmido, que me lembrou muito o litoral Norte de São Paulo. Mas como todo bom sonho dura pouco, fui pego no inside por uma onda de mais de 2 metros e, sem experiência de surfar no coral, minha reação foi ir o mais fundo que o coral me permitia.

O turbilhão foi tão forte que a onda me arrancou da prancha me esmagando contra o coral afiadíssimo. Cortei a orelha e ralei todas as costas, o que me fez perceber que o Hawaii realmente não era brincadeira.

A partir deste momento meu sonho de surfar tubos perfeitos em águas cristalinas passou para dar oportunidade a minha outra paixão, a fotografia. No dia seguinte, resolvi dedicar os meus dias para registrar o espírito aloha havaiano.

Portanto, com minhas fotos frisei um instante da realidade que vai muito além das minhas imagens. Muitos acontecimentos vêm antes e depois deste momento, sendo que o conjunto delas forma uma história.

 

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