Por trás das notas

Hawaii: a hora da decisão

O melhor circuito da ASP de todos os tempos vai chegando ao fim e será encerrado com chave de ouro em duas provas sensacionais nas ondas mais famosas do mundo, Sunset Beach e Pipeline, no North Shore do Hawaii.

 

Este ano a premiação distribuída aos surfistas bateu recorde, com doze provas nas melhores ondas do planeta finalizando com a volta de Sunset e Pipe ao circuito.

 

Ao contrário do ano passado, o campeão deste circuito poderá ser considerado um surfista realmente completo.

 

O havaiano Andy Irons está praticamente com uma mão no título. Os principais concorrentes dele precisam quase de um milagre para superá-lo.

 

Luke Egan, que tem mais chances, precisa de uma vitória e um terceiro lugar; Mike Lowe e Taj Burrow precisam de duas vitórias e torcer para que o havaiano não vá bem nos eventos – nos quais é um dos favoritos.

 

Na última etapa do WQS, em Haleiwa, os brasileiros não foram bem e apenas quatro estão entre os quinze primeiros que se classificam para o WCT do ano que vem, com destaque para volta do Armando Daltro, classificado junto com Gouveia, Vitinho e o Paulo Moura.

 

Temos chances de classificar ainda mais cinco: Peterson e o Neco, que estão quase garantidos, e o Teco, que hoje estaria dentro, mas precisa de pelo menos dois nonos para não depender dos resultados dos outros. Temos ainda nossos dois especialistas em Pipeline, Renan Rocha e Guilherme Herdy, que sempre conseguem pontos preciosos no Hawaii.

 

Sunset é sempre imprevisível, os havaianos levam vantagem e terão dois trialistas como wild cards. Mesmo assim, historicamente os australianos dominam a melhor onda do mundo.

 

Quando digo a melhor, estou me baseando nas múltiplas variações que ela oferece: ondas grandes, longas, com uma massa de água impressionante, com ladeiras intermináveis, picos gigantes e um inside de fazer frente a qualquer onda buraco do planeta.

 

Pipeline já é uma onda mais previsível, onde o grande objetivo é o tubo – e o diferencial está na disposição de botar para dentro, o famoso “go for it”.

 

Decidir o título mundial em Pipe é para os surfistas como é subir no Everest para os alpinistas, é o maior degrau a ser conquistado, a maior glória no meio do surfe e impõe respeito nos quatro cantos do planeta.

 

Hoje em dia os interesses dos surfistas profissionais mudaram. Conversando com Felipe Dantas, um dos maiores surfistas brasileiros de todos os tempos, verificamos que as posturas em relação ao inverno havaiano são outras, nossos surfistas vão para o Hawaii em cima da hora e voltam para o natal em casa.

 

Antigamente o sonho do surfista profissional era passar toda temporada nas ilhas e se possível emendar com a Austrália.

 

Sem treino no Hawaii fica muito difícil pensar em um campeão mundial brasileiro, ainda mais com o circuito em ondas perfeitas e pesadas como é hoje, principalmente terminando com as duas provas de Sunset e Pipeline.

 

Aloha!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)