Guerreiro contra-ataca

Quando os juizes anunciaram a nota 9.93 todos tiveram a certeza que o catarinense Neco Padaratz seria o campeão do Vodafone Open, encerrado no último domingo em Merewether Beach, em Newcastle, Austrália.

 

Apesar de ter como adversário na bateria final o australiano Jarrad Howse, o público e até mesmo os locutores do evento mostravam muita emoção ao comentar a atuação do surfista brasileiro.

 

O título foi um justo prêmio para o atleta que disputou 12 baterias desde o primeiro round e venceu 11, até o título que valeu US$ 10 mil e 1.500 pontos no ranking.

 

Além disso, Neco teve a primeira e a segunda maior nota do campeonato (9.93 e 9.70), sem contar as duas melhores somatórias (18.70 e 17.76).

 

Mas nada disso se compara a atuação do atleta na onda que decidiu o campeonato.

 

O swell de sul gigante já estava previsto desde a última quarta-feira e as condições do mar não estavam fáceis no domingo ensolarado, que teve público estimado em 10 mil pessoas ao redor do Surf Club de Merewether.

 

Os torcedores brasileiros, apesar de serem somente alguns poucos perdidos na multidão, estavam lá para conferir e presenciar a garra e atitude de Neco Padaratz.

 

Todos os moradores na costa leste da Austrália já sabiam que o surfe do fim-de-semana seria de situações extremas. Porém, o vento ?ladal? não estava ajudando as esquerdas de até 3 metros que rolavam em Merewether Beach.

 

Algumas séries maiores fechavam, as morras vistas da areia realmente pareciam enormes e escolher uma onda errada significaria perder tempo e energia ? e desperdiçar a chance de levar o campeonato era tudo que Neco não queria.

 

O catarinense abriu a bateria com uma boa onda que valeu nota 7.83 e deu o primeiro passo rumo a vitória. Mas, na seqüência Jarrad Howse inverteu a situação ao dropar uma esquerda que aproveitou muito bem e obteve nota 8.67.

 

Os minutos estavam passando e as ondas não abriam. A galera na praia já estava meio ansiosa por uma série, e eu particularmente não acreditava que aquele seria o desfecho do campeonato.

 

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Com apenas 11 minutos faltando para o final da bateria, surge uma série no outside. Neco rema para uma onda de uns 8 pés meio fechando, completa um drop kamikaze e coloca para dentro de um tubo que aparentemente parecia impossível de sair.

 

Mas, para delírio da platéia e dos locutores do evento, Neco completa o tubo e já sai preparando uma batida na junção pouco amigável.

 

Ele não chegou a completar a batida, mas nem precisava, os juizes já sabiam quem mereceria os méritos do dia. Com a vitória, Neco sobe para o quarto lugar no ranking de acesso, liderado pelo norte-americano Gabe Kling.

 

?Foi um fim-de-semana de boas ondas. Vim desde a primeira fase, foram muitos dias competindo em baterias difíceis e diferentes condições e a vitória veio coroar essa semana de trabalho duro aqui em Newcastle?, falou Neco Padaratz depois de ser carregado pelos amigos na praia.

 

Ele foi destaque desde os primeiros dias da competição, iniciada na última segunda-feira. Foi o primeiro recordista do evento e no sábado derrubou o australiano Mark Occhilupo na primeira rodada de baterias homem-a-homem.

 

Occy vinha de vitória conquistada no domingo passado em Margaret River, no mesmo evento que Neco Padaratz faturou seu último título no circuito mundial, em 2004.

 

?É uma honra vencer o campeonato do Mark Richards. Estou voltando ao circuito mundial pelo WQS, é um momento muito especial na minha vida, de muita superação e estou realmente muito feliz com essa vitória, por tudo que ela representa neste momento?, disse Neco no pódio.

 

O carioca Leo Neves foi o segundo melhor brasileiro na etapa, encerrando em quinto lugar ao ser derrotado nas quartas-de-final pelo australiano Kai Otton (14.00 a 11.67). Leo também avança no ranking e sobe para a 11a posição.

 

Neves também teve um grande momento na prova, ao marcar 9.5 na bateria que venceu contra Jarrad Howse, o também aussie Dayyan Neve e o havaiano Sean Moody.

 

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