Milhares de surfistas aterrissam diariamente para curtir as ondas perfeitas da Ilha de Bali, na Indonésia. Uluwatu é um dos picos mais disputados. As pessoas chegam de várias partes do mundo e dividem o line-up em Temples, The Peak, Corner e Race Tracks.
Porém, quando entra um swell acima de 3 metros, a história é bem diferente. Bommie e o Out Side Corner começam a funcionar. O crowd se espalha entre outros picos e Uluwatu fica para aqueles poucos surfistas com muita disposição.
No Bommie, as ondas são gigantes, correnteza muito forte, difícil de entrar e sair do mar. É preciso uma prancha grande para entrar na onda. Depois de chegar à Indonésia há oito anos e morar aqui há cinco, decidi encarar a Bommie e, graças a Deus, sobrevivi e me dei bem.
Apaixonei-me por tanta adrenalina e quando o pico está quebrando, quero estar lá.
É claro que, entre uma onda e outra, levo muita vaca, tomo várias séries na cabeça. Já voltei com o lip várias vezes, tentando passar a arrebentação. Tem que ter pulmão para aguentar o caldo. São nessas horas que é só você e Deus, que é preciso orar e crer que ele vai te ajudar a superar mais uma.
Num desses dias de grande swell, tive o prazer de surfar a maior e mais longa onda da minha vida em Uluwatu.
Não sei dizer exatamente o tamanho da onda, mas essa tinha no mínimo quatro vezes o meu tamanho e minha prancha era uma 7’0”.
Essa onda não foi registrada, o sol tinha acabado de se por e não havia mais fotógrafos. Fui a última a sair do mar e, nesse mesmo dia, minha parceira de ondas grandes no Hawaii, Silvia Nabuco, estava na água comigo. Vibramos muito juntas. Um fim de tarde abençoado que ficará marcado para sempre.
Apelidei esses dias incríveis de “Hawaiianesia”.







