Gouveia contrai sarampo

O paraibano Fábio Gouveia vem sendo protagonista de um caso curioso nos últimos dias.

 

Manchete de capa dos principais veículos de imprensa de Estados do Sul, Sudeste, Bahia e Distrito Federal, ele pode ser o disseminador de um surto de sarampo nessas regiões depois de ter contraído a doença nas Maldivas, onde disputou uma etapa do WQS no final de maio.

 

Já são cinco os casos confirmados no Brasil até o momento. Gouveia chegou aqui no dia 13 de junho. Porém, o sarampo só foi confirmado no dia 18 de julho, já que até então a suspeita era de leptospirose. No roteiro de volta para casa, o surfista, que mora em Florianópolis com a mulher e os três filhos, passou por vários lugares.

 

Ele viajou no dia 31 de maio a Male, Ilhas Maldivas. Nesse dia, fez conexão em São Paulo, Frankfurt (Alemanha) e Colombo (Sri Lanka) antes de chegar ao destino. No dia 12 de junho, ficou hospedado em Düsseldorf (Alemanha) e no dia 13 seguiu para o Brasil, já com os sintomas. No caminho, fez conexão em Frankfurt e em Lisboa (Portugal) até chegar a São Paulo.

 

No dia 14 de junho, Gouveia esteve em Florianópolis, mas logo embarcou para Salvador, onde disputou outra etapa do WQS. Voltou a Florianópolis no dia 17, tendo feito conexões em Brasília e São Paulo – no mesmo vôo de um empresário de 38 anos, que teve a doença confirmada antes dele na capital catarinense.

 

Do dia 5 a 10 de julho ele ainda passou pela África do Sul, passando por Durban e Johanesburgo. Na volta, ficou mais três dias em Florianópolis e viajou para o Rio de Janeiro, mais precisamente em Saquarema, para a etapa do SuperSurf.

 

Segundo noticia publicada hoje na Folha de São Paulo, a Secretaria da Saúde de São Paulo confirmou ontem dois casos de sarampo na capital paulista. Exames sorológicos apontaram o vírus em dois irmãos, um de cinco e outro de um ano – os dois não eram vacinados e passam bem.

 

O mais velho esteve no mesmo vôo de Gouveia em São Paulo no dia 17 de junho e transmitiu ao mais novo. Além deles, o surfista também passou a doença para um de seus filhos, Ian, 13, e para um empresário de Florianópolis de 38 anos, que estava no vôo para a capital catarinense.

 

Normalmente o doente continua transmitindo o sarampo quatro dias antes e quatro dias depois de surgirem erupções na pele, um dos sintomas da doença. Na Bahia, Fábio Gouveia começou a sentir as primeiras conseqüências da doença. “Não tinha força e mal conseguia pegar onda”, disse em entrevista à Folha.

 

“Voltei bem ruim da Bahia, fiz exames no hospital e deu leptospirose. No segundo exame, deu negativo. Só fui saber que era sarampo bem depois”, contou Gouveia. “Houve pedidos de jornalistas para que meu nome fosse divulgado. De início fiquei apreensivo, mas logo ví que era meu dever tentar ajudar no que fosse possível para que o problema fosse controlado o mais rápido possível”, escreveu Gouveia por e-email.

 

Com o apoio da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), as Vigilâncias Epidemiológicas dos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, assim como do Distrito Federal, realizam um rastreamento dos passageiros que entraram em contato com Fábio Gouveia.

 

Os órgãos também buscam fazer um bloqueio vacinal das pessoas que estiveram com o surfista nos locais visitados. A transmissão do sarampo ocorre diretamente de pessoa a pessoa, através das secreções nasofaríngeas, expelidas ao tossir, espirrar ou falar – e no inverno há maior risco de contágio.

 

Os adultos, com idade inferior a 49 anos, estão sujeitos a contraí-la, caso não tenham sido vacinados; as crianças que ainda não completaram um ano, também. Os sintomas da doença aparecem de oito a 14 dias após o vírus entrar no organismo e pode ser transmitida até uma semana antes do aparecimento das manchas avermelhadas pelo corpo.

 

A última epidemia da doença ocorreu em 1997, quando 53 mil brasileiros contraíram a infecção. A última morte em decorrência de sarampo no país foi registrada em 1999.

 

O Brasil não registra um caso autóctone (contraído no próprio País) da doença desde 2001 – os últimos três casos foram importados do Japão (em 2002) e da Europa (dois, em 2003). O Ministério da Saúde, no entanto, descarta a possibilidade de uma nova epidemia no Brasil.

 

Para obter mais informações entre em contato com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde no telefone (0xx61) 3321-3374 ou com o Centro de Vigilância Epidemiológica de SP pelo 0800-555466.

 

Colaborou Chico Padilha.

 

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