Gaúchos temem redes de pesca

No dia 4 de janeiro, a sede do Ministério Público Estadual recebeu mais uma reunião motivada por uma nova tragédia causada pelas redes de pesca no litoral gaúcho, que já vitimaram mais de 40 surfistas.

 

A última vítima foi um surfista experiente, com aproximadamente 40 anos, pai de dois filhos, o que enterrou de vez a teoria de que as mortes poderiam ser por inexperiência dos surfistas.

 

Mesmo com a pesca proibida de 15 de dezembro a 15 de março em todo o litoral, novamente o fantasma das redes assola a comunidade. A grande angústia é de que novas mortes ocorram ainda no verão e principalmente a partir de 15 de março, quando será liberada a pesca.

Neste sentido, está sendo feita uma forte pressão pela comunidade para que as autoridades limpem completamente toda a orla gaúcha de todos os materiais de pesca, o que, segundo o representante da Brigada Militar, está sendo feito imediatamente.

 

Além disso, foi definido na reunião que uma comissão que será composta pela Federação Gaúcha de Surf, Federações de Pesca, Ministério Público, Brigada Militar, Prefeituras, pais das vítimas e representantes dos surfistas, que será montada uma forte agenda de reuniões para criar um acordo que delimite de uma vez por todas as áreas de surf e pesca, criando um texto que será encaminhado em forma de projeto de lei para aprovação na Assembléia Legislativa Estadual até março pelo Deputado Vieira da Cunha.

 

A reivindicação dos surfistas é de que a área de surf seja no mínimo de 4 quilômetros em cada praia e que não haja redes fixadas em locais onde há urbanização, ou seja, locais com casas de veraneio na orla.

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Esta tragédia já ocorre há mais de 20 anos, mas tudo leva a crer que as mudanças se iniciarão, pois a situação é completamente insustentável.

 

No encontro estavam presentes o Procurador Geral do Estado Roberto Bandeira Pereira, acompanhado da equipe da Promotoria, representante da Brigada Militar Major Moura, Deputado Vieira da Cunha, representantes dos surfistas, empresários da área e o Presidente da Federação Gaúcha de Surf, Orlando Carvalho.

 

Na semana seguinte foi feita uma nova reunião na Casa Civil para finalizar o texto com as reivindicações que visam garantir a segurança na água e na terceira semana de janeiro acontece uma reunião com representantes das federações de pesca para iniciar a discussão das novas regras que tendem a virar lei.

 

Por enquanto, a indignação da comunidade é grande. Depois da morte da surfista Júlia Rosito, ocorrida no inverno de 2005, após várias reuniões na Assembléia Legislativa, Casa Civil, Ministério Público, nada mudou e foi necessário o sacrifício de uma nova vida para que a discussão viesse novamente à tona.

O novo prazo é 15 de março. Até lá um novo voto de confiança está sendo dado as autoridades, mas se nada ocorrer, a situação pode ficar crítica e motivar manifestações mais agressivas, o que não é o desejo de nenhuma das partes.

 

A comunidade do surf, guiada pela Federação Gaúcha de Surf, tem a obrigação, mais do que nunca, de orientar sobre a segurança na água e criar uma comissão de fiscalização permanente sobre o problema das redes. A organização é fundamental.

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