Gaúchos recuperam Federação

Nova diretoria da FGSurf recupera imagem do surf gaúcho. Foto: Vinícius Garcia.

Ao assumir a presidência da Federação Gaúcha de Surf para o biênio 2006 / 2007, Orlando Carvalho herdou, além do posto máximo da entidade maior do surf gaúcho, um rosário de dívidas das gestões anteriores.

 

Os prejuízos iam desde impostos recolhidos e não pagos de premiações de atletas junto à Receita Federal, passando por encargos fiscais junto a órgãos públicos, dívidas com fornecedores e também com grandes patrocinadores do mercado nacional.

O montante da dívida ultrapassava a casa dos R$ 100 mil.

 

Orlando Carvalho é o presidente da entidade. Foto: Igor Pinheirua.

Aos poucos, a atual diretoria da Federação Gaúcha de Surf, capitaneada pelo seu presidente e amparada pelo restante dos seus membros, foi entrando em contato com esses credores, tomando pé da situação para quitação das dívidas, e o que se viu realmente foi preocupante.

 

Tem muita, mas muita coisa para ser feita e muitos problemas para serem resolvidos, mas nada que vá impedir o êxito desta empreitada.

 

Inclusive a conta corrente que a FGSurf tem no Banrisul está bloqueada para uso de cheques devido a uma enorme quantidade de ?voadores? que ainda se encontram no mercado.

 

Uma situação absoluta e verdadeiramente constrangedora e que, além de ser prejudicial administrativamente, fechou muitas portas nestes dois anos de administração, já que, apesar do esforço coletivo, alguns desses cheques ainda não foram resgatados e não puderam ser baixados dos serviços de crédito.

 

No início do ano de 2006, a FGSurf deparou-se com um impedimento para firmar contratos com órgãos públicos. A Federação não havia entregado a GIR de 2004 e com isso estava inadimplente junto à Receita Federal.

 

Isto ocorreu justamente no momento da assinatura de um convênio com a Fundergs para levar, depois de 4 anos sem participar, a equipe gaúcha para o Circuito Brasileiro Amador em Maresias (SP).

Foi feita uma romaria atrás dos documentos necessários para a regularização e, depois de alguns dias nas filas da Receita Federal em Porto Alegre e com R$ 900 em multas pagas, a direitoria conseguiu resolver a pendência e levar os atletas gaúchos para o maior evento amador do Brasil. O time voltou com um importante segundo lugar de Vinicius Fornari na Open.

Porém, a multa paga era pelo atraso e a FGSurf foi avisada de que haveria posteriormente uma multa maior ainda pela entrega atrasada da declaração.

 

No início deste ano, na ocasião de firmar um novo convênio com a Fundergs, agora para a primeira etapa do brasileiro no Rio Grande do Norte, a Federação verificou que teria de pagar a multa pelo atraso.

 

Mais romaria e uma multa de R$ 3,2 mil a ser paga com urgência. Depois de conseguirem um desconto de 50% e feito o devido pagamento, os gaúchos mais uma vez foram representar o estado em uma competição nacional e saldar mais uma pendência.

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Equipe gaúcha durante etapa baiana do circuito brasileiro amador em 2006. Foto: Pedro Campos / Divulgação Maresia.

Nas últimas semanas, a Federação conseguiu acertar o pagamento de duas importantes dívidas que haviam sido contraídas em gestões passadas e que lhe impediam de negociar com empresas do mercado nacional, além de impedirem a FGSurf de dar prosseguimento às provas do seu Circuito Profissional e que valiam para o Circuito ABRASP Sul-Brasileiro Profissional.

A primeira delas foi com o atleta Adriano Mineirinho, campeão de um evento do ABRASP Super Trials em 2004, em São José do Norte e que teve descontado da sua premiação total R$ 2.051,92 referentes ao Imposto de Renda obrigatório.

 

Luta para acabar com mortes por redes de pesca tem total apoio da Federação Gaúcha. Foto: Miguel Noronha.

Esse valor não foi repassado à Receita Federal. Depois de três anos de inadimplência, a Federação Gaúcha de Surf, em conjunto com a X3 Marketing Esportivo – promotora do referido evento à época e um dos responsáveis pelo mesmo junto à FGSurf – quitaram a dívida em duas parcelas iguais de R$ 1.025,56 pagas nos dias 30 de abril e 8 de maio.

Existe ainda uma pendência financeira com o atleta Renato Galvão referente ao mesmo evento do Super Trials de São José do Norte, onde ele foi o vice-campeão e o valor devido a ele é de R$ 1.025,56.

Já foi feito um acordo oficial com o mesmo para o pagamento desse valor em duas parcelas iguais de R$ 512,78 a serem pagas nos dias 30 de junho e 30 de julho.

 

A segunda dívida importante que foi devidamente quitada nesta semana foi com a gigante paulista e nacional da surfwear, a SurfCo, do empresário Alfio Lagnado, que compreende entre outras marcas a Hang Loose, Reef, Rusty e Quiksilver.

A dívida referia-se ao evento Reef Classic WQS, que ocorreu na cidade de Torres em fevereiro de 2004, e o montante pago foi de R$ 40 mil, que era o valor total da dívida.

Como a FGSurf não dispunha de dinheiro em caixa para quitar esse compromisso, foi firmado um contrato de parceria entre a FGSurf e a Hang Loose, onde a mesma passa agora a fazer parte do Circuito Gaúcho de Surf com o ?Hang Loose Trick Show?, um circuito especial somente de manobras inovadoras e que vai premiar o seu grande campeão com uma passagem aérea para o arquipélago de Fernando de Noronha ao término de cada um dos seus dois anos de circuito (2007 e 2008), período da duração do contrato.

Ao término deste acordo, que termina em dezembro de 2008, o montante devido pela FGSurf será oficialmente quitado e dado baixa junto à SurfCo.

 

Ainda existem outras dívidas pendentes com diversos credores e a Federação Gaúcha de Surf está empenhada em resolver todas essas questões dentro da mais absoluta transparência e capacidade de endividamento e de maneira que possa honrar com seus compromissos, não deixando mais nenhuma margem de dúvidas com quer que seja de que esta é uma administração empenhada com o esporte e com as coisas que o circundam.

Exemplo disso é o magnífico trabalho na questão das redes, encabeçado pelo presidente Orlando Carvalho em conjunto com o vice-presidente Nelson Guarda e o representante do Conselho, Virgílio Matos, além é claro, na transparência das contas e empenho em zerar esta dívida que estava sangrando a Federação e a matando aos poucos.

 

A FGSurf conseguiu estancar a hemorragia e agora está partindo para a recuperação total e buscando reaproximação com os mais diversos segmentos do esporte e do Governo do Estado no que diz respeito à captação de recursos e projetos que venham a beneficiar tanto a Federação Gaúcha de Surf como os seus filiados.

 

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